O Atlético passou boa parte da temporada tentando responder quem seria seu centroavante mais confiável. A resposta ainda não apareceu, mas o problema mudou de personagem nas últimas semanas.
Thiago Borbas encerrou contra o Vitória uma espera de aproximadamente 13 meses sem balançar as redes. Mateo Cassierra, por outro lado, chega ao confronto com o Santos nesta quarta-feira (9) carregando 16 partidas consecutivas sem marcar, a maior seca de gols de sua carreira.
O contraste é curioso porque, há pouco mais de um mês, a situação parecia exatamente inversa. Cassierra era o atacante mais estabelecido no elenco, enquanto Borbas desembarcava em Belo Horizonte tentando explicar por que não marcava desde julho de 2025.
Hoje, o Atlético conseguiu eliminar um dos jejuns, mas ainda não resolveu sua principal dúvida ofensiva.
Cassierra parou justamente depois de assumir protagonismo

Cassierra começou 2026 com a responsabilidade de ocupar um espaço importante no ataque alvinegro. Em maio, chegou a cinco gols na temporada e dividiu a artilharia do clube, cenário que levou o Moon BH a analisar o tamanho da responsabilidade que o colombiano assumiria depois da saída de Hulk.
O último gol oficial do atacante ocorreu em 10 de maio, no empate com o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, a sequência sem marcar cresceu até atingir 16 partidas nesta semana.
Segundo levantamento do ge, essa já é a pior série sem gols de toda a carreira de Cassierra.
O dado ganha peso porque não se trata apenas de um jogador que perdeu espaço e deixou de entrar em campo. O colombiano continuou recebendo oportunidades e passou a alternar entre titularidade e banco durante a sequência.
Ou seja, o jejum não nasceu da falta de minutos. Nasceu da dificuldade em transformar os minutos recebidos em gols.
Borbas viveu o caminho contrário
Quando Thiago Borbas chegou ao Atlético, no fim de julho, o uruguaio carregava um problema ainda maior.
Ele não marcava desde 13 de julho de 2025, quando defendia o Red Bull Bragantino. A passagem pelo Real Oviedo, na Espanha, terminou sem gols em 12 jogos, e o próprio atacante admitiu na apresentação que o período europeu havia sido difícil.
A espera terminou diante do Vitória, em 29 de agosto. Borbas aproveitou uma falha defensiva e marcou seu primeiro gol com a camisa atleticana, encerrando um intervalo de um ano e um mês sem balançar as redes.
O Moon BH mostrou depois daquele jogo que o gol colocava Borbas novamente na disputa por espaço.
O problema é que o atacante sofreu uma lesão muscular poucos dias depois e voltou ao departamento médico. Assim, justamente quando começava a mudar a própria trajetória, precisou interromper a sequência.
O problema do Atlético não desapareceu, apenas mudou
É por isso que reduzir o momento a uma disputa simples entre Cassierra e Borbas pode esconder a questão principal.
O Atlético ainda não encontrou um centroavante capaz de sustentar uma sequência longa de gols em 2026.
Em agosto, o Moon BH já havia mostrado que o comando do ataque era uma das poucas posições sem dono absoluto, mesmo durante a maior sequência de invencibilidade do clube na temporada.
Depois disso, Borbas desencantou. Cassierra, porém, continuou sem marcar.
A consequência é que o setor continua produzindo mais perguntas do que respostas.
Renan Lodi chegou a cinco gols e virou um dos artilheiros improváveis da equipe. Bernard e outros jogadores de segunda linha também tiveram participação importante, reforçando uma característica que acompanha o Atlético durante boa parte do ano: os gols aparecem distribuídos, mas nenhum atacante conseguiu se distanciar dos demais como referência.
Santos oferece nova oportunidade para Cassierra
Cassierra terá nesta quarta-feira mais uma oportunidade de interromper a sequência.
O Atlético enfrenta o Santos na Vila Belmiro pela partida de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. É justamente o tipo de confronto em que um gol pode mudar não apenas uma eliminatória, mas também a leitura sobre o momento individual de um atacante.
Para Cassierra, a conta é ainda mais clara. Há poucas semanas, o Atlético tinha um centroavante que não marcava havia 13 meses e outro tentando se firmar como principal referência. Borbas finalmente encerrou sua espera.
Agora, o maior jejum do ataque mudou de dono, e o jogador que carregava expectativa de assumir o protagonismo ofensivo do Galo passou a enfrentar uma marca que nunca havia vivido antes na carreira.


