O Cruzeiro encontrou em Keny Arroyo uma solução que começa a aparecer justamente nos jogos de maior peso da temporada. O gol marcado contra o Atlético no empate por 1 a 1, pela Copa do Brasil, reforçou uma característica que pode se tornar cada vez mais importante para o time de Artur Jorge: a capacidade do equatoriano de transformar espaço próximo à área em finalização perigosa.
No clássico, Arroyo recebeu próximo à entrada da área e acertou uma forte finalização para abrir o placar no Mineirão.
O que chama atenção é que a jogada se encaixa em uma sequência recente de decisões do atacante.
Entre os gols de maior peso marcados por Arroyo estão participações importantes justamente diante de adversários como Flamengo e Atlético, em confrontos nos quais os espaços costumam ser menores e a marcação mais intensa.
Arroyo começou a mostrar a arma contra o Flamengo
A característica ficou evidente nos recentes confrontos entre Cruzeiro e Flamengo.
Na Libertadores, Arroyo conseguiu criar uma finalização perigosa partindo do lado direito e trazendo a jogada para dentro. O encontro fazia parte de uma sequência para a qual o Cruzeiro já vinha sendo preparado de maneira especial por Artur Jorge.
O Moon BH mostrou antes daquele mata-mata como o treinador havia poupado jogadores e reorganizado o elenco pensando diretamente no confronto contra o Flamengo pela Libertadores.
Nos jogos grandes, Arroyo acrescenta uma variável que dificulta a escolha dos defensores.
Se o marcador acompanha o equatoriano de perto, ele pode tentar utilizar velocidade e drible. Se a defesa recua e oferece alguns metros próximos à área, o atacante passa a ter espaço para finalizar.
Contra o Atlético, essa segunda possibilidade ficou evidente.
Finalização é trabalhada nos treinos do Cruzeiro
Depois do clássico, Arroyo explicou que o movimento não nasceu apenas de inspiração individual.
Em entrevista reproduzida pela Itatiaia, o atacante revelou que esse tipo de finalização é estimulado durante a preparação celeste.
“Forçamos o chute no treino durante o dia a dia”, explicou.
A fala ajuda a entender por que o lance merece uma leitura além da beleza do gol.
Artur Jorge passa a contar com uma alternativa especialmente útil para partidas em que o adversário protege a área e dificulta infiltrações. Se os zagueiros recuam para controlar Kaio Jorge e os jogadores que atacam a última linha, uma faixa pode aparecer justamente na entrada da área.
Arroyo mostrou que consegue explorar esse espaço.
Uma solução importante para jogos travados
A característica ganha ainda mais relevância quando observada dentro do próprio clássico.
Durante boa parte da partida, as duas equipes tiveram dificuldade para transformar posse de bola em oportunidades claras. O Atlético conseguiu fechar espaços próximos da área e obrigou o Cruzeiro a buscar outras maneiras de quebrar a organização defensiva.
A solução apareceu em uma finalização de média distância.
Isso não transforma Arroyo em um jogador exclusivamente dependente de chutes de fora da área. Pelo contrário. Velocidade, capacidade de condução e facilidade para atuar pelos corredores continuam sendo partes importantes do repertório do equatoriano.
A novidade está justamente na quantidade de respostas que ele começa a oferecer.
Defesas que concedem espaço já não precisam se preocupar apenas com a possibilidade de drible ou cruzamento. Arroyo mostrou que pode encerrar a jogada antes mesmo de chegar à pequena área.
Em mata-matas equilibrados, nos quais uma única ação pode mudar uma eliminatória, esse recurso ganha um peso ainda maior.
O gol contra o Atlético, portanto, revela algo mais interessante do que simplesmente uma boa fase individual. Artur Jorge começa a encontrar no equatoriano uma arma específica para jogos grandes, e os próximos adversários terão mais um movimento para tentar neutralizar.


