Uma rede de farmácias que mantém suas mais de 360 unidades físicas estritamente concentradas no território de Minas Gerais alcançou um feito incomum no varejo nacional: encerrou 2025 consolidada entre as seis maiores companhias do setor em todo o Brasil. A Drogaria Araujo registrou um faturamento de R$ 5,17 bilhões em vendas, assegurando o sexto lugar no Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT). O avanço anual apurado pelo levantamento foi de expressivos 17,5%.
O volume financeiro movimentado pela companhia fundada em Belo Horizonte equivale a um fluxo de aproximadamente R$ 14,2 milhões em vendas por dia. Em números internos apresentados a investidores no início deste ano, a diretoria da empresa reportou um faturamento bruto de cerca de R$ 5,3 bilhões em 2025.
Embora haja essa sutil divergência metodológica entre o balanço corporativo e os critérios de consolidação do IRTT, ambos os indicadores confirmam uma trajetória fulgurante: a Araujo praticamente dobrou de tamanho em cinco anos, saltando de R$ 2,73 bilhões em 2021 para o patamar atual, com projeção de bater R$ 5,96 bilhões em 2026.
A gigante regional que peita as multinacionais do setor
O aspecto mais singular do desempenho da Drogaria Araujo reside em sua geografia. Enquanto as gigantes que figuram no topo da lista ergueram redes pulverizadas por dezenas de estados e regiões, a centenária marca mineira segue um modelo de hiperconcentração local.
No ranking nacional do varejo farmacêutico, a liderança isolada permanece com a RD Saúde (dona das redes Raia e Drogasil), com R$ 47,61 bilhões em vendas. Na sequência, aparecem o Grupo DPSP (Drogaria São Paulo e Pacheco), com R$ 18,2 bilhões; a Pague Menos, com R$ 16,04 bilhões; a rede gaúcha Farmácias São João, com R$ 9,3 bilhões; e a Panvel, com R$ 5,91 bilhões.
A Araujo surge colada na quinta posição, separada da Panvel por uma distância de apenas R$ 740 milhões ao longo de todo o ano. Em termos de ritmo de expansão, ambas andaram lado a lado: a Panvel cresceu 18%, enquanto a rede mineira avançou 17,5%.
O contraste estrutural, contudo, é notável. Para atingir seu faturamento, a Panvel opera mais de 659 lojas físicas distribuídas por quatro estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo). O Grupo DPSP administra mais de 1.600 unidades em oito estados e no Distrito Federal. Já a Araujo atua com mais de 360 lojas em cerca de 65 cidades — todas integralmente situadas dentro das fronteiras de Minas Gerais.
Em vez de cruzar a fronteira, ocupar cada canto de Minas
A decisão de não abrir lojas físicas em capitais como São Paulo ou Rio de Janeiro faz parte de uma estratégia deliberada da alta administração. A tese da empresa é de que ainda existe uma vasta avenida de crescimento a ser explorada no próprio solo mineiro antes de assumir os custos e a complexidade logística de uma expansão interestadual.
“Não podemos sair de nossa área simplesmente para falar que estamos em outro estado”, explicou recentemente, ao Diário do Comércio, o diretor logístico e financeiro da companhia, Antônio Araujo Neto.
Atualmente, a rede detém 28,7% de participação de mercado em sua área de cobertura e registra a impressionante marca de 70 milhões de atendimentos por ano. Para os próximos anos, o plano de expansão traçado prevê a abertura de mais 150 filiais até 2028, sendo 31 lojas inauguradas ao longo de 2026.
A ofensiva foca no fortalecimento da marca em polos regionais do interior onde a presença da rede ainda era tímida. O município de Uberaba, no Triângulo Mineiro, recebeu sua primeira loja neste ano e rapidamente ganhou a segunda unidade. Uberlândia, o Vale do Aço e o Sul de Minas também recebem novos pontos de venda em ritmo acelerado.
Para atender à demanda fora de Minas sem abrir lojas de rua, a companhia aposta no braço digital: o site, o aplicativo, o canal no WhatsApp e o tradicional serviço telefônico Drogatel contam com mais de 20 mil produtos no catálogo e realizam entregas para todo o território brasileiro.
Centro de distribuição em Contagem e a meta de R$ 8 bilhões
Para dar suporte a essa densidade de lojas sem comprometer o abastecimento, a Araujo concluiu um investimento de R$ 150 milhões na modernização e ampliação de seu Centro de Distribuição (CD) em Contagem, na Região Metropolitana de BH.
A estrutura física passou de 26,7 mil para 35,2 mil metros quadrados de área operacional. Desse montante, R$ 100 milhões foram aplicados exclusivamente na compra de máquinas de automação e equipamentos de triagem de ponta. O complexo logístico tem capacidade para separar mais de 1 milhão de itens por dia e expedir cerca de 14 mil caixas diariamente, garantindo a reposição ágil das prateleiras em dezenas de cidades mineiras a partir de um único hub central.


