Apenas 78 dias após a conclusão do processo de privatização, a Copasa enfrenta sua primeira grande crise de abastecimento em Belo Horizonte e um novo revés financeiro milionário. A dimensão do problema levou o prefeito Álvaro Damião a cobrar publicamente a presidência da companhia. O chefe do executivo municipal exigiu uma solução imediata para as falhas no fornecimento que castigam a região Oeste da capital mineira e anunciou uma compensação financeira dura pelos danos causados à infraestrutura urbana.
Durante a reunião com a diretoria da empresa, o prefeito foi direto ao ponto e deixou claro que o envio de caminhões pipa pode aliviar a emergência, mas não substitui a prestação do serviço contratado. Damião afirmou que precisa de uma solução real saindo das torneiras das pessoas e ressaltou que a cidade não pode continuar aceitando adiamentos sucessivos.
A interrupção prolongada no fornecimento ultrapassou o limite do desconforto doméstico. Bairros como Buritis, Estoril e Nova Suíça registraram dias inteiros de seca, forçando escolas a suspenderem aulas e hospitais a dependerem de rotas provisórias para continuarem funcionando.
Copasa terá de pagar R$ 300 milhões para BH
A pauta do encontro também cravou uma exigência histórica da administração pública envolvendo a conservação da malha viária. A prefeitura formalizou que a Copasa terá de repassar 300 milhões de reais aos cofres de Belo Horizonte para custear o conserto das ruas que a própria empresa estraga durante suas operações.
O repasse servirá para reparar os danos sistemáticos provocados na pavimentação sempre que a concessionária realiza aberturas e remendos no solo.
Esse montante vultoso será utilizado exclusivamente em um programa municipal de recapeamento. O foco do projeto é corrigir definitivamente os buracos, desníveis e valetas deixados para trás após as manutenções subterrâneas mal finalizadas pela companhia de saneamento.
A justificativa da prefeitura sustenta a premissa de que o cidadão belo horizontino não deve arcar com os prejuízos de transitar por ruas arruinadas pelas intervenções da prestadora de serviço. Essa briga começou em 2018 e estava há quase 10 anos parada, passando pela gestão Kalil e Fuad, sem avanço.
Agora a PBH definirá as prioridades atuais da capital, visto que de 2018 pra cá, muitas das ruas danificadas já foram recuperadas pela prefeitura.
O colapso na adutora e o teste da privatização
O cenário atual nas residências é resultado de uma longa sequência de problemas técnicos. A falha estrutural primária começou no final de agosto, quando uma adutora de grande porte se rompeu na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. As equipes de manutenção descobriram uma construção irregular erguida exatamente sobre a área da tubulação, o que inviabilizou qualquer conserto imediato.
A alternativa técnica adotada foi isolar o trecho danificado e alterar o desenho hidráulico da região. A água continuou circulando, mas com vazão e pressão bastante reduzidas nas partes mais altas.
A falência temporária da rede não foi provocada pela mudança acionária, já que a infraestrutura envelhecida pertence a décadas de controle estatal. Contudo, a privatização concluída em junho sob a liderança da Equatorial transfere integralmente a responsabilidade das soluções e prazos para os novos gestores privados.
O plano estipula aportes na casa dos bilhões até o final da década para modernizar as estações. Com as novas cobranças da prefeitura, a companhia assume o desafio duplo de garantir segurança hídrica ininterrupta e pagar pela reconstrução do asfalto metropolitano.


