O PL de Minas mantém Vittorio Medioli, dono do jornal O Tempo, no tabuleiro como uma das alternativas para disputar o governo estadual caso a legenda decida lançar candidatura própria em 2026. O movimento depende, antes de tudo, do desfecho das conversas com o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que lidera pesquisas para o Palácio Tiradentes, mas ainda não confirmou se entrará na disputa.
Medioli se filiou ao PL mirando, inicialmente, uma candidatura a deputado estadual. O cenário mudou nas últimas semanas porque a indefinição de Cleitinho travou parte da montagem da direita mineira e obrigou o partido a preservar opções para diferentes formatos de chapa.
Hoje, o PL trabalha com três caminhos. O primeiro é apoiar Cleitinho, caso o senador confirme candidatura ao governo e feche aliança com os liberais. O segundo é compor com o governador Mateus Simões, do PSD, hipótese que encontra resistência em alas da sigla. O terceiro é lançar nome próprio, mantendo palanque mais direto para Flávio Bolsonaro em Minas.
É nesse terceiro cenário que ele aparece com mais força. Ex-prefeito de Betim, ex-deputado federal e empresário do setor de logística, ele reúne uma trajetória conhecida na Região Metropolitana de Belo Horizonte e tem relação direta com uma das cidades mais importantes do colégio eleitoral mineiro.
PL avalia candidatura própria em Minas
A candidatura própria é tratada pelo PL como uma possibilidade real, mas ainda não como decisão fechada. O partido também avalia Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, como opção para o governo ou para composição majoritária.
A diferença é que Medioli já tem histórico eleitoral em cargo executivo e passagem pelo Congresso. Foi prefeito de Betim por dois mandatos e deputado federal por quatro legislaturas. Essa bagagem o coloca em um perfil distinto dentro da lista de alternativas do partido, especialmente se a legenda buscar alguém com experiência administrativa e presença na Grande BH.
Nos bastidores, a principal pergunta não é apenas quem tem disposição para concorrer. É quem consegue organizar o palanque do PL sem romper completamente com outras forças da direita.
Cleitinho segue sendo o nome de maior tração eleitoral nas pesquisas. Por isso, parte do PL prefere aguardar sua decisão antes de avançar com outro projeto. Se o senador confirmar a candidatura e fechar acordo com os liberais, a tendência é que a legenda busque espaço na chapa, especialmente no Senado ou na vice.

Se ele recuar, demorar demais ou optar por outro arranjo, a discussão sobre candidatura própria ganha peso. Nesse caso, Medioli pode deixar de ser visto apenas como candidato à Assembleia e passar a ser considerado para a disputa majoritária.
Medioli entra no xadrez de Cleitinho e Simões
A situação deele também se conecta à disputa entre Cleitinho e Mateus Simões. O governador tenta atrair o PL para sua base, mas enfrenta o problema do palanque nacional. Simões está no PSD, partido que tem Ronaldo Caiado como presidenciável, enquanto o PL quer garantir protagonismo para Flávio Bolsonaro em Minas.
Para os liberais, apoiar Simões sem uma equação nacional clara pode gerar ruído com o eleitor bolsonarista. Por outro lado, lançar candidatura própria contra o governador e contra Cleitinho pode fragmentar o campo da direita.
Medioli aparece justamente como peça de segurança. Se a aliança com Cleitinho não avançar e se a composição com Simões não for considerada satisfatória, o PL teria um nome já filiado, com passagem por prefeitura, estrutura política própria e presença empresarial no estado.
A relação do empresário com Cleitinho também pesa. Segundo apurações de bastidores, os dois já conversaram sobre cenários eleitorais, inclusive sobre uma possível participação do ex-prefeito em um eventual governo do Republicanos. Isso mantém Medioli como nome flexível: pode disputar mandato proporcional, compor uma chapa ou ser acionado em um plano próprio do PL.
A decisão final, porém, não será apenas estadual. O desenho da chapa em Minas passa por Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Valdemar Costa Neto e Domingos Sávio, presidente do PL mineiro e pré-candidato ao Senado. A prioridade da sigla é construir um palanque competitivo para a disputa presidencial e, ao mesmo tempo, preservar força na eleição estadual.
Ele é uma alternativa em circulação. A força de seu nome depende do que Cleitinho decidir, do espaço que Simões oferecer e da estratégia nacional que o PL escolher para Minas.
O quadro mostra como a eleição mineira de 2026 segue aberta. Cleitinho lidera, mas não confirma. Simões governa, mas ainda tenta atrair aliados. O PL negocia, mas mantém carta própria na mesa. Nesse jogo, Vittorio Medioli virou uma das peças observadas de perto caso a legenda decida entrar sozinha na corrida pelo Palácio Tiradentes.


