Noventa e um anos separam uma única farmácia no Centro de Teófilo Otoni de mais de 300 lojas espalhadas por três estados. A Farmácia Indiana terminou 2025 com R$ 3,1 bilhões em vendas, crescimento de 24% sobre o ano anterior, e avançou da décima para a oitava colocação nacional no novo TOP 300 do Varejo Brasileiro, divulgado pelo Instituto Retail Think Tank.
O desempenho chama atenção pelo tamanho, mas também pelo ritmo. As 300 maiores varejistas brasileiras cresceram, em conjunto, 8,6% no ano passado. A Indiana avançou quase 2,8 vezes esse ritmo, tornando se uma das empresas que mais ganharam espaço na nova edição do levantamento entre as dez maiores redes de farmácias do país.
Como a Farmácia Indiana se posiciona entre as maiores redes do Brasil?
A companhia mineira ultrapassou concorrentes diretos e agora aparece atrás apenas de RD Saúde, DPSP, Pague Menos, Farmácias São João, Panvel, Drogaria Araujo e Clamed. Logo abaixo estão a Drogaria Venancio, com R$ 3,04 bilhões, e a Nissei, com R$ 3,03 bilhões. A diferença entre a Indiana e a nona colocada ficou em apenas cerca de R$ 60 milhões, uma margem pequena diante do porte das operações envolvidas.
Os R$ 3,1 bilhões equivalem, numa divisão simples pelos 365 dias de 2025, a aproximadamente R$ 8,5 milhões em vendas por dia. O número não representa um faturamento diário uniforme, mas ajuda a traduzir a escala alcançada por uma empresa cuja primeira loja permanece ligada à mesma cidade onde a história começou.
Como uma farmácia de Teófilo Otoni chegou a esse tamanho
A trajetória começou em 1934, quando Luís Mendes de Souza abriu uma farmácia no Centro de Teófilo Otoni. A matriz continua no mesmo endereço até hoje. Em 1958, a família Mattar assumiu a gestão do negócio, sob o comando do farmacêutico Elias Mattar.
A expansão foi lenta durante boa parte dessa história. A primeira filial só apareceu em 1995, também em Teófilo Otoni, e dois anos depois a empresa chegou a Governador Valadares. Em 2000, segundo relato recente do diretor executivo Alexandre Mattar Netto, a rede possuía apenas oito unidades, todas concentradas em Minas Gerais.
A virada veio com a ocupação progressiva do interior mineiro. Em 2002, a Indiana chegou ao Vale do Aço, depois avançou por cidades do Vale do Jequitinhonha e do leste mineiro. Entrou no sul da Bahia e, em 2016, abriu a primeira unidade no Espírito Santo. Hoje, a operação está concentrada justamente nesses três estados: Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, sem presença física em outras regiões do país.
A empresa pretende expandir para outros estados
Não, ao menos não neste momento. Alexandre Mattar Netto afirmou em maio que a empresa não planeja entrar em novos estados por enquanto. A prioridade declarada é aumentar a densidade nos mercados em que já atua, especialmente no interior de Minas Gerais, onde a direção considera que ainda existe espaço significativo para crescer.
Essa concentração regional torna a oitava posição nacional particularmente interessante: a Indiana não precisou construir uma malha física em todo o país para entrar no grupo das maiores redes farmacêuticas do Brasil.
Quantas lojas a Indiana abriu no último ano?
Quarenta novas unidades só em 2025. A rede terminou dezembro com 288 lojas, aumento de 16% na quantidade de pontos de venda em apenas um ano, com as aberturas distribuídas por Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
A expansão continuou em 2026 e produziu um marco simbólico. No dia 6 de março, a rede inaugurou sua loja de número 300, e em vez de escolher uma grande capital para celebrar a marca, escolheu abrir a unidade justamente em Teófilo Otoni, no bairro Marajoara, mantendo a cidade onde a companhia nasceu no centro dessa história empresarial.
O plano agora é maior ainda. A direção da Indiana trabalha com a meta de chegar a 500 lojas até 2028, o que significaria adicionar aproximadamente 200 novas operações à estrutura que a empresa possuía no início deste ano. Para sustentar essa escala, a companhia também reforçou sua logística, inaugurando em 2024 um novo centro de distribuição em Belo Horizonte, voltado a melhorar o abastecimento da rede mineira.
O que muda no modelo de negócio da Indiana além das vendas de produtos
A farmácia está deixando de ser apenas ponto de venda para virar também espaço de serviços de saúde. A empresa vem ampliando a IndiClinic, sua frente de atendimento farmacêutico, que ao final de 2025 contava com 200 salas distribuídas pelos três estados de atuação, responsáveis por mais de 160 mil atendimentos ao longo do ano. Entre os serviços oferecidos estão testes rápidos, vacinação, aplicação de medicamentos, bioimpedância e acompanhamento de pacientes.
Há também uma nova frente de receita iniciada em 2026: a empresa passou a operar retail media, usando lojas físicas e canais digitais para vender espaços publicitários e campanhas às marcas que já negociam com a companhia. Segundo a direção, aproximadamente 1,78 milhão de pessoas circulam pelas plataformas digitais da Indiana, uma base que a empresa passa a monetizar diretamente.


