A ex-prefeita Marília Campos virou o nome que o PT gostaria de ter no governo de Minas, mas não necessariamente o nome que ela quer ser em 2026. A ex-prefeita de Contagem aparece hoje como a alternativa mais competitiva do partido para montar um palanque próprio a Lula no segundo maior colégio eleitoral do país. O problema é que seu projeto está em outra direção: o Senado.
A tensão ficou exposta depois que o PT mineiro decidiu defender uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Marília reagiu publicamente e classificou a estratégia como um “equívoco estratégico”. A avaliação dela é que o campo governista deveria construir uma frente ampla, capaz de reunir partidos do centro à esquerda, em vez de empurrar o PT para uma candidatura que tende a nacionalizar a disputa estadual.
O recado foi direto. Marília reafirmou que sua “única disponibilidade” é concorrer a uma vaga no Senado. A frase tem peso porque ela não está apenas sondando uma candidatura. A petista deixou a Prefeitura de Contagem, onde havia sido reeleita em 2024, para construir esse caminho.
Agora o desafio do partido é convencer Marília a fazer o mesmo sacrifício que Fernando Haddad está fazendo em São Paulo: colocar seu nome em disputa para ajudar Lula no objetivo maior, conseguir a presidência. O ex-ministro José Dirceu aposta que o presidente conseguirá convencer a colega de partido a abandonar sua ambição em favor de um projeto maior.
Por que Lula olha para Marília Campos
Minas virou o nó mais difícil da estratégia nacional de Lula. O presidente precisa de um palanque competitivo no estado, mas viu alternativas se complicarem. Rodrigo Pacheco, que era tratado como o nome ideal para uma aliança ampla, descartou disputar o governo. Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo aparecem no radar das conversas, mas nenhum deles resolveu até agora o problema central: unir o campo lulista em torno de uma candidatura com densidade estadual.

Nesse vazio, Marília aparece como solução quase natural para o PT. Tem identidade partidária, histórico administrativo, experiência na Região Metropolitana de Belo Horizonte e desempenho forte nas pesquisas para o Senado. Para um partido que busca alguém capaz de segurar a bandeira de Lula em Minas, ela é o nome mais óbvio.
O Senado como plano pessoal e partidário
A disputa pelo Senado é especialmente importante em 2026 porque Minas vai eleger duas cadeiras. Cada eleitor poderá votar em dois nomes. Isso abre espaço para candidaturas com base própria, alianças cruzadas e composições menos previsíveis.
Marília lidera pesquisas recentes para o cargo. Em um levantamento Real Time Big Data, apareceu com 20% a 22% das intenções de voto, conforme o cenário. Na Quaest, variou de 17% a 19%. São números relevantes para uma disputa ainda em formação e com vários nomes conhecidos no tabuleiro.
O impasse, portanto, não é simples. O que pode ser melhor para a campanha presidencial de Lula em Minas talvez não seja o melhor para a trajetória de Marília nem para o desenho mais seguro do PT no Senado.
A ex-prefeita tenta evitar ser transformada em solução para um problema que não criou. O PT passou meses esperando Pacheco, testou conversas com outros nomes e agora olha para dentro da própria legenda. Marília, por sua vez, parece convencida de que seu capital político pode render mais no Senado do que em uma candidatura ao governo feita sob pressão.





