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Marília Campos rejeita governo e vai ao Senado para quebrar tabu histórico do PT

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O PT confirmou nesta segunda-feira (27) a candidatura da ex-prefeita de Contagem Marília Campos ao Senado por Minas Gerais. A decisão foi formalizada durante a convenção estadual que também oficializou o deputado federal Patrus Ananias como candidato ao governo mineiro.

A presença de Marília na chapa encerra uma disputa interna que ultrapassou a escolha do cargo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes petistas tentaram convencê-la a trocar o Senado pelo Palácio Tiradentes, mas a ex-prefeita recusou a proposta e manteve o projeto iniciado ainda no começo do ano.

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A negativa alterou todo o planejamento eleitoral do partido em Minas. Sem Marília, o PT precisou buscar outro candidato ao governo e acabou recorrendo a Patrus, depois de também não conseguir atrair Rodrigo Pacheco ou fechar uma composição com Alexandre Kalil.

Marília deixou prefeitura para disputar o Senado

A decisão de concorrer ao Senado teve um custo político concreto. Marília renunciou à Prefeitura de Contagem em 26 de março, pouco mais de um ano depois de iniciar seu quarto mandato à frente da cidade.

Com a saída, o vice Ricardo Faria assumiu o Executivo municipal e deverá permanecer no cargo até o fim de 2028. Marília havia sido reeleita em 2024 no primeiro turno, com 188.228 votos, equivalentes a 60,68% dos votos válidos.

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Esse resultado transformou a ex-prefeita em um dos nomes eleitoralmente mais fortes do PT mineiro. Contagem é a terceira cidade mais populosa de Minas e integra o principal núcleo eleitoral da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ao rejeitar o governo, Marília argumentou internamente que já havia deixado a prefeitura com o objetivo específico de disputar o Senado. Ela também defendia que o PT buscasse uma candidatura mais ampla e de centro para enfrentar os grupos ligados à direita no estado.

Em 2024, antes mesmo de a sucessão estadual ganhar força, a petista já afirmava que seu nome não seria o mais adequado para liderar uma candidatura ao Palácio Tiradentes. Na avaliação dela, a rejeição ao PT exigiria uma frente política mais ampla para tornar a oposição competitiva em Minas.

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Recusa abriu caminho para Patrus Ananias

Patrus Ananias
Patrus Ananias no Congresso – Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Lula inicialmente desejava que Rodrigo Pacheco disputasse o governo, mas o senador não aceitou entrar na eleição. Marília passou, então, a ser pressionada para assumir a cabeça da chapa petista.

A resistência da ex-prefeita levou o partido a avaliar outras alternativas. Patrus Ananias foi escolhido depois de conversas com Lula e com as direções nacional e estadual do PT.

O ex-ministro também não aparecia inicialmente como candidato ao cargo. Seu nome ganhou força justamente depois que Marília conseguiu assegurar a permanência na disputa pelo Senado.

Ela declarou apoio a Patrus, apesar das divergências anteriores sobre a estratégia estadual. A partir de agora, ambos deverão dividir o palanque de Lula em Minas, com o deputado tentando chegar ao governo e Marília buscando uma das duas cadeiras disponíveis no Senado.

PT nunca elegeu senador por Minas Gerais

A candidatura carrega ainda uma missão inédita para o partido. Desde sua fundação, em 1980, o PT nunca conseguiu eleger um senador representando Minas Gerais.

O partido chegou perto em diferentes momentos. Patrus Ananias ficou em segundo lugar na eleição de 1990, mas naquela ocasião apenas uma cadeira estava em disputa. Em 1994, Virgílio Guimarães perdeu a última vaga para Arlindo Porto por uma diferença de aproximadamente 50 mil votos.

Em 2018, Dilma Rousseff começou a campanha liderando pesquisas, mas terminou em quarto lugar. Rodrigo Pacheco e Carlos Viana foram eleitos naquele ano. Em 2022, o PT não apresentou candidato próprio ao Senado no estado.

Marília chega à campanha em uma condição diferente de parte desses nomes. Ela possui forte votação na Região Metropolitana, experiência como prefeita e deputada estadual e uma imagem construída principalmente em torno da administração municipal.

O desafio será transformar a popularidade concentrada em Contagem em votos nas diferentes regiões de Minas, um estado com 853 municípios e realidades políticas muito distintas.

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The Politica
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O The Política é uma coluna que escreve sobre política local de forma especializada, com análises precisas e profundas do cenário político, sempre focado nos temas mais atuais e importantes para o brasileiro.