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Cruzeiro contratou 7 jogadores, mas 71% dos gols ainda passam pelo mesmo trio

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O Cruzeiro terminou a última janela de transferências com sete novos jogadores no elenco. O objetivo era ampliar as alternativas de Artur Jorge depois de vendas, lesões e mudanças importantes em praticamente todos os setores.

A produção ofensiva, no entanto, continua fortemente concentrada em três nomes que já estavam na Toca.

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Kaio Jorge, Matheus Pereira e Keny Arroyo participaram diretamente de 15 dos 21 gols marcados pelo Cruzeiro desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo.

São 71,4% de toda a produção ofensiva do período.

O número não significa necessariamente que os sete reforços fracassaram. Alguns chegaram depois do início do recorte, Gabriel Pec se lesionou logo na estreia e outros ainda estão em processo de adaptação.

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A estatística mostra outra coisa: apesar do tamanho da reformulação, o Cruzeiro ainda precisa quase sempre encontrar os mesmos três jogadores para transformar volume ofensivo em gol.

Trio marcou 13 dos 21 gols

Kaio Jorge em campo pelo Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O levantamento publicado pelo ge considera os 13 jogos disputados pelo Cruzeiro depois da Copa do Mundo. Nesse período, Kaio Jorge, Matheus Pereira e Arroyo marcaram juntos 13 vezes.

Matheus fez cinco gols e ainda distribuiu duas assistências, chegando a sete participações diretas. Kaio Jorge também marcou cinco vezes, enquanto Arroyo colocou três bolas na rede.

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Somadas as assistências, o trio participou de 15 dos 21 gols. Os outros seis foram distribuídos entre diferentes jogadores do elenco, sem que nenhum deles tenha conseguido formar uma quarta fonte constante de produção.

Isso ajuda a explicar por que algumas partidas recentes pareceram mudar tão rapidamente quando um dos três não conseguiu produzir.

Cruzeiro trouxe sete jogadores na janela

A concentração chama ainda mais atenção quando colocada diante do tamanho da movimentação realizada pelo clube.

O Cruzeiro encerrou a segunda janela de 2026 com sete reforços: Gabriel Pec, Gabriel Rojas, Zé Lucas, Wesley, João Costa, Lucho Rodríguez e Matías Viña.

Segundo levantamento de O Tempo, as movimentações envolveram aproximadamente R$ 112,9 milhões em investimentos, considerando compras e custos divulgados de empréstimos.

A maior operação foi Gabriel Pec, contratado por cerca de R$ 60 milhões. O atacante, porém, sofreu uma fratura na tíbia logo em sua primeira partida e deixou de ser uma solução imediata para o segundo semestre.

Gabriel Rojas recebeu sequência maior. Wesley chegou a marcar já na estreia, enquanto João Costa e Lucho Rodríguez foram utilizados em diferentes momentos sem ainda assumirem protagonismo ofensivo constante.

Viña foi o último a chegar. Ou seja: houve investimento para aumentar o número de respostas disponíveis para Artur Jorge, mas as respostas mais decisivas continuam saindo do mesmo núcleo.

Matheus Pereira mudou a maneira de participar dos gols

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Dentro do trio, talvez a transformação mais interessante seja a de Matheus Pereira.

O Moon BH mostrou em agosto que o camisa 10 passou a aparecer mais perto da área e se aproximou de seu recorde pessoal de gols em uma temporada. A tendência continuou depois disso.

Tradicionalmente associado às assistências e à organização das jogadas, Matheus passou a assumir também uma parte maior das finalizações. No recorte pós-Copa, marcou cinco vezes e deu duas assistências.

Kaio Jorge mantém uma função mais previsível, mas igualmente valiosa. O atacante é o artilheiro do Cruzeiro na temporada, com 17 gols, e já alcançou a marca de 50 gols oficiais pelo clube.

Arroyo completa o grupo oferecendo justamente aquilo que a Raposa tentou buscar repetidamente no mercado: desequilíbrio pelos lados e capacidade de transformar conduções em gols.

Ter três protagonistas não é necessariamente um problema

Foto: Divulgação do Cruzeiro

O número de 71% pode ser interpretado de duas formas.

Por um lado, possuir três jogadores capazes de concentrar tamanha parcela dos gols é uma força. Poucas equipes conseguem formar um núcleo ofensivo tão produtivo e com funções tão diferentes. O risco aparece quando o restante do elenco não acompanha.

Uma suspensão, lesão ou queda de rendimento de qualquer um dos três aumenta muito a quantidade de produção que Artur Jorge precisa substituir. E o investimento da última janela foi feito também para diminuir justamente esse tipo de dependência.

Wesley já mostrou capacidade de contribuir. Lucho Rodríguez também distribuiu assistências, enquanto João Costa tem recebido minutos com frequência. Ainda falta transformar participação em regularidade.

A janela aumentou o elenco; agora precisa aumentar as alternativas

O Cruzeiro terminou a janela com mais profundidade do que começou. Isso é incontestável.

Também perdeu peças importantes no processo, como Christian, Kaiki e Kauã Prates, e precisou reagir a problemas físicos que modificaram o planejamento inicial.

Por isso, seria precipitado comparar os sete reforços simplesmente pelo número de gols. O dado mais relevante está na concentração.

Mesmo depois de uma janela movimentada e mais de R$ 100 milhões envolvidos nas chegadas, sete de cada dez gols do Cruzeiro depois da Copa ainda têm participação de Kaio Jorge, Matheus Pereira ou Arroyo.

O clube conseguiu aumentar o número de opções de Artur Jorge. O próximo passo é fazer com que essas opções também aumentem o número de caminhos para o gol.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.