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Chinesa BYD fez uma compra em MG e quer usá-la para revolucionar o carro no Brasil

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A BYD, maior empresa de carros elétricos do mundo, fez uma compra em 2023 que passaria despercebida, mas foi revelada pela Reuters: comprou uma mina de lítio em Minas Gerais e quer usá-la para revolucionar a forma de fazer carros no Brasil e nos outros mercados globais.

A empresa comprou, sem grande alarde, direitos minerários em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha, região conhecida como Vale do Lítio. A operação foi feita por meio da subsidiária BYD Exploração Mineral do Brasil, criada em 2023, e cobre cerca de 852 hectares em uma das áreas mais cobiçadas por mineradoras e fabricantes de baterias.

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O dado muda a leitura sobre a presença da BYD no país. A fábrica de Camaçari, na Bahia, não é apenas uma linha de montagem. Ela pode se tornar o centro de uma cadeia industrial que começa em Minas, passa pelo processamento de lítio e ferro fosfato e termina em carros elétricos feitos no Brasil.

A bateria Blade explica o interesse da BYD em Minas

Uma nova tecnologia, já em segunda geração, promete revolucionar o mercado de elétricos e se chama bateria Blade, tecnologia própria da BYD baseada em fosfato de ferro-lítio, conhecida pela sigla LFP. Diferentemente de baterias com níquel, manganês e cobalto, a LFP tende a ser mais estável, mais barata e menos dependente de minerais críticos caros.

A BYD vende a Blade como uma bateria mais segura. O símbolo dessa promessa é o chamado teste de penetração por prego, usado para simular uma situação extrema de curto-circuito interno. Nos testes, mesmo furada com um prego, ela não pegou fogo, o que mostraria uma segurança acima do padrão do mercado.

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Atualmente a mina, no interior de Minas Gerais, segue em estado de estudos e pode demorar alguns anos para conseguir a liberação de extração. Mas quando isso acontecer, a chinesa terá um processo conhecido como vertical. Ou seja, ela mesma extrai o mineral necessário para criar sua bateria, ela mesma cria a bateria e ela mesma monta o veículo.

Uma bateria que carrega em 5 minutos

A atualização mais recente da tecnologia torna o movimento em Minas ainda mais estratégico. Em março de 2026, a BYD apresentou a segunda geração da bateria Blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido.

A promessa é forte: recarga de 10% a 70% em cerca de cinco minutos e de 10% a 97% em nove minutos, usando carregadores de 1.500 kW. Se a primeira barreira dos elétricos era a economia perante os combustíveis como etanol e gasolina, agora ela pretende atacar em outra dor: a velocidade de carregamento.

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Divulgação

Se o motorista está em viagem, ele não pode esperar horas para conseguir continuar o trajeto. O Brasil ainda está longe de uma rede ampla de carregadores ultrarrápidos nesse nível. Portanto, a tecnologia existe, mas sua aplicação nacional depende de investimento pesado em energia, estações e adaptação da rede elétrica.

Como Minas entra como papel central nos planos nacionais da BYD

O lítio de Coronel Murta está a cerca de 825 quilômetros do complexo da BYD em Camaçari. Não é uma distância curta, mas é curta o suficiente para uma cadeia nacional de suprimento em um país continental.

A lógica da BYD é verticalização. A empresa ficou gigante justamente por controlar partes estratégicas do processo: bateria, componentes, veículos e, agora, minerais. Em vez de depender apenas de fornecedores globais, a montadora tenta travar acesso a insumos em mercados onde pretende crescer.

Para Minas, isso abre uma discussão econômica maior. O Vale do Jequitinhonha não quer ser apenas o lugar de onde sai minério bruto. O desafio é capturar mais valor: pesquisa, beneficiamento, empregos qualificados, arrecadação, infraestrutura e conexão com a indústria de baterias.

Se o lítio mineiro abastecer uma cadeia nacional de carros elétricos, Minas deixa de ser apenas território extrativo e passa a ocupar posição estratégica na transição energética.

A mina ainda está em fase de pesquisa

Apesar do potencial, o projeto da BYD em Minas ainda está longe de virar lavra em escala comercial. A empresa também contratou uma companhia brasileira de pesquisa mineral para conduzir estudos na área. Esse tipo de etapa serve para mapear o terreno, verificar potencial geológico, estimar viabilidade econômica e preparar, se for o caso, os próximos pedidos regulatórios.

O segredo revela a corrida global pelo lítio brasileiro

A discrição da BYD faz sentido. O lítio virou um ativo geopolítico. China, Estados Unidos, Europa e países do Oriente Médio olham para o Brasil como uma fonte mais aberta de minerais estratégicos do que outros países sul-americanos, onde o Estado tem presença mais dura no setor.

O Brasil flexibilizou controles de exportação de lítio em 2022 e o Vale do Jequitinhonha passou a atrair empresas como Sigma Lithium e Atlas Lithium. A presença da BYD nessa mesma região reforça que Minas está no mapa da disputa global por baterias.

A montadora chinesa não está comprando apenas hectares em Coronel Murta. Está comprando opção de futuro. Se a pesquisa confirmar viabilidade, a empresa terá uma vantagem rara: vender carros no Brasil, produzir na Bahia, acessar lítio em Minas e conectar tudo a uma tecnologia própria de bateria.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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