HomePolítica e PoderAs semelhanças entre Cleitinho e Gabriel vão além do sobrenome Azevedo

As semelhanças entre Cleitinho e Gabriel vão além do sobrenome Azevedo

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Gabriel Azevedo (MDB) ainda não teve o nome de sua futura secretaria divulgado no governo Cleitinho Azevedo (Republicanos), mas o escopo de sua atuação já se projeta para além de uma única pasta. Convidado formalmente na terça-feira (13) para integrar a equipe de transição, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte recebeu também o aval para participar das discussões sobre a composição do restante do secretariado estadual.

O alinhamento expõe a marca que Cleitinho pretende imprimir ao Palácio Tiradentes. Embora tenham origens, linguagens e trajetórias distintas, os dois políticos comungam de uma característica central: carreiras construídas com base no confronto de interesses e na recusa em evitar o conflito institucional.

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Cleitinho fez disso seu selo desde a Câmara de Divinópolis até o Senado da República. Gabriel, por sua vez, viveu seu período mais belicoso justamente quando presidiu o Legislativo da capital entre 2023 e 2024, travando choques intensos com a Prefeitura de BH, empresas de ônibus e facções dentro do próprio plenário.

A diferença reside no modus operandi. Cleitinho transforma a indignação em pressão nas redes e na praça pública. Gabriel demonstrou habilidade para converter o conflito em processo legislativo e CPI. A combinação dessas duas dinâmicas justifica o convite.

O laboratório de conflito na Câmara de BH

Para antever o que Gabriel pode agregar ao Palácio Tiradentes, é preciso analisar sua gestão à frente da Câmara Municipal. Eleito presidente em dezembro de 2022 por margem mínima (21 votos a 20) sob a bandeira da independência legislativa, Gabriel comprou brigas pesadas.

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A batalha mais dura ocorreu em torno das empresas de ônibus. Quando a gestão Fuad Noman (PSD) apresentou uma proposta de subsídio milionário para as concessionárias, Gabriel liderou o bloco que condicionou a liberação dos recursos à redução da tarifa (de R$ 6 para R$ 4,50), ao estabelecimento de gratuidades e à melhoria no serviço.

O conflito escalou para a criação da CPI dos Ônibus Sem Qualidade, que investigou descumprimentos de contratos e multas milionárias não executadas desde 2018. O estilo confrontador cobrou seu preço: a presidência de Gabriel sobreviveu a sucessivas tentativas de afastamento e a processos de cassação por quebra de decoro — chegando a envolver decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) —, o que atesta sua resiliência diante de retaliações institucionais.

A ponte entre o discurso de Cleitinho e a máquina pública

Cleitinho chega ao Palácio Tiradentes com força incontestável para mobilizar a opinião pública, seja confrontando os privilégios da máquina ou comprando brigas com as mineradoras e com os próprios aliados, como ao se posicionar contra a escala 6×1. Contudo, governar a máquina mineira exige traduzir o ímpeto popular em contratos, decretos, projetos de lei, orçamentos e negociação com a Assembleia Legislativa.

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É nessa interface burocrática e institucional que reside o valor de Gabriel. Na presidência da Câmara, o vereador demonstrou capacidade gerencial ao devolver mais de R$ 149 milhões do orçamento do Legislativo aos cofres do município (40% da dotação de 2023) e garantir o andamento de quase 700 projetos no plenário.

As propostas que sobreviveram às urnas

O convite sela uma equação política curiosa. Gabriel Azevedo disputou o governo estadual ancorado em um programa técnico, formulado com o apoio de nomes como o economista Marcos Lisboa e o ex-vice-governador Paulo Brant. Seu plano defendia a criação de governos regionais, expansão ferroviária, controle de despesas e avaliação técnica de políticas públicas.

Apesar de ter conquistado apenas 2,08% dos votos, Gabriel levou seu programa debaixo do braço ao aceitar o convite de Cleitinho. A mensagem é clara: enquanto o governador eleito mantém o termômetro da pressão popular e lidera o enfrentamento político, Gabriel surge como um operador encarregado de ajudar a organizar a engenharia institucional necessária para que essas ideias virem política pública executável.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.