A costura política liderada pelo deputado estadual Doorgal Andrada (PP) para assumir a presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir de fevereiro de 2027 atingiu o “número mágico” do regimento interno. O bloco de apoio construído nos últimos dias reuniu os posicionamentos de oito partidos que, somados, reúnem exatamente 39 dos 77 deputados da próxima legislatura.
O cálculo da reportagem baseia-se na relação oficial dos 77 parlamentares eleitos em outubro. Se as bancadas do PL, PP, União Brasil, Republicanos, Avante, PSB, PDT e Democrata mantiverem a coesão de seus integrantes em torno do acordo já anunciado por suas lideranças, Doorgal Andrada garante a eleição para o comando da Casa já no primeiro escrutínio (votação).
Atingir 39 votos antecipadamente é um rito de passagem definitivo na política mineira, mas não significa que a eleição já esteja matematicamente vencida. O regimento da ALMG prevê que a votação para a Mesa Diretora (que ocorrerá apenas no início da próxima legislatura) seja aberta e nominal, onde cada parlamentar responde individualmente pelo seu voto, independentemente da orientação partidária. Contudo, o peso das alianças firmadas agora esvazia as chances de candidaturas concorrentes.
O peso do PL: 21 votos de uma só vez
A chave que destrancou o caminho de Doorgal foi girada na noite de terça-feira (20). A princípio, o Partido Liberal (PL) pretendia lançar Bruno Engler na disputa pela presidência. Após articulações de bastidores, Engler abriu mão da cabeça de chapa e o partido oficializou apoio ao candidato progressista.
Com a decisão, o PL transferiu para a articulação de Doorgal o peso da maior bancada da nova ALMG. A sigla elegeu 21 deputados estaduais em outubro (incluindo nomes como o próprio Bruno Engler, Sargento Rodrigues e Antonio Carlos Arantes). Sozinho, o PL fornece mais da metade dos 39 votos da base de apoio de Doorgal contabilizada nesta semana.
O núcleo central: PP e União
Doorgal foi o candidato ungido pela Federação União Progressista, que congrega o Partido Progressista (PP) e o União Brasil. As duas siglas chegam fortes à nova Assembleia, elegendo oito deputados em conjunto (sendo cinco do PP e três do União). O acordo foi chancelado internamente pelo grupo na segunda-feira (19).
Logo após o lançamento, outro ator de peso entrou na aliança: o Republicanos, partido do recém-eleito governador de Minas, Cleitinho Azevedo. A sigla trará quatro parlamentares para a nova legislatura (Lud Falcão – esposa do vice de Cleitinho, Neilando Pimenta, Mauro Tramonte e Carlos Henrique).
Somando a base das três forças principais da aliança (PL com 21 deputados, a federação União-PP com oito e o Republicanos com quatro), o bloco saltou rapidamente para 33 cadeiras.
Os votos que “fecharam a conta”
Para alcançar a maioria absoluta exigida pelo Regimento Interno (39 dos 77 parlamentares), a chapa de Doorgal costurou acordos periféricos com quatro siglas menores, que somaram as seis cadeiras faltantes para garantir a vitória teórica em primeiro turno:
- Avante: Duas cadeiras (Carol Caram e João do Social).
- PSB: Duas cadeiras (Noraldino Júnior e Luiz Paulo).
- PDT: Uma cadeira (Dra. Laís Santiago).
- Democrata: Uma cadeira (Cabo Gregório Silva).
A matemática do poder legislativo, contudo, é fluida, e os apoios não parecem restritos a essas oito siglas. As articulações continuam e o nome de Doorgal Andrada atraiu sinais de adesão, segundo o site O Fator, também do PSDB (três deputados eleitos), do Novo (duas cadeiras) e de parcelas do PSD, o que pode alargar a base do candidato para a faixa dos 47 votos, criando uma margem de segurança contra eventuais traições de plenário.
Até o momento da posse, as negociações migrarão para o fatiamento dos demais cargos de poder da Assembleia: o preenchimento da Vice-Presidência, as secretarias da Mesa Diretora e o cobiçado controle das comissões temáticas mais influentes, como as de Justiça e Finanças.


