A classificação dramática do Atlético diante do Juventude, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, voltou a alimentar uma discussão entre os torcedores: falta um artilheiro para assumir o protagonismo do time em 2026? Os números mostram uma equipe que consegue distribuir os gols, mas ainda não encontrou um jogador capaz de se tornar a principal referência ofensiva da temporada.
Após 41 partidas disputadas, o Galo soma 54 gols marcados. Apesar da média de 1,31 gol por jogo, nenhum atleta conseguiu ultrapassar a marca de cinco bolas na rede.
Hulk, Mateo Cassierra, Bernard e Victor Hugo dividem a liderança da artilharia, com cinco gols cada. A situação chama ainda mais atenção porque Hulk já deixou o Atlético para defender o Fluminense. Portanto, entre os jogadores que seguem no elenco, ninguém conseguiu se isolar na primeira posição.
Alan Minda, autor do gol da classificação contra o Juventude, aparece logo atrás. O equatoriano chegou aos quatro gols e divide a segunda colocação com Dudu, Reinier e Renan Lodi.
Classificação reforçou discussão entre os torcedores
O Atlético precisou de mais de 180 minutos para marcar contra o Juventude, equipe que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Depois do empate por 0 a 0 na Arena MRV, o confronto de volta caminhava para os pênaltis no estádio Alfredo Jaconi.
Aos 48 minutos e 54 segundos do segundo tempo, Alan Minda aproveitou uma falha da defesa adversária e marcou o único gol da eliminatória. O lance garantiu o Atlético nas quartas de final da Copa do Brasil, mas não apagou as dificuldades ofensivas apresentadas durante os dois jogos.
Na partida de volta, o Galo encontrou problemas para criar oportunidades claras e voltou a errar no momento das finalizações. O gol apareceu no último lance, depois de uma bola lançada na área por Lyanco e de uma disputa mal resolvida pela defesa do Juventude.
A classificação foi comemorada, mas o desempenho aumentou as cobranças por um jogador que transforme o volume ofensivo em gols com mais regularidade.
Cassierra ainda não assumiu o papel esperado
Mateo Cassierra foi contratado para ser a referência do comando de ataque. O colombiano teve momentos positivos no início da passagem pelo clube, mas atravessa uma longa sequência sem marcar.
O último gol do centroavante foi anotado no dia 10 de maio, no empate por 1 a 1 com o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro. Desde então, Cassierra completou nove partidas sem balançar as redes.
Mesmo com a seca, ele permanece entre os artilheiros do Atlético na temporada. A permanência na liderança com apenas cinco gols evidencia tanto a falta de produtividade do colombiano quanto a ausência de outro atacante em condição de ultrapassá-lo.
Eduardo Domínguez já admitiu publicamente que a diretoria procura uma nova opção para o setor.
“Estamos tentando trazer algum centroavante, mas sabemos que é muito difícil”, afirmou o treinador após o empate com o Bahia.
A busca mostra que o próprio Atlético identificou a necessidade de aumentar a concorrência no comando de ataque. O clube chegou a negociar com Deivid Washington, do Chelsea, mas encontrou resistência dos ingleses, que priorizavam uma transferência definitiva.
Gols divididos representam solução ou problema?
A distribuição dos gols pode ser vista como um ponto positivo. O Atlético não depende exclusivamente de um único jogador para marcar. Meias, laterais, zagueiros e pontas têm contribuído ofensivamente.
Ao todo, 18 atletas já balançaram as redes pelo clube em 2026. Além dos quatro líderes com cinco gols, Alan Minda, Dudu, Reinier e Renan Lodi marcaram quatro vezes. Cuello e Ruan Tressoldi aparecem com três.
O problema surge quando o time precisa de alguém para decidir partidas equilibradas. A presença de vários jogadores com números parecidos não substitui necessariamente um atacante que mantenha uma frequência elevada e seja capaz de resolver jogos em poucas oportunidades.
Durante cinco temporadas, esse papel foi ocupado principalmente por Hulk. O atacante marcou 36 gols em 2021, 29 em 2022, 30 em 2023, 19 em 2024 e 21 em 2025. Mesmo em anos de desempenho coletivo irregular, o camisa 7 continuou entregando números elevados.
A saída do ídolo criou uma lacuna que ainda não foi preenchida. Hulk deixou o clube, mas permanece empatado na liderança da artilharia de 2026. Esse é o retrato mais evidente da ausência de um sucessor imediato.
Atlético ainda tem tempo para encontrar seu protagonista
A temporada ainda reserva decisões pela Copa do Brasil, pela Copa Sul-Americana e uma longa sequência no Campeonato Brasileiro. Existe tempo para que Cassierra reencontre os gols ou para que nomes como Alan Minda, Victor Hugo, Bernard e o recém-contratado Thiago Borbas assumam maior responsabilidade.
O gol contra o Juventude pode representar uma mudança para Alan Minda. O equatoriano saiu do banco e demonstrou atenção para decidir uma eliminatória que parecia destinada às cobranças de pênaltis.
Ainda assim, um único lance não resolve a questão. O Atlético precisa transformar atuações pontuais em regularidade. A cobrança da torcida não está relacionada apenas à quantidade total de gols, mas à falta de uma referência ofensiva identificável.
Com quatro jogadores empatados com cinco gols e um deles já fora do clube, o questionamento faz sentido: o Galo marca, mas ainda não encontrou o seu artilheiro de 2026.


