O Atlético não conquistou vantagem no placar contra o Cruzeiro, mas o empate por 1 a 1 no Mineirão produziu uma mudança importante para o segundo clássico das quartas de final da Copa do Brasil. O Galo saiu da casa do rival sem precisar correr atrás de resultado e transferiu toda a definição da vaga para a Arena MRV.
Não existe vantagem matemática. Quem vencer na próxima terça-feira (1º) avança às semifinais, enquanto qualquer novo empate leva a decisão para os pênaltis. O que mudou foi o contexto da eliminatória.
O Cruzeiro disputou a ida diante de mais de 59 mil torcedores, abriu o placar no segundo tempo e teve a oportunidade de transformar o mando de campo em vantagem. O Atlético, porém, respondeu dez minutos depois e voltou para casa com uma eliminatória novamente zerada.
É exatamente aí que o resultado ganha um peso maior do que o 1 a 1 sugere.
Atlético respondeu quando o clássico parecia pender para o Cruzeiro
Depois de um primeiro tempo bastante truncado, o Cruzeiro voltou melhor para a etapa final e aumentou a pressão. Keny Arroyo abriu o placar aos 15 minutos com um chute de fora da área.
O momento era favorável ao time celeste. Além da vantagem, o Cruzeiro tinha o estádio ao seu lado e poderia aproveitar a necessidade do Atlético de sair mais para o jogo.
A resposta alvinegra veio rapidamente.
Aos 25 minutos, Cuello encontrou Renan Lodi em uma jogada pela esquerda, e o lateral empatou o confronto. O gol também representa mais um capítulo da temporada do jogador, que já teve sua importância técnica e financeira no elenco analisada anteriormente pelo Moon BH.
A reação imediata impediu que o Cruzeiro controlasse o restante da eliminatória a partir de uma vantagem construída em casa.
Arena MRV muda o ambiente da decisão

O mando não funciona como vantagem automática. O próprio futebol brasileiro está cheio de exemplos de visitantes que conseguem controlar partidas decisivas.
Ainda assim, decidir na Arena MRV modifica elementos importantes do confronto.
O Atlético terá sua torcida, estará no estádio em que treina e joga regularmente e não precisará entrar em campo obrigado a reverter um resultado negativo. Para Eduardo Domínguez, isso amplia as possibilidades de construção da estratégia.
O treinador poderá escolher se deseja assumir mais a iniciativa desde os primeiros minutos ou manter parte do comportamento adotado no Mineirão, protegendo espaços e tentando acelerar quando recuperar a posse.
A leitura do jogo de ida publicada pelo ge destacou justamente como o Atlético conseguiu reduzir o favoritismo atribuído ao Cruzeiro antes da série.
A diferença para a volta é que qualquer erro passa a ter peso definitivo.
Invencibilidade também ajuda a explicar novo cenário do Galo
Há outro elemento que aumenta a confiança atleticana. O empate no Mineirão levou o Atlético a 12 partidas consecutivas sem derrota, considerando seis vitórias e seis empates.
A última derrota aconteceu em 24 de maio, diante do Corinthians.
Mais importante do que a sequência isolada é a capacidade recente do time de permanecer competitivo mesmo quando a partida não se desenvolve como planejado. Contra o Cruzeiro, o Galo sofreu o primeiro gol e encontrou a resposta ainda durante o melhor momento do adversário.
É uma característica especialmente valiosa em mata-matas.
O Moon BH já havia analisado durante a temporada a busca de Eduardo Domínguez por um padrão mais consistente para o Atlético. A sequência invicta indica que, ao menos em termos de resultado, a equipe chegou às quartas em um estágio diferente daquele visto em momentos de maior oscilação.
Empate não significa vantagem do Atlético
Há uma distinção importante para evitar exageros: o Atlético não virou favorito automaticamente.
A eliminatória continua rigorosamente empatada, e o Cruzeiro já mostrou no Mineirão que possui capacidade para controlar períodos do clássico e criar dificuldades para o sistema defensivo alvinegro.
Também existe a situação de Ruan Tressoldi. O zagueiro sofreu uma concussão após uma queda ainda no primeiro tempo, iniciou o protocolo estabelecido para esse tipo de lesão e dependerá da evolução clínica para ficar disponível.
O que o Atlético conquistou foi uma condição confortável dentro das possibilidades que existiam antes da ida: não permitiu que o rival levasse vantagem para sua casa.
Antes da decisão, o Galo ainda recebe o Vitória no sábado (29), pelo Campeonato Brasileiro. Depois disso, toda a atenção se volta novamente para o clássico.
Na próxima terça, não haverá necessidade de fazer contas com o resultado construído no Mineirão. Para o Atlético, a missão será mais simples de entender e muito mais difícil de executar: transformar o ambiente da Arena MRV na vantagem que o placar da ida não entregou.


