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Mater Dei chega a 84% de ocupação: quanto ainda cabe nos hospitais atuais?

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A Rede Mater Dei encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 45 milhões, alta de 66,1%, mas um indicador operacional ajuda a contar uma história mais interessante sobre a companhia fundada em Belo Horizonte. A ocupação chegou a 83,9% quando são incluídos os pacientes de day hospital, enquanto a taxa hospitalar tradicional ficou em 78,7%. A diferença é relevante para medir quanto a rede ainda consegue crescer aproveitando a estrutura que já possui.

A empresa também alcançou recordes trimestrais de receita líquida, Ebitda ajustado e ticket médio. A receita chegou a R$ 613,6 milhões, 12,4% acima de um ano antes, enquanto o Ebitda ajustado avançou 20,3%, para R$ 138,6 milhões. A margem chegou a 22,6%, 1,5 ponto percentual acima do 2T25.

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O dado que mais ajuda a entender o crescimento, porém, é a combinação entre leitos, pacientes e receita. O Mater Dei operou em média 1.225 leitos no trimestre, apenas ligeiramente abaixo dos 1.231 de um ano antes. Mesmo praticamente sem ampliar essa base na comparação anual, conseguiu aumentar pacientes-dia e cobrar um ticket maior.

Mater Dei cresceu mais pelo que fez dentro dos hospitais

A rede contabilizou 87.760 pacientes-dia entre abril e junho, ante 87.369 no mesmo trimestre de 2025. O avanço anual foi pequeno, mas houve crescimento de 6,3% diante do primeiro trimestre, quando o setor sofre com sazonalidade. A quantidade média de leitos operacionais também subiu 4,9% sequencialmente.

A receita cresceu muito mais rapidamente do que o volume.

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O ticket médio por paciente-dia saiu de R$ 6.980 no 2T25 para R$ 7.845, alta de 12,4% e maior patamar trimestral já divulgado pela companhia. Isso significa que boa parte do crescimento recente está vindo de preço, complexidade dos tratamentos, mix de procedimentos e serviços oferecidos dentro da estrutura existente — não apenas de colocar mais pessoas nos leitos.

Essa combinação aparece nas margens. Os custos dos serviços prestados equivaleram a 69,6% da receita líquida, praticamente estáveis ante 69,8% um ano antes. As despesas operacionais ajustadas, por outro lado, caíram proporcionalmente de 14,1% para 12,6% da receita. A rede conseguiu aumentar faturamento mais rapidamente do que parte de sua estrutura administrativa.

É o tipo de efeito procurado por redes hospitalares depois de um ciclo de expansão: edifícios, equipamentos, equipes administrativas e outras despesas fixas já existem. Quando uma unidade amadurece e recebe mais pacientes, cada real adicional de receita pode carregar uma margem melhor.

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Nova Lima é um exemplo desse processo. A unidade foi inaugurada em agosto de 2024, no Vila da Serra, com 117 leitos e 14 salas cirúrgicas. Ela ainda está em um período relativamente recente de maturação quando comparada às unidades tradicionais Santo Agostinho e Contorno, em Belo Horizonte.

Os 83,9% não significam que os hospitais estão “lotados”

Hospital Mater Dei em Belo Horizonte
Mater Dei – Foto: Divulgação

Há uma distinção importante nos números apresentados pela própria companhia.

A ocupação hospitalar convencional foi de 78,7% no 2T26. Os 83,9% aparecem quando a empresa adiciona o chamado paciente de day hospital, que utiliza a estrutura para procedimentos sem necessariamente permanecer internado durante a noite.

Mesmo assim, os dois indicadores mostram utilização elevada. A ocupação hospitalar estava em 74,9% no quarto trimestre de 2025 e chegou a 78,6% no início deste ano antes de atingir 78,7% agora.

Rede ganha margem enquanto reduz dívida

A melhora operacional também começa a aparecer no balanço patrimonial. A dívida líquida recuou de R$ 800 milhões em março para R$ 763 milhões em junho, queda de R$ 37 milhões. A alavancagem ficou em aproximadamente 1,5 vez o Ebitda dos últimos 12 meses. Em julho, já depois do fechamento do trimestre, o Mater Dei resgatou antecipadamente R$ 200 milhões em debêntures.

O retorno sobre o capital investido também melhorou. O ROIC apresentado pela empresa passou de 7,2% em 2024 para 9,51% em 2025 e chegou a 10,79% no primeiro semestre de 2026, avanço de aproximadamente 50% em dois anos.

Os números ajudam a explicar a fase atual da companhia. Depois de crescer por aquisições, abrir Salvador e colocar Nova Lima em funcionamento, o Mater Dei entrou em um período em que extrair mais resultado dos hospitais existentes pode valer tanto quanto abrir novas unidades.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.