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Vitor Colares, o marketeiro do Oscar e que “salvou” o PT em Minas

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A reversão do placar eleitoral no segundo turno da disputa presidencial de 2026 em Minas Gerais transformou o estado no principal laboratório estratégico do Partido dos Trabalhadores (PT). Para anular uma desvantagem inicial de 588.612 votos favorável a Flávio Bolsonaro (PL), o comitê de Luiz Inácio Lula da Silva precisou alterar drasticamente a rota de sua comunicação. No centro dessa reestruturação estadual esteve o publicitário mineiro Vitor Colares, um profissional que chegou à campanha presidencial ostentando um portfólio singular: a coordenação da chapa petista ao governo estadual e, meses antes, a mobilização digital do cinema brasileiro rumo à premiação do Oscar.

A convocação de Colares ocorreu cerca de uma semana após o encerramento do primeiro turno, quando a cúpula petista diagnosticou falhas na penetração da mensagem nacional no eleitorado mineiro. A missão do marqueteiro não era replicar o formato unificado de Brasília, mas sim traduzir a campanha para o sotaque político e demográfico local.

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A regionalização da campanha presidencial

O diagnóstico que baseou a contratação de Colares partia de uma premissa clara: Minas Gerais exigia autonomia de produção e linguagem própria. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia conquistado 5.777.548 votos (48,24%), contra 5.188.936 votos (43,33%) de Lula. A comunicação nacional, padronizada para todo o país, demonstrava esgotamento em redutos específicos do interior mineiro e nas zonas periféricas da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Com o aval da presidente estadual do PT, deputada Leninha, e da direção nacional, a campanha em solo mineiro ganhou uma dinâmica descentralizada. Enquanto o ministro Alexandre Silveira assumiu a coordenação política dura — articulando diretamente com prefeitos e lideranças regionais —, Colares formatou peças publicitárias focadas na realidade socioeconômica de Minas. Essa estrutura oficial ainda precisou dialogar com a rede de guerrilha digital autônoma liderada pelo deputado federal André Janones (Rede), sem que as narrativas entrassem em conflito.

Os dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comprovam a eficácia do movimento. Entre as duas votações, Lula agregou 1.162.163 votos em Minas Gerais, saltando para 6.351.099 eleitores. Flávio Bolsonaro obteve um crescimento bem mais tímido, adicionando 464.238 votos e encerrando com 6.241.786. Ao recuperar uma margem de aproximadamente 698 mil votos em apenas três semanas, o PT transformou o revés do primeiro turno em uma vitória estadual por 109.313 votos de diferença.

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O laboratório estadual de Patrus Ananias

Patrus Ananias
Patrus Ananias no Congresso – Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

A entrada de Colares no núcleo presidencial não foi obra do acaso, mas resultado de sua atuação prévia na disputa pelo Palácio Tiradentes. Ele foi o responsável por comandar a comunicação da candidatura de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais no primeiro turno de 2026, com aprovação direta da executiva nacional petista.

A chapa estadual começou a corrida eleitoral em um cenário amplamente adverso. Em agosto, levantamentos da Quaest apontavam o petista com apenas 11% das intenções de voto, distante dos 29% ostentados por Cleitinho Azevedo (Republicanos). A estratégia de comunicação focou em resgatar a memória administrativa de Patrus e associá-la aos programas federais de geração de emprego e renda. Ao longo de setembro, os números reagiram de forma heterogênea nos institutos de pesquisa: enquanto o Datafolha capturava 15% das intenções, a AtlasIntel projetava até 33,6% na véspera do pleito.

Nas urnas, Cleitinho Azevedo garantiu a vitória e a eleição no primeiro turno com 55,40%. Contudo, Patrus Ananias consolidou a segunda colocação com expressivos 3.006.088 votos (26,34% dos válidos), saindo de um patamar inicial modesto para uma votação robusta que preservou o capital político do PT no estado e validou internamente o trabalho da equipe de marketing.

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A mobilização do cinema brasileiro no Oscar

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Walter Salles vence Oscar – Reprodução CBS

Antes de mergulhar na polarização partidária de 2026, a trajetória recente do publicitário foi marcada por uma campanha de natureza cultural, mas com mecânicas rigorosamente políticas. Em 2025, o Moon BH revelou que Vitor Colares e sua agência, a Orire, foram os responsáveis no Brasil pela mobilização digital em torno do filme “Ainda Estou Aqui” (dirigido por Walter Salles) e da atriz Fernanda Torres durante a temporada de premiações internacionais e do Oscar.

A estratégia da agência consistiu em retroalimentar o engajamento doméstico utilizando gatilhos nacionalistas. A equipe capturava entrevistas, resenhas e aparições do elenco na imprensa estrangeira, traduzia o material, legendava os vídeos e os distribuía de forma massiva e orgânica nas redes sociais brasileiras. A lógica operacional era idêntica à de um comitê eleitoral: criar uma narrativa de vitória iminente, mobilizar uma base de fãs fervorosos e pautar a imprensa tradicional através da pressão do engajamento digital. A própria Fernanda Torres, à época, chegou a comparar o desgastante corpo a corpo da indústria de Hollywood a um plebiscito político.

Pluralidade no mercado e o futuro do marketing político

Reprodução – Instagram

Apesar da forte associação aos candidatos petistas na atual temporada, o currículo de Vitor Colares expõe um perfil profissional voltado ao mercado amplo, transitando por diferentes espectros ideológicos ao longo da última década. Ele integrou as equipes que elegeram Alexandre Kalil à prefeitura de Belo Horizonte em 2016 e garantiram sua reeleição esmagadora em 2020. Atuou também nas campanhas da deputada federal Duda Salabert (PDT) e registra participações históricas em estruturas ligadas a nomes clássicos da política mineira, como Antônio Anastasia, Aécio Neves e Itamar Franco.

Premiado pelo Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP) em categorias de digital, comunicação governamental e inserção televisiva, a atuação de Colares em 2026 consolida uma tese: “o salvador de causas impossíveis”.

O desfecho da eleição presidencial em Minas Gerais — a única unidade da Federação onde o vencedor mudou efetivamente entre o primeiro e o segundo turno — demonstra que o estado exige mais do que a simples importação de discursos embalados em Brasília.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.