O Supermercados BH deixou de disputar tamanho apenas com outras redes de alimentos. A empresa fundada na Grande Belo Horizonte aparece como a nona maior companhia de varejo do Brasil considerando todos os segmentos, com R$ 25,7 bilhões em vendas em 2025. O novo ranking coloca a rede mineira à frente do tradicional Grupo Pão de Açúcar e no mesmo grupo de gigantes como Magazine Luiza, Natura, Grupo Boticário e Casas Bahia.
A posição consta do TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, divulgado pelo Instituto Retail Think Tank, o IRTT, nesta quinta-feira, 27 de agosto. O estudo reúne as maiores empresas varejistas do país e as classifica por vendas, além de analisar expansão, presença geográfica e digitalização. A lista completa chega a faturar R$ 1,3 trilhão.
O topo continua dominado pelo Grupo Carrefour Brasil, com R$ 123,6 bilhões, e pelo Assaí, com R$ 84,7 bilhões. Na sequência aparecem RD Saúde, com R$ 47,6 bilhões, Magazine Luiza, com R$ 47,5 bilhões, Grupo Boticário, Grupo Mateus, Casas Bahia e Natura. O Supermercados BH surge logo depois, em nono, com R$ 25,7 bilhões, enquanto o GPA fecha o grupo dos dez maiores com R$ 20,6 bilhões.
A diferença entre as duas redes já é expressiva. O BH vendeu R$ 5,1 bilhões a mais que o GPA em 2025, aproximadamente 25% acima do faturamento atribuído ao grupo paulista no levantamento. Para alcançar a Natura, oitava colocada, a distância foi bem menor: cerca de R$ 2,3 bilhões. No ano passado, a rede ocupava a décima posição.
BH cresceu mais de R$ 4 bilhões em apenas um ano
O ranking nacional também ajuda a dimensionar a velocidade com que a empresa mineira avançou. Em 2024, o Supermercados BH havia encerrado o ano com faturamento de R$ 21,2 bilhões. Em 2025, chegou aos R$ 25,7 bilhões agora considerados pelo IRTT e também pelo Ranking Abras. O aumento nominal foi de aproximadamente R$ 4,5 bilhões, ou 21% em um ano.
Significa que a rede movimentou, em média, cerca de R$ 70 milhões em vendas por dia ao longo de 2025. É apenas uma divisão do faturamento anual pelos 365 dias, não uma média de caixa operacional, mas ajuda a traduzir a escala alcançada por uma companhia que nasceu com uma pequena loja em Santa Luzia.
O ritmo também ficou muito acima da expansão média apontada pelo novo levantamento. Entre as 227 companhias do TOP 300 que possuem números comparáveis de 2024 e 2025, as vendas cresceram 8,6%. O varejo restrito brasileiro avançou 6,4% no período, segundo comparação do estudo com os dados do IBGE.
Uma parcela importante do salto do BH veio de aquisições. Em 2025, a companhia concluiu a compra das operações do Bretas em Minas Gerais, até então pertencentes à chilena Cencosud. Foram 54 supermercados, oito postos de combustíveis e um centro de distribuição por R$ 716 milhões. A integração começou em maio daquele ano.
A operação ajudou a ampliar rapidamente uma estrutura que já crescia por novas lojas. No fim de abril de 2026, o próprio Supermercados BH informou ter alcançado 409 unidades em funcionamento. A companhia declara atualmente mais de 50 mil colaboradores.
De 4º em supermercados a 9º de todo o varejo
Há dois rankings diferentes que ajudam a entender o tamanho atual da empresa. No levantamento específico da Associação Brasileira de Supermercados, a Abras, o BH é a quarta maior rede supermercadista do país. Em 2025, ficou atrás apenas de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus, mantendo o GPA em quinto lugar. O varejo alimentar brasileiro movimentou R$ 1,145 trilhão no ano passado.
O estudo recém-divulgado pelo IRTT amplia muito a comparação. Ele coloca no mesmo universo empresas de supermercados, farmácias, eletroeletrônicos, móveis, cosméticos, moda e outros segmentos. É isso que torna o nono lugar particularmente relevante para Minas Gerais.
O Supermercados BH aparece atrás de corporações nacionais que construíram algumas das marcas mais conhecidas do consumo brasileiro. A diferença para a RD Saúde, terceira colocada e dona de Raia e Drogasil, ainda é grande. Mas a rede mineira já vende mais do que o GPA e ocupa uma posição imediatamente abaixo da Natura no conjunto de todo o varejo nacional.
As dez primeiras companhias somaram R$ 485,4 bilhões em vendas, correspondentes a 36,4% do faturamento das 300 empresas classificadas. No conjunto, as maiores varejistas do país movimentaram aproximadamente R$ 1,3 trilhão em 2025.
O BH passou a fazer parte desse grupo apenas três décadas depois de sua fundação.
A primeira loja surgiu em 1996, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Era um estabelecimento com três caixas. Pedro Lourenço, que havia trabalhado como carregador no setor, comprou posteriormente pequenos supermercados e construiu uma rede fortemente concentrada inicialmente nos bairros populares de Belo Horizonte e nas cidades vizinhas.
O crescimento ganhou outra dimensão nos últimos anos. A compra do Bretas levou o BH mais profundamente ao interior de Minas, enquanto a aquisição de operações do EPA e Mineirão no Espírito Santo, realizada anteriormente, abriu um segundo estado para a companhia.


