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Selic caiu para 13,75%: o que muda para quem quer comprar apartamento da MRV ou Direcional

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Quem está procurando um apartamento da MRV ou da Direcional ganhou um motivo a mais para acompanhar as próximas decisões do Banco Central. A Selic caiu de 14% para 13,75% ao ano nesta semana, no quinto corte consecutivo da taxa básica de juros.

Isso não significa que uma prestação de R$ 1,5 mil ficará automaticamente mais barata amanhã. Também não quer dizer que todos os financiamentos imobiliários passarão a cobrar juros de 13,75%.

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A consequência é mais gradual: quando a Selic entra em trajetória de queda, o ambiente para concessão de crédito tende a melhorar, especialmente para quem depende de financiamento para comprar um imóvel.

E isso interessa diretamente aos clientes de duas gigantes que nasceram em Belo Horizonte e concentram grande parte de suas operações justamente no público que compra apartamentos financiados.

A Selic não é a taxa do seu financiamento

A primeira diferença é importante. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia o custo do dinheiro para bancos, empresas e consumidores, mas não é simplesmente aplicada sobre o valor do apartamento.

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Um financiamento imobiliário possui sua própria taxa, definida de acordo com a linha de crédito, renda do comprador, imóvel, banco, relacionamento com a instituição e programa utilizado.

No Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, a relação é ainda menos direta.

Segundo as regras atuais do Ministério das Cidades, famílias com renda mensal de até R$ 13 mil podem acessar a linha financiada do programa. As taxas variam conforme a faixa de renda e podem ficar entre 4% e 10% ao ano.

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Ou seja: são juros significativamente inferiores aos 13,75% da Selic.

Quem compra MRV ou Direcional pode já ter juros menores

Foto: Divulgação

Esse detalhe é especialmente importante quando falamos de MRV e Direcional.

As duas construtoras possuem forte atuação dentro do Minha Casa, Minha Vida. A Direcional afirma ter produtos distribuídos por todas as faixas do programa, enquanto a MRV oferece imóveis financiáveis pelo MCMV para famílias com renda de até R$ 13 mil.

Na faixa chamada de Classe Média, por exemplo, é possível financiar imóveis de até R$ 600 mil, com prazo de até 35 anos e taxa nominal de 10% ao ano nas condições divulgadas atualmente pelo governo.

Já famílias de menor renda podem conseguir taxas ainda mais baixas.

Quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil por mês, por exemplo, pode encontrar taxas abaixo de 8,2% ao ano, dependendo das condições da operação. Nas primeiras faixas, os juros começam próximos de 4% ao ano.

Para parte dos compradores, portanto, o benefício mais importante não é esperar que a Selic caia até atingir a taxa do financiamento. O Minha Casa, Minha Vida já oferece dinheiro mais barato justamente porque utiliza recursos e regras específicas.

Então por que a queda da Selic importa?

Porque nem todo comprador da MRV ou Direcional entra nas mesmas condições. Existem compradores fora do Minha Casa, Minha Vida, imóveis que não se enquadram no programa e operações realizadas por outras linhas bancárias.

A própria MRV informa que clientes com renda superior a R$ 13 mil podem utilizar financiamento pelo SBPE. É nesse mercado tradicional que uma sequência de cortes da Selic pode se tornar mais perceptível.

Os bancos captam dinheiro, avaliam risco e definem suas taxas considerando diversas variáveis econômicas. Quando os juros básicos permanecem muito altos, existe menos espaço para oferecer crédito barato.

Uma trajetória consistente de redução da Selic pode mudar essa equação. Não necessariamente na reunião seguinte do Copom, mas ao longo do ciclo.

O comprador também pode ganhar poder de negociação

MRV e Direcional engenharia
Foto: Divulgação

Existe outro efeito menos óbvio.

A Selic elevada não prejudica apenas quem precisa financiar o imóvel. Ela também encarece o dinheiro utilizado pelas próprias construtoras para financiar projetos, comprar terrenos e carregar dívidas.

O Moon BH já mostrou que MRV e Direcional vivem momentos financeiros diferentes, embora ambas estejam expostas ao mesmo mercado habitacional.

Se os juros continuarem caindo, o custo financeiro do setor pode diminuir e a competição pelo comprador tende a ganhar espaço.

Isso pode aparecer não apenas na taxa do financiamento bancário, mas também em campanhas de entrada parcelada, descontos, negociação de unidades prontas e outras condições comerciais.

Não há garantia de que as construtoras repassarão integralmente qualquer economia ao consumidor. Mas um mercado com crédito menos restritivo cria mais alternativas do que aquele em que o dinheiro permanece extremamente caro.

FGTS e subsídio continuam podendo fazer diferença maior

Para quem está considerando efetivamente comprar um apartamento, entretanto, olhar apenas para a Selic seria um erro. Dependendo da renda, o impacto de FGTS e subsídio pode ser muito maior.

Em 2026, famílias com renda de até R$ 5 mil podem receber subsídios do Minha Casa, Minha Vida de até R$ 55 mil nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O valor reduz a quantidade de dinheiro que precisa ser financiada e, consequentemente, a prestação.

O saldo do FGTS também pode ser utilizado para ajudar na entrada ou amortizar o financiamento quando o comprador atende às regras.

É por isso que duas pessoas interessadas exatamente no mesmo apartamento da MRV ou Direcional podem receber propostas completamente diferentes.

Renda, FGTS, entrada disponível, idade, prazo e composição familiar alteram a conta.

Vale esperar a Selic cair mais para comprar?

Não existe uma resposta única. O corte para 13,75% melhora a direção do cenário, mas os juros brasileiros continuam elevados. Além disso, ninguém sabe com certeza qual será a velocidade das próximas reduções do Banco Central.

Para quem se enquadra no Minha Casa, Minha Vida, esperar exclusivamente por uma Selic menor pode fazer ainda menos sentido, porque as taxas do programa seguem regras próprias e já estão abaixo dos juros básicos.

A melhor comparação é mais prática: simular o mesmo imóvel agora, verificar subsídio, FGTS e taxa disponível e acompanhar como essa proposta muda se o ciclo de queda dos juros continuar.

A Selic a 13,75% não torna um apartamento barato de uma hora para outra. Mas, depois de cinco cortes consecutivos, quem está olhando imóveis de MRV e Direcional passou a ter um cenário de crédito caminhando na direção que o comprador prefere: juros menores, e não maiores.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.