HomeCapital M - Negócios e EconomiaApós salto de 137%, quantos carros elétricos Minas já vendeu em 2026

Após salto de 137%, quantos carros elétricos Minas já vendeu em 2026

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Os veículos elétricos deixaram de ser uma curiosidade de vitrine em Minas Gerais. No primeiro semestre de 2026, o estado emplacou 27.051 unidades, alta de 137% em relação ao mesmo período do ano passado. O número ainda está longe de dominar o mercado, mas já representa 6% dos 441.825 veículos vendidos em Minas entre janeiro e junho.

A virada aparece com mais força quando se olha apenas junho. No mês, os emplacamentos de veículos elétricos no estado passaram de 2.713 para 6.673 unidades, crescimento de 146% na comparação anual.

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Os dados foram levantados pela Fenabrave a pedido do Diário do Comércio e incluem automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Ainda assim, ajudam a mostrar uma mudança clara no consumo: a eletrificação saiu do discurso distante e começou a entrar na decisão de compra de famílias, motoristas de aplicativo, empresas, locadoras e frotistas.

O setor atribui o avanço a uma combinação de fatores. Preços mais competitivos, maior oferta de modelos, financiamento, melhoria da percepção sobre usados elétricos, menor custo de manutenção e mais tecnologia embarcada ajudaram a reduzir a resistência inicial.

Minas, que já discute lítio no Jequitinhonha, energia solar, baterias e cadeia automotiva, agora começa a ver essa transição também nas ruas, nas concessionárias, nos shoppings com carregadores e no mercado de seminovos.

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Elétrico já aparece no consumo real

Durante muito tempo, o carro elétrico foi tratado como produto de nicho: caro, urbano, restrito a consumidores de alta renda e distante da realidade brasileira. Essa leitura começou a envelhecer rápido.

O crescimento em Minas mostra que o consumidor já está fazendo outra conta. O preço de compra ainda pesa, mas o custo de uso virou argumento. Carros elétricos têm menos itens de manutenção ligados ao motor, não usam gasolina ou etanol e podem ser mais econômicos para quem roda muito, especialmente em trajetos urbanos.

Esse é um dos motivos para o avanço entre motoristas de aplicativo e usuários intensivos. Quem roda todos os dias sente mais rapidamente a diferença no custo por quilômetro. Modelos menores, com preço mais agressivo, também ajudaram a ampliar a base de compradores.

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O presidente do Sincodiv-MG, Camilo Lucian, disse ao Diário do Comércio que o crescimento tem sido sistemático e que o movimento parece irreversível. Segundo ele, a decisão passa por preço, negociação, melhora na percepção dos usados elétricos e baixa manutenção.

Há também o apelo de conforto. Veículos eletrificados costumam ter rodagem silenciosa, aceleração rápida, recursos digitais e sistemas de monitoramento de bateria. Para uma parte da classe média, a tecnologia virou argumento tão importante quanto a economia.

BYD, locadoras e concessionárias puxam a mudança

A expansão dos elétricos em Minas conversa com uma reorganização mais ampla da indústria automotiva. A BYD virou a marca mais associada à popularização dos modelos elétricos e híbridos no país, com veículos como Dolphin Mini, Dolphin, Song, King e Yuan. A empresa também assumiu a antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, e prepara produção nacional.

Esse movimento muda a percepção do consumidor. Quando há mais modelos nas ruas, mais concessionárias, mais peças, mais assistência técnica e mais propaganda, o carro elétrico deixa de parecer experimento.

As locadoras também têm papel importante. Minas é sede da Localiza, uma das maiores empresas de aluguel de carros do mundo, e esse tipo de empresa ajuda a acelerar a familiaridade do público com novas tecnologias. Quando um motorista aluga, testa ou vê mais modelos em circulação, a barreira psicológica diminui.

A presença em frotas corporativas também pesa. Empresas que querem reduzir emissões, economizar combustível ou modernizar a imagem passam a testar veículos elétricos e híbridos em operações urbanas. Isso vale para transporte executivo, delivery, aplicativos, manutenção, serviços e deslocamentos de equipes.

Minas tem lítio, mas ainda precisa da cadeia

O crescimento dos emplacamentos também dá mais força à discussão sobre o Vale do Lítio. Minas quer ser vista como território estratégico para minerais usados em baterias, principalmente no Jequitinhonha. O problema é que vender minério não é o mesmo que participar da indústria do carro elétrico.

Para capturar mais valor, o estado precisaria avançar em etapas como refino, materiais para bateria, montagem de módulos, armazenamento, reciclagem, fornecedores e centros de pesquisa. Se o consumo de eletrificados cresce em Minas, a pergunta fica mais incômoda: o estado será apenas mercado comprador e fornecedor de matéria-prima ou também parte da indústria?

Projetos em Salinas, Itinga, Araçuaí e outras cidades colocaram a região no mapa mineral. Há também discussões sobre grafite, terras raras, gálio e nióbio, todos ligados de alguma forma à nova economia industrial.

A eletrificação das ruas dá outra camada a esse debate. Não é mais apenas uma tese de mineração ou exportação. O consumidor mineiro já está comprando veículos que dependem dessas cadeias.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.