O Atlético chega ao primeiro clássico contra o Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil carregando uma marca que ajuda a dimensionar a mudança vivida pelo clube nos últimos meses. O Galo está há 11 partidas sem perder, com seis vitórias e cinco empates no período, sequência que não alcançava desde 2021, ano em que conquistou Campeonato Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil.
O número naturalmente aumenta a confiança para o duelo desta terça-feira (25), às 21h, no Mineirão. Entretanto, olhar apenas para a invencibilidade pode esconder justamente o principal desafio de Eduardo Domínguez antes do confronto: o Atlético tem se tornado cada vez mais difícil de derrotar, mas ainda precisa transformar essa estabilidade em atuações mais convincentes quando entra em campo por competições eliminatórias.
Domínguez mudou o piso competitivo do Atlético
Nesta segunda-feira (24), Eduardo Domínguez completa seis meses à frente do Atlético. Em 33 partidas, soma 15 vitórias, oito empates e dez derrotas, aproveitamento de 53%.
Segundo o ge, no mesmo número de jogos durante sua passagem mais recente, Jorge Sampaoli acumulou dez vitórias, 15 empates e oito derrotas, com 45% de aproveitamento. A comparação não determina sozinha a qualidade dos trabalhos, mas mostra como o atual treinador conseguiu recuperar competitividade após um começo de temporada turbulento.
A principal mudança está na maneira como o Galo passou a aceitar diferentes tipos de partida. Domínguez não demonstra preocupação em construir um time que necessariamente controle a posse durante os 90 minutos. Em muitos momentos, a equipe recua as linhas, reduz espaços e tenta ser mais vertical quando recupera a bola.
Bernard reconheceu a evolução, mas também deixou claro que ainda existem ajustes. Segundo o meia, “o elenco entendeu aquilo que ele quer”, embora o próprio jogador tenha citado as oscilações recentes da equipe.
Invencibilidade não significa ausência de problemas
É justamente neste ponto que o clássico aparece como um teste diferente.
O Atlético conseguiu sobreviver a situações complicadas recentemente em confrontos eliminatórios. Contra Ceará e Juventude, pela Copa do Brasil, e diante do Red Bull Bragantino, pela Sul-Americana, o time precisou encontrar soluções nos minutos finais.
O empate por 2 a 2 com o Bragantino, por exemplo, só ganhou contornos definitivos nos acréscimos, quando Tomás Cuello marcou o gol que garantiu a classificação atleticana às quartas da Sul-Americana.
Funcionar sob pressão é uma qualidade. Depender frequentemente de respostas tardias, porém, pode se tornar perigoso diante de um adversário com o poder ofensivo do Cruzeiro.
Atlético poupou pensando no Cruzeiro

No último compromisso antes do clássico, Domínguez utilizou uma formação alternativa no empate por 0 a 0 com o Internacional, no Beira-Rio.
Mesmo sem controlar a partida durante longos períodos, o Atlético criou boas oportunidades e voltou a demonstrar segurança defensiva. Everson foi importante na etapa final, enquanto jovens e jogadores com menor minutagem receberam oportunidades. O resultado ampliou para 11 partidas a sequência geral de invencibilidade do Galo.
Agora, a tendência é de força máxima para a Copa do Brasil.
Segundo a tabela oficial da CBF, Cruzeiro e Atlético jogam nesta terça-feira (25), às 21h, no Mineirão. A volta será em 1º de setembro, também às 21h, na Arena MRV.
A sequência invicta mostra que o Atlético encontrou uma maneira de competir mesmo quando não joga seu melhor futebol. O clássico apresentará a pergunta seguinte.
Para avançar em um confronto equilibrado de 180 minutos, não basta apenas ser difícil de derrotar. O Galo precisará mostrar que a estabilidade construída por Domínguez também pode ser transformada em domínio nos momentos em que a classificação exigir mais.


