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PBH suspende leilão de R$ 40,5 milhões em terrenos que financiariam obras em BH

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A Prefeitura de Belo Horizonte suspendeu por prazo indeterminado o leilão de três terrenos em Lagoa Santa anunciado em outubro. A sessão estava marcada para as 10h desta terça-feira, 3 de novembro. Os lances mínimos somavam R$ 40,46 milhões, e o dinheiro que a capital arrecadasse com a venda teria de ser aplicado em investimentos do Orçamento Participativo de Belo Horizonte.

No aviso de suspensão do Leilão nº 003/2026, assinado no domingo (1º), a Secretaria Municipal de Administração Logística e Patrimonial não informa o motivo da decisão nem fixa uma nova data. A pasta diz que divulgará as próximas orientações no Diário Oficial do Município, no portal da Prefeitura e no site da leiloeira responsável.

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O que a suspensão muda para as obras de BH

A Prefeitura justificou a venda como uma forma de transformar imóveis sem uso público previsto em recursos para obras escolhidas com a participação dos moradores. O termo de referência do leilão estabelece essa destinação, mas a PBH não indicou quais intervenções receberiam o dinheiro. Com a sessão suspensa, fica sem prazo a entrada dessa receita no caixa municipal.

O valor disponível para obras dependeria do resultado de cada disputa. Como os terrenos seriam oferecidos individualmente, a capital poderia arrecadar mais de R$ 40,46 milhões se os lances superassem os preços de abertura, ou menos se apenas parte dos imóveis encontrasse comprador. A suspensão, portanto, não permite atribuir uma perda desse valor ao orçamento de BH nem apontar uma obra específica que tenha sido adiada.

Um terreno concentra quase três quartos do valor do leilão

As três propriedades ficam na Rua Rita de Cássia Saborido, no bairro Várzea do Lobo, e somam 546.931 metros quadrados, o equivalente a 54,7 hectares. A maior delas tem pouco mais de 400 mil metros quadrados e, sozinha, exigia um lance inicial de R$ 30,1 milhões. O edital distribuía os valores da seguinte forma.

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TerrenoÁreaLance mínimo
Gleba 1403.431 m²R$ 30.116.000
Gleba 263.500 m²R$ 4.744.000
Gleba 380.000 m²R$ 5.603.000
Total546.931 m²R$ 40.463.000

O edital previa pagamento à vista ou parcelado e atribuía ao comprador a comissão de 5% da leiloeira. Para quem avalia o aproveitamento dos terrenos, há ainda uma condição comum aos três lotes. Todos ficam na Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, onde eventuais empreendimentos precisam respeitar o zoneamento e as regras ambientais aplicáveis a cada área.

Como os terrenos de Lagoa Santa passaram à Prefeitura de BH

Os imóveis integravam o patrimônio da antiga Beneficência da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (Beprem), autarquia que atendia os servidores da capital e foi extinta em 2011. Em 2018, segundo a Prefeitura, o município repassou mais de R$ 95 milhões ao regime próprio de previdência dos servidores e incorporou os terrenos ao patrimônio municipal, com autorização legal para vendê-los.

As mesmas terras já haviam sido oferecidas em 2024, mas a divisão era outra. Naquele ano, a maior gleba tinha 483.431 metros quadrados e abrigava o antigo clube dos servidores. A Câmara de BH registrou um lance de R$ 18 milhões pelo imóvel em abril daquele ano. Após questionamentos sobre a operação, a Prefeitura suspendeu o procedimento e o encaminhou à Controladoria-Geral.

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No edital de 2026, a área do antigo clube foi dividida em dois terrenos, um de 403.431 metros quadrados e outro de 80 mil. Somados, os preços de abertura dessas duas glebas chegaram a R$ 35,72 milhões, quase o dobro do lance registrado em 2024. O aviso publicado agora não estabelece relação entre essa diferença e a suspensão do leilão.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.