Brahma carioca, Antarctica paulista, Eisenbahn catarinense e Polar gaúcha. Grande parte do consumo brasileiro de cerveja é abastecida por rótulos que possuem certidão de nascimento estadual bastante definida. Mas qual é a principal representante de cada unidade da Federação?
A resposta para Minas Gerais pode frustrar quem apostava nos fortes polos cervejeiros de Belo Horizonte e Nova Lima. A maior representante comercial do estado nasceu em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. A Kaiser foi lançada na cidade em 1982 e virou uma gigante da publicidade nacional.
Para definir a “maior” marca de cada estado, o Moon BH organizou uma lista que não considera apenas o faturamento. Sem uma base de dados pública que compare com exatidão as operações das 27 unidades da Federação, o levantamento avaliou longevidade, distribuição, reconhecimento estadual, força do polo artesanal e premiações.
A diversidade impressiona. O Brasil encerrou 2025 registrando quase duas mil cervejarias formais e mais de 56 mil marcas em atividade. Confira abaixo o mapa etílico do país.
O trio de peso do Sul
- Paraná: Bodebrown. A cervejaria curitibana acumula mais de 150 prêmios e virou a produtora oficial da cerveja da banda Iron Maiden no Brasil.
- Santa Catarina: Eisenbahn. Nasceu pequena em Blumenau no ano de 2002 e ajudou a educar o paladar do brasileiro. Hoje, sob o guarda-chuva da Heineken, coleciona mais de 130 medalhas.
- Rio Grande do Sul: Polar. A gaúcha de Estrela (1929) veste a camisa do bairrismo até na publicidade, conectando sua imagem profundamente à cultura local.
Centro-Oeste: o domínio do artesanal
- Distrito Federal: Corina. Aberta em 2013, marcou o cenário da capital com seu galpão-bar irreverente.
- Goiás: Colombina. A grande estrela goiana usa frutas do Cerrado e teve sua Cold Brew Lager eleita a melhor do Brasil pela Abracerva em 2023.
- Mato Grosso: Louvada. Abriu as portas em 2014 e expandiu seus barris de Cuiabá para milhares de pontos de venda na região.
- Mato Grosso do Sul: Prosa. Operando desde 2017 em Campo Grande, foca na experiência de reunir amigos para “prosear” bebendo localmente.
A identidade marcante do Nordeste
- Bahia: Proa. A cervejaria ganhou prestígio no World Beer Awards, onde sua Sour de Caju foi eleita a melhor do mundo na categoria.
- Ceará: 5 Elementos. Pioneira em Fortaleza (2016), foca no público especializado.
- Maranhão: Magnífica. Cartada certeira da Ambev, produzida exclusivamente no estado utilizando a mandioca da agricultura familiar local.
- Alagoas: Caatinga Rocks. Usa mel, coco e até cactos em suas receitas desde 2017.
- Pernambuco: Ekäut. Operação robusta do Recife inspirada nas fortes escolas belga e alemã.
- Paraíba: Vierbrauer. Coleciona medalhas com a Severina Lager e a Gota Serena Sour.
- Piauí: 2Rios. Eleita a melhor marca piauiense no Concurso Brasileiro de 2023.
- Rio Grande do Norte: Raffe. Homenageia os bairros e a memória cultural de Natal em seus rótulos.
- Sergipe: Uçá. Primeira cervejaria formal do estado, faz menção ao clássico caranguejo dos manguezais sergipanos.
O frescor e o pioneirismo do Norte
- Pará: Cerpa. A exceção à regra nortista. A Cerpa Export e Premium furaram a bolha e são vendidas em vários estados desde os anos 60.
- Amazonas: Rio Negro. Bebida de Manaus que homenageia a forte cultura indígena.
- Amapá: Trina. Usa ingredientes amazônicos pesados, como bacaba e café regional.
- Acre: Seringal Bier. Ganhou o público brincando com a lenda do estado: seu slogan garante que produz “a cerveja que não existe”.
- Rondônia: WaldBier. A “cerveja da floresta” ousa na mistura de malte com o café robusta do estado.
- Roraima: Donna. Principal rótulo da Cervejaria Boa Vista, que desbrava o mercado artesanal roraimense desde 2014.
- Tocantins: Krahö. Homenageia diretamente o povo indígena Krahô com arte cultural nos rótulos elaborados em Palmas.
As gigantes do Sudeste
- Rio de Janeiro: Brahma. Fundada no fim do século XIX (1888), a marca carioca engoliu o mercado e virou base para a formação da Ambev.
- São Paulo: Antarctica. A trajetória começou ainda mais cedo, em 1885. A empresa vendia gelo e alimentos antes de dominar a fermentação sob a batuta do alemão Louis Bücher.
- Espírito Santo: KingBier. Fugindo da rota industrial de seus vizinhos, a representante capixaba nasceu de receitas caseiras em 2013, ganhando o paladar do estado a partir de Vila Velha.
- Minas Gerais: Kaiser.
O caso de Minas Gerais: da indústria ao copo artesanal
O empresário Luiz Otávio Possas Gonçalves criou a Kaiser em Divinópolis para fortalecer seu portfólio de bebidas. Na época, ele comandava uma engarrafadora da Coca-Cola e precisava bater de frente com a Brahma e a Antarctica, que vendiam cervejas e refrigerantes simultaneamente.
A estratégia funcionou. A Kaiser virou uma potência, espalhou fábricas e consagrou o “Baixinho da Kaiser” na televisão dos anos 90. Hoje, a marca integra o portfólio bilionário do Grupo Heineken.


