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Óscar, Itaú e minério que faz foguete: família de Walter Salles têm monopólio global em Minas

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Vencedor do Óscar por Ainda Estou Aqui, Walter Salles é um dos diretores de cinema mais ricos do mundo, mas uma fatia minúscula da sua fortuna vem dos filmes que faz. Ele é um dos herdeiros de dois dos maiores impérios brasileiros: o financeiro e o mineral. Com o Itaú e a CBMM, a família domina o monopólio de nióbio no mundo todo.

A cidade de Araxá, localizada no interior de Minas Gerais, concentra atualmente 93% de toda a produção mundial de nióbio. O município, com pouco mais de 100 mil habitantes, é a base de operações da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa que lidera o fornecimento global do material utilizado na fabricação de carros elétricos, infraestruturas civis e motores de foguetes.

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Dados do US Geological Survey (USGS) referentes a 2025 indicam que a produção global do mineral foi de aproximadamente 112 mil toneladas. Desse volume total, o Brasil foi responsável pela extração de 104 mil toneladas. O Canadá, que ocupa a segunda posição no ranking de fornecimento, extraiu 6 mil toneladas no mesmo período.

As estimativas do Mineral Commodity Summaries de 2026 apontam que as reservas brasileiras somam 14 milhões de toneladas de nióbio contido, dentro de um volume global conhecido superior a 21 milhões de toneladas. A China possui 6,5 milhões de toneladas e o Canadá, 640 mil. A força do mercado mineiro reside na capacidade de extração, com reservas suficientes para manter a operação ativa pelos próximos 200 anos.

Nióbio vai da engenharia automotiva ao mercado aeroespacial

A importância industrial do nióbio ocorre por meio da sua adição a outros materiais. A aplicação comercial mais comum é a mistura com o aço para a criação do ferronióbio. Quantidades mínimas do elemento alteram a estrutura química do metal, garantindo maior resistência e durabilidade. Essa alteração permite que projetos de engenharia civil e mecânica utilizem menos matéria-prima sem perder a capacidade de suporte.

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Na indústria automotiva, a aplicação do aço com nióbio em chassis permite aumentar a resistência estrutural das peças em 18% e reduzir o peso final do veículo em 12%. Essa equação é um fator crítico para as montadoras na atual transição para os veículos elétricos, cenário no qual a redução do peso total se traduz diretamente em maior autonomia das baterias e menor consumo de energia nas vias.

O mercado aeroespacial exige aplicações de maior complexidade. A unidade da CBMM em Araxá desenvolve ligas de grau vácuo contendo o mineral, material destinado a componentes submetidos a temperaturas extremas. A tecnologia ajuda a preservar o desempenho mecânico das peças sob intenso estresse térmico. Isso justifica a sua presença contínua na montagem de superligas para turbinas de geração de energia, motores aeronáuticos a jato e propulsores de foguetes.

Receita bilionária e injeção de tecnologia

A atuação em cadeias globais reflete diretamente nos resultados financeiros da operação. A companhia atende mais de 500 clientes corporativos distribuídos por 50 países. No fechamento do balanço de 2025, a empresa registrou uma receita líquida de R$ 14,5 bilhões, marcando um avanço de 8,3% na comparação com o ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 10,2 bilhões, com lucro líquido de R$ 6,4 bilhões. Os investimentos operacionais somaram R$ 1,1 bilhão no exercício.

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O plano de negócios da mineradora projeta a diversificação das linhas de receita. Hoje, 75% do faturamento da empresa permanece atrelado ao mercado tradicional de siderurgia, mas os 25% restantes já são provenientes de novas aplicações tecnológicas. A operação financia 200 projetos de pesquisa em andamento, com injeção anual de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões em seu centro de tecnologia. O foco de desenvolvimento mira a criação de baterias de carregamento ultrarrápido, componentes eletrônicos e novos materiais magnéticos.

Estrutura societária e presença estrangeira

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Walter Salles vence Oscar – Reprodução CBS

O peso geopolítico do mineral garantiu a participação de potências estrangeiras na estrutura de capital da mineradora. O controle majoritário da CBMM pertence ao capital nacional, detido pelo Grupo Moreira Salles, que possui 70% das ações. O restante do controle foi negociado em 2011 com o mercado asiático.

A composição acionária revela um cruzamento curioso entre a mineração pesada e a cultura brasileira. O grupo controlador é a mesma família com forte presença no setor bancário (sócios do Itaú Unibanco) e da qual faz parte o cineasta Walter Salles. Diretor de filmes aclamados internacionalmente, como Central do Brasil, Diários de Motocicleta e Ainda Estou Aqui, Walter é um dos herdeiros que figuram na lista de maiores bilionários do país.

O patrimônio da família tem raízes profundas na extração do nióbio mineiro e nas finanças, dividindo a gestão desse império com a forte atuação cultural de alguns de seus membros, como ele e o irmão documentarista, João Moreira Salles.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.