O governador de Minas Gerais é Mateus Simões, do PSD. Ele assumiu o comando do Estado em 22 de março de 2026, depois da renúncia de Romeu Zema, que deixou o cargo para se dedicar ao projeto nacional. Simões não chegou ao governo como um desconhecido da máquina pública. Antes de virar governador, foi vice de Zema, secretário-geral de Governo, vereador de Belo Horizonte e um dos principais articuladores internos da gestão estadual nos últimos anos.
Aos 45 anos, ele representa uma transição curiosa em Minas: é herdeiro político de Zema, mas tenta construir uma imagem própria em ano eleitoral. Tem perfil técnico, discurso liberal, linguagem de gestão e aposta na ideia de que Minas precisa manter contas organizadas, atrair investimento privado e aproximar o governo do interior.
Ao mesmo tempo, enfrenta uma dificuldade política clara. Simões ainda não tem a popularidade espontânea de Zema nem o apelo popular de adversários como Cleitinho Azevedo e Alexandre Kalil. Seu trabalho, até agora, é transformar experiência administrativa em voto.
Quem é Mateus Simões, governador de Minas
Mateus Simões de Almeida nasceu em Gurupi, no Tocantins, em 9 de março de 1981, mas construiu sua trajetória pessoal, profissional e política em Minas Gerais. Passou parte da infância e da adolescência no Triângulo Mineiro e depois se mudou para Belo Horizonte.
Formou-se em Direito pela Faculdade Milton Campos, onde também fez mestrado em Direito Empresarial. Tornou-se professor universitário jovem, atuou na Fundação Dom Cabral e na própria Faculdade Milton Campos. Também é procurador licenciado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, produtor rural de grãos e sócio de empresas de consultoria.
Na política, começou pelo Partido Novo. Foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2016 e se aproximou do projeto que levou Romeu Zema ao governo em 2018. Depois, virou secretário-geral de Governo, função em que passou a coordenar áreas estratégicas da administração estadual.
Em 2022, foi eleito vice-governador na chapa de Zema. Com a saída do titular em 2026, assumiu definitivamente o governo. Hoje, é o nome escolhido pelo grupo de Zema para tentar manter o controle do Palácio Tiradentes.
A troca de partido também diz muito sobre seu momento político. Simões deixou o Novo e foi para o PSD, legenda com mais estrutura, mais tempo de televisão e maior capacidade de articulação eleitoral. A mudança mostra pragmatismo: para disputar o governo, ele precisa de uma máquina partidária mais robusta do que a oferecida pelo Novo.
Como pensa o governador de Minas
Mateus Simões é um liberal de gestão. Seu discurso passa por responsabilidade fiscal, redução de travas burocráticas, parcerias com o setor privado, eficiência administrativa e busca por investimentos.
Ele costuma defender que o Estado não deve ser medido pelo tamanho da máquina, mas pela capacidade de entregar serviço. Essa visão aparece nas privatizações, nas concessões, na renegociação da dívida e na defesa de modelos de governança mais próximos do mercado.
A desestatização da Copasa é o exemplo mais forte dessa visão. O governo concluiu a operação em junho de 2026, com oferta pública de ações e entrada do Grupo Equatorial como acionista relevante. Para Simões, a medida abre caminho para ampliar investimentos e cumprir metas de saneamento.

Na Cemig, o discurso é mais cauteloso. Zema ainda defende a privatização da estatal, mas Simões afirmou que o tema não está em pauta em 2026, citando o calendário eleitoral e a exigência de consulta popular. Mesmo assim, não descarta mudanças futuras na estrutura da companhia, como eventual transformação em corporation.
Outro eixo do pensamento de Simões é a interiorização da gestão. Ele defende que Minas não pode ser governada apenas a partir de Belo Horizonte. O programa Governo Presente, que transfere temporariamente a estrutura administrativa para cidades-polo do interior, é uma tentativa de dar corpo a essa ideia.
A leitura dele é que Minas tem regiões muito diferentes entre si. O Norte de Minas, o Vale do Jequitinhonha, o Triângulo, a Zona da Mata, o Sul e a Região Metropolitana têm problemas econômicos e sociais próprios. Por isso, diz que o governo precisa ouvir prefeitos, empresários e lideranças locais antes de definir políticas públicas.
Esse discurso também tem função eleitoral. Simões precisa ficar mais conhecido fora da capital e mostrar presença em cidades médias e pequenas. Rodar o interior virou estratégia de governo e de campanha.
Principais destaques da gestão
O primeiro destaque é a continuidade do projeto Zema. Simões não rompeu com o antecessor. Ao contrário, tenta se apresentar como quem conhece a máquina por dentro e pode manter a linha de ajuste fiscal, concessões, atração de investimentos e controle de gastos.
O segundo é a dívida de Minas com a União. O governador herdou a condução do Propag, programa de renegociação que envolve pagamentos, ativos, negociações federais e projetos aprovados na Assembleia. Para o Estado, esse é um dos temas mais importantes da década, porque define a margem de investimento e a pressão sobre o caixa público.
O terceiro destaque é a Copasa. A desestatização virou marca de governo e também alvo de críticas. Para aliados, foi uma operação bem-sucedida, capaz de atrair capital e melhorar o saneamento. Para opositores, significou entregar uma estatal lucrativa e estratégica à iniciativa privada.
O quarto é a agenda de desenvolvimento econômico. Simões tenta vender Minas como estado competitivo para mineração, energia, tecnologia, agro, logística e indústria. Em fóruns internacionais, como a London Climate Action Week, o governo passou a associar energia limpa, inteligência artificial, data centers e governança climática como oportunidades de investimento.
O quinto é a educação técnica. Simões costuma citar o Trilhas de Futuro como uma das principais políticas públicas da gestão Zema-Simões. O programa oferece formação técnica e reforça a ideia de conectar escola, empregabilidade e demanda das empresas.
Há ainda a segurança pública. Em seu discurso de posse, o governador prometeu firmeza contra facções criminosas, violência de gênero e abusos institucionais. Mas a relação com servidores, especialmente forças de segurança, segue como ponto sensível, com cobranças por recomposição salarial e valorização das carreiras.
Politicamente, Simões entra em 2026 com vantagens e riscos. Tem a caneta do governo, apoio de Zema, estrutura do PSD e conhecimento da administração. Mas precisa resolver o problema de popularidade. Pesquisas já mostraram Cleitinho à frente na disputa pelo governo, enquanto Simões ainda tenta crescer no eleitorado.
Seu perfil é menos carismático e mais administrativo. Isso pode funcionar com eleitores que valorizam gestão e estabilidade, mas dificulta a comunicação em uma eleição cada vez mais marcada por redes sociais, polarização e personagens de linguagem popular.




