Minas Gerais concentra 84,6% do volume nacional de carvão vegetal, segundo os resultados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura de 2025, divulgados nesta quinta-feira, 24 de setembro. A participação ajuda a explicar o tamanho de uma atividade que conecta propriedades rurais, produção de madeira e indústria.
O estado também liderou o valor da produção da silvicultura, com R$ 9,2 bilhões, equivalentes a 22,5% do total brasileiro. Os números, apresentados pelo IBGE e publicados pela Agência Brasil, colocam as florestas plantadas entre as cadeias relevantes da economia mineira.
A siderurgia ajuda a explicar a concentração
A relação entre carvão e indústria faz parte da história da siderurgia em Minas. No caso das florestas plantadas, essa conexão também orientou o desenvolvimento da atividade.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais registra que o setor siderúrgico a carvão vegetal foi um dos principais interessados na expansão da silvicultura, inicialmente apoiada por incentivos fiscais entre 1965 e 1985. A formação desse mercado ajuda a entender por que a produção florestal ganhou escala no estado.
O Instituto Estadual de Florestas também destaca a posição mineira na produção de aço a partir do carvão vegetal. A cadeia passa pelo plantio, pela colheita, pela transformação da madeira em carvão e pelo transporte até o consumidor industrial.
R$ 9,2 bilhões não são lucro nem apenas carvão
O valor da produção da silvicultura abrange o conjunto dos produtos pesquisados provenientes de florestas plantadas. Por isso, os R$ 9,2 bilhões não podem ser tratados como faturamento exclusivo do carvão vegetal.
O indicador também não representa lucro dos produtores. A pesquisa mensura o valor da produção; despesas com terra, trabalho, transporte, financiamento e processamento fazem parte de outra conta.
Os dois percentuais divulgados medem aspectos diferentes: 84,6% se refere ao volume de carvão vegetal, enquanto 22,5% corresponde à participação mineira no valor nacional da silvicultura.
Floresta plantada tem uma cadeia própria
Silvicultura e extração vegetal aparecem separadas na pesquisa. A primeira trabalha com áreas plantadas; a segunda acompanha produtos obtidos de vegetação natural. Essa distinção é necessária para interpretar os resultados sem confundir atividades de origens diferentes.
Em Minas, o sistema MG Florestas foi desenvolvido para acompanhar etapas da produção florestal, incluindo plantio, colheita, transformação, transporte e uso final. O controle da origem integra o funcionamento dessa cadeia.
Para os negócios, a concentração mineira evidencia a ligação entre campo e indústria. Também torna relevante acompanhar a demanda siderúrgica: o desempenho do comprador industrial ajuda a definir as condições do mercado para quem produz e transporta carvão.


