A gasolina comum vendida em Minas Gerais passa a ter mais etanol a partir deste sábado, 1º de agosto. A mistura obrigatória sobe de 30% para 32% de etanol anidro, criando a chamada gasolina E32. Na prática, em um abastecimento de 50 litros, a quantidade de etanol dentro do tanque passa de 15 para 16 litros. A parcela de gasolina derivada do petróleo cai de 35 para 34 litros.
A alteração vale para a gasolina comum e para a comum aditivada. A gasolina premium permanece com 25% de etanol. A medida terá duração inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez por mais seis meses.
Para Minas, a mudança produz efeitos em duas pontas: pode aliviar marginalmente o preço pago pelo motorista e aumenta a demanda por um produto fabricado pelas usinas do estado.
Preço pode cair, mas redução não é automática
A expectativa do governo é utilizar mais etanol nacional para diminuir a necessidade de gasolina importada e reduzir a exposição do país às oscilações do petróleo.
O Ministério de Minas e Energia estima que a E32 poderá evitar a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano. A decisão também foi tomada em meio à volatilidade internacional dos combustíveis.
Estimativas iniciais apontam para uma possível redução próxima de R$ 0,03 por litro. Em um tanque de 50 litros, isso representaria uma economia de aproximadamente R$ 1,50.
Esse desconto, porém, não está garantido. O valor final dependerá do preço cobrado pelo etanol anidro, das margens das distribuidoras e dos postos, dos impostos e do repasse efetivamente realizado ao consumidor. Caso a maior procura eleve o preço do etanol, parte do benefício poderá desaparecer. A mudança funciona mais como uma proteção contra aumentos do que como uma promessa de queda expressiva nas bombas.
Gasolina não mudará em todos os postos imediatamente
Embora a E32 passe a valer oficialmente neste sábado, os motoristas mineiros não encontrarão necessariamente a nova mistura em todos os postos já no primeiro dia.
Distribuidoras e revendedores ainda possuem estoques produzidos sob a regra anterior. Por isso, a ANP estabeleceu um período de transição.
No Sudeste, as distribuidoras terão 15 dias antes do início das autuações relacionadas ao novo percentual. Para os postos, o prazo será de 30 dias. A substituição da E30 pela E32 ocorrerá gradualmente conforme os tanques forem reabastecidos. O motorista também não verá uma nova bomba ou uma identificação diferente. E32 é o nome técnico da composição, não uma nova categoria comercial.
Carros flex não precisam de adaptação
Quem possui carro flex poderá continuar abastecendo normalmente. O sistema eletrônico do veículo identifica a composição e ajusta automaticamente injeção e ignição.
O governo também realizou testes com carros e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, incluindo modelos de idades e tecnologias diferentes. Foram avaliados partida a frio, marcha lenta, aceleração, retomada, consumo, emissões e dirigibilidade.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, os resultados não apontaram impactos relevantes nem mesmo nos veículos não flex utilizados nos ensaios. A avaliação técnica também concluiu que não são esperados problemas significativos nos componentes do sistema de combustível da frota brasileira.
Usinas mineiras ganham um mercado maior
O impacto econômico mais direto em Minas deverá aparecer no setor sucroenergético. O estado possui uma das maiores cadeias de produção de cana, açúcar e etanol do país, concentrada principalmente no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba.
A safra mineira de cana-de-açúcar de 2026/2027 está estimada em 83,3 milhões de toneladas, crescimento de 11,6% sobre o ciclo anterior. A produtividade deve passar de 72,1 para 79,4 toneladas por hectare.
A E32 aumenta estruturalmente a procura pelo etanol anidro, produto desidratado que as distribuidoras misturam à gasolina antes de enviá-la aos postos.
Isso pode levar usinas mineiras a destinar uma parcela maior da cana para o combustível, especialmente quando a remuneração do etanol estiver mais atraente que a do açúcar. O efeito beneficia produtores e indústrias, mas também pode sustentar ou elevar a cotação do próprio biocombustível.


