O Atlético está nas quartas de final da Copa Sul-Americana depois de eliminar o Red Bull Bragantino, mas a forma como a classificação aconteceu reforçou uma característica que vem acompanhando o Galo nos mata-matas de 2026. Pela terceira vez em poucos meses, o time precisou encontrar uma solução praticamente no último lance para evitar uma eliminação ou uma disputa de pênaltis.
Tomás Cuello marcou nos acréscimos da partida desta quarta-feira (19), na Arena MRV, e decretou o empate por 2 a 2. Como o Atlético havia vencido a ida por 1 a 0, em Bragança Paulista, o gol colocou o placar agregado em 3 a 2 e confirmou a vaga alvinegra nas quartas. Antes da bola entrar, o confronto caminhava para as penalidades.
O roteiro, porém, está longe de ser novidade nesta temporada.
Atlético já viveu drama semelhante na Copa do Brasil
Em maio, contra o Ceará, o Atlético chegou aos acréscimos da partida no Castelão virtualmente eliminado da Copa do Brasil.
O Galo havia vencido o primeiro jogo por 2 a 1, mas perdia a volta pelo mesmo placar e ainda jogava com um atleta a menos desde os primeiros minutos. Aos 45 do segundo tempo, o então jovem Kauã Pascini apareceu dentro da área e marcou o gol que levou a definição para os pênaltis.
Everson brilhou nas cobranças, o Atlético venceu por 4 a 2 e avançou às oitavas.
Menos de três meses depois, a história voltou a se repetir. Contra o Juventude, pelas oitavas da Copa do Brasil, os dois clubes haviam empatado sem gols na Arena MRV e faziam outra partida equilibrada em Caxias do Sul.
Quando uma nova disputa por pênaltis parecia inevitável, Alan Minda aproveitou uma falha defensiva e marcou aos 49 minutos do segundo tempo. O 1 a 0 colocou o Galo diretamente nas quartas.
Agora foi a vez de Cuello assumir o papel.
Força mental ou dificuldade para controlar os jogos?
A repetição cria uma leitura curiosa sobre o Atlético de Eduardo Domínguez. Por um lado, existe um time que não abandona a partida quando o cenário parece desfavorável. Contra Ceará, Juventude e Bragantino, continuar tentando até os últimos segundos foi determinante para permanecer nas competições.
Por outro, depender tantas vezes do limite do relógio também expõe dificuldades para transformar vantagem técnica ou territorial em classificações mais tranquilas.
O próprio Domínguez tratou de fazer essa diferenciação depois do empate com o Bragantino. Embora tenha valorizado a insistência dos jogadores, o argentino foi duro ao analisar o futebol apresentado na Arena MRV.
“Jogando assim, vai ser difícil continuar na competição”, afirmou o treinador.
O técnico também reconheceu que o Atlético defendeu mal e teve dificuldade para jogar durante boa parte da partida, mesmo entrando em campo com a vantagem construída no confronto de ida.
Último minuto virou personagem da temporada do Galo
Há, portanto, duas maneiras de enxergar o padrão. A primeira transforma os finais dramáticos em demonstração de personalidade de uma equipe que se recusa a aceitar a eliminação. A segunda vê um alerta: em torneios eliminatórios, sobreviver repetidamente no último lance dificilmente será uma estratégia sustentável.
Até agora, funcionou.
Pascini manteve o Atlético vivo contra o Ceará. Minda evitou os pênaltis contra o Juventude. Cuello repetiu o roteiro contra o Bragantino.
O Galo continua disputando Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana. Se quiser permanecer vivo nas três frentes, porém, Domínguez já deixou claro que pretende transformar a capacidade de sobreviver em capacidade de controlar.

