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Família Pardini entra na lista da Forbes com R$ 4,5 bilhões vindos de um laboratório fundado em sala alugada

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Uma sala alugada na Rua São Paulo, no Centro de Belo Horizonte, em 1959. Foi ali que nasceu a fortuna que hoje coloca três irmãos mineiros na lista de bilionários da Forbes de 2026. Victor Pardini, Áurea Pardini e Regina Pardini aparecem individualmente no levantamento, cada um com patrimônio estimado em R$ 1,5 bilhão, somando uma fortuna familiar conjunta na casa dos R$ 4,5 bilhões.

A origem dessa riqueza remonta à criação do Instituto Hermes Pardini e culmina na atual participação acionária da família no Grupo Fleury, gigante da medicina diagnóstica.

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Por que a Forbes separou o patrimônio dos três irmãos este ano?

A mudança é metodológica, não um salto repentino de fortuna. No levantamento do ano anterior, a revista agrupava a riqueza sob o nome genérico de Victor Cavalcanti Pardini e família, atribuindo R$ 1,5 bilhão ao grupo inteiro. A separação atual, com R$ 1,5 bilhão para cada um dos três irmãos, reflete uma nova forma de contabilizar os recursos, e não significa que o patrimônio simplesmente triplicou em doze meses.

A história não foi construída pelos atuais herdeiros, e sim pelo pai deles. O médico Hermes Pardini, falecido em 2019, fundou o laboratório em agosto de 1959, num espaço alugado na Rua São Paulo, na região central de Belo Horizonte.

Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e especializado em endocrinologia, ele concentrou os primeiros esforços do negócio em dosagens hormonais, e o crescimento foi rápido: já no início dos anos sessenta, a empresa se destacava no mercado pelos exames avançados de tireoide.

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Com o passar das décadas, os filhos assumiram a gestão e a expansão científica da companhia. Victor e Regina são médicos e implantaram setores vitais de genética humana e biologia molecular dentro do laboratório. Áurea, formada em odontologia, integrou a estrutura societária e a governança da empresa familiar. Antes da incorporação pelo Fleury, os três irmãos controlavam juntos 64,7% do capital social da rede mineira, que processava 140 milhões de exames por ano no auge de sua operação independente.

O que aconteceu quando o Hermes Pardini se fundiu ao Fleury?

Entre 2022 e 2023, foi concluída a combinação de negócios bilionária entre as duas empresas. Uma leitura apressada poderia sugerir que a família vendeu o laboratório e deixou o setor de saúde, mas a realidade corporativa foi o oposto disso: na negociação, os irmãos receberam compensações financeiras relevantes e converteram sua fatia principal em ações do próprio Grupo Fleury, mantendo presença direta no negócio.

Dados acionários atualizados mostram que Regina possui 6,62% das ações do Fleury, Victor detém 6,61% e Áurea controla 6,51%. Somados, os três mineiros concentram quase um quinto de uma das maiores companhias de medicina diagnóstica do Brasil, e ainda mantêm assentos garantidos no Conselho de Administração até 2027, o que preserva influência direta sobre os rumos da empresa.

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Os números da Forbes têm respaldo no valor de mercado do Fleury?

Têm, embora a conta completa envolva mais do que apenas as ações. Como o Fleury tem capital aberto na bolsa, o mercado consegue precificar publicamente boa parte dessa fortuna. Com a companhia avaliada em cerca de R$ 10,2 bilhões em agosto, a fatia conjunta da família representa aproximadamente R$ 2 bilhões apenas em papéis, o que garante cerca de R$ 680 milhões para cada irmão só nessa parcela.

A diferença até chegar aos R$ 1,5 bilhão individual divulgado pela Forbes se explica pelos recursos em dinheiro recebidos durante a fusão e por outros investimentos privados da família, fora do mercado acionário. Essa distinção ajuda a entender por que o patrimônio total supera o valor estritamente calculado pelas ações na bolsa.

Sustenta, e com força. O balanço financeiro mostra faturamento de R$ 2,51 bilhões para o Grupo Fleury no segundo trimestre de 2026, com lucro líquido de R$ 221,8 milhões no mesmo período, alta superior a 45% na comparação anual.

Esse desempenho veio acompanhado de valorização das ações superior a 40% nos últimos doze meses, movimento que ajuda a explicar por que os irmãos Pardini colhem agora os frutos de uma escalada expressiva no valor de mercado da companhia, consolidando de vez a transição de um laboratório mineiro nascido numa sala alugada para uma fatia relevante de um dos maiores grupos de medicina diagnóstica do país.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.