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Quem é Falcão, vice de Cleitinho e tido como “primeiro-ministro mineiro”

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Embora Luís Eduardo Falcão (Republicanos) tome posse formalmente como vice-governador em janeiro de 2027, as primeiras definições após as urnas indicam que ele exercerá uma função incomum na estrutura do Poder Executivo mineiro. Longe de cumprir um papel figurativo à espera de eventuais ausências do titular, Falcão desponta como o principal articulador político e operacional da futura gestão, assumindo atribuições semelhantes às de um gestor de gabinete em regimes parlamentaristas.

Constitucionalmente, o comando do Palácio Tiradentes e a chefia do Executivo pertencem a Cleitinho Azevedo. No entanto, o desenho anunciado prevê uma divisão prática de trabalho: enquanto o governador eleito preserva sua força como comunicador de massas e liderança institucional de primeiro plano, Falcão assume a engrenagem administrativa, a condução da transição e o diálogo federativo com os municípios.

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“O meu vai fazer”, resumiu Cleitinho ao contestar a tradição de vices sem funções ativas, adiantando que Falcão deverá acumular a Vice-Governadoria com o comando de uma secretaria de primeiro escalão para “trabalhar e administrar junto” no dia a dia do estado. Em conversas com políticos, o Moon BH ouviu o termo “primeiro-ministro mineiro”, em alusão a uma posição de articulação e negociação no governo.

Trajetória empresarial e aprovação recorde no Alto Paranaíba

Luís Eduardo Falcão Ferreira tem 42 anos. Nascido em Goiânia (GO), construiu sua trajetória pessoal, profissional e pública em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. Graduado em Direito pelo Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), atuou no meio empresarial nos setores do comércio e da construção civil. Antes da vida partidária, presidiu a Associação Comercial e Industrial de Patos de Minas (Acipatos) e o Conselho Municipal de Segurança Pública.

Sua estreia nas urnas ocorreu em 2020, quando foi eleito prefeito de Patos de Minas pelo Partido Novo com 38.415 votos (52,92% dos válidos). Quatro anos depois, sua liderança municipal consolidou-se em patamares inéditos no estado: foi reeleito em 2024 com 65.823 votos — expressivos 85,19% dos votos válidos —, superando o adversário Dolglas Eduardo (14,26%) e tornando-se o primeiro prefeito reeleito da história do município.

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O índice de mais de oito em cada dez votos em uma cidade polo com mais de 150 mil habitantes chamou a atenção da cúpula da política estadual e projetou seu nome para além da região do Alto Paranaíba.

A presidência da AMM e a conexão com 853 prefeituras

Em abril de 2025, Falcão deu o passo que multiplicou sua influência no território mineiro ao disputar e vencer a presidência da Associação Mineira de Municípios (AMM). Em uma eleição disputada que mobilizou 649 prefeitos, ele superou o então presidente da entidade, Marcos Vinicius Bizarro, pelo placar de 361 votos a 288.

Luis Eduardo Falcão
Vice-governador de Minas, Luis Eduardo Falcão – Fotos: Republicanos

Fundada em 1952, a AMM é a maior entidade municipalista do país e reúne atualmente 841 dos 853 municípios de Minas Gerais (98,59% das cidades do estado). A presidência da instituição não é um cargo governamental, mas atua como a principal plataforma de negociação dos municípios frente aos governos estadual e federal, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional.

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Durante seu mandato na associação, Falcão defendeu a repactuação do pacto federativo, maior autonomia financeira para as prefeituras e uma gestão técnica e apartidária, elevando o número de municípios filiados para um recorde histórico à época de 837 cidades. Em abril de 2026, ele renunciou simultaneamente à prefeitura e à presidência da AMM (sendo sucedido por Lucas Vieira Lopes) para se desincompatibilizar e viabilizar seu projeto eleitoral estadual, migrando do Novo para o Republicanos.

De chefe da campanha a comandante da transição

Durante a campanha das eleições de 2026, Cleitinho entregou a Falcão a coordenação-geral de sua candidatura. Cabia ao vice gerenciar agendas, conduzir conversas de bastidor com lideranças locais e alinhar palanques em diferentes polos mineiros.

A vitória em primeiro turno com 55,40% dos votos válidos manteve Falcão no centro do processo decisório: ele foi nomeado coordenador-geral da Comissão de Transição Governamental. A função não tem caráter protocolar. Caberá a Falcão conduzir a interlocução com a equipe da Casa Civil do atual governo, auditar contas públicas, contratos em vigor, situação das empresas estatais, obras em andamento e formatar a reorganização das pastas e secretarias para o início do mandato em janeiro.

O peso da ponte municipalista

O principal ativo de Falcão no futuro governo é a densidade de sua agenda institucional. Em um estado de dimensões continentais e com a maior quantidade de prefeituras do país, o atendimento de serviços básicos como saúde básica, estradas vicinais, transporte escolar e assistência social depende diretamente do diálogo com os gestores municipais.

Ao somar o comando da campanha, a liderança da transição, a chefia de uma secretaria estratégica e a Vice-Governadoria, Luís Eduardo Falcão desponta como o elo de estabilidade técnica e federativa de Cleitinho. A capacidade de circular com legitimidade entre centenas de prefeitos de diferentes correntes ideológicas garante à nova administração um interlocutor de confiança para manter a máquina pública conectada às demandas reais do interior mineiro.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.