Minas Gerais pode viver em 2026 uma eleição em que a comunicação deixará de ser apenas vitrine para se tornar parte direta da disputa por poder. Depois de jornalistas como Carlos Viana, Mauro Tramonte, Eduardo Costa e Gabriel Azevedo aparecerem no jogo eleitoral, outro grupo começa a chamar atenção: os donos de veículos de mídia que também devem tentar mandato.
Vittorio Medioli, dono da Sempre Editora, que publica o jornal O Tempo, é pré-candidato a deputado estadual, mas pode aparecer na disputa como vice a governador e até como o cabeça de chapa na disputa deste ano. Ele é o nome mais poderoso da lista que o Moon BH traz hoje.
O empresário tem sucesso em praticamente tudo que construiu. Ele também é sócio do Sada Cruzeiro, time de vôlei que se tornou a maior potência nacional. Metade do nome do clube, inclusive, é o mesmo da SADA, sua empresa de transportes que leva os carros da Fiat fabricados em Betim para o Brasil todo.
Por anos ele teve o jornal impresso mais vendido do país, o Super Notícia, que hoje virou portal e reduziu sua circulação apenas para a sexta-feira. Prefeito de Betim por dois mandatos, ele elegeu seu sucessor, Heron Guimarães, ex-funcionário de O Tempo.
Empresário, ex-deputado federal e ex-prefeito de Betim, ele construiu trajetória pública com base em gestão municipal, grupo econômico robusto e presença editorial.
Ruy Muniz recoloca o Hoje em Dia na disputa política
Ruy Muniz é outro caso simbólico. Ex-prefeito de Montes Claros, ex-deputado estadual e empresário com atuação em educação, saúde e comunicação, ele assumiu o controle do Hoje em Dia em 2016, em movimento que reforçou sua presença no debate público mineiro.
Sua eventual candidatura a deputado federal (cargo que a esposa já ocupou) carrega um componente regional relevante. O Norte de Minas sempre teve dinâmica própria, com lideranças locais fortes e disputa por representação em Belo Horizonte e Brasília. Ruy conhece esse território político e empresarial. Ao mesmo tempo, sua presença também reacende o debate sobre donos de veículos na política. Quando um empresário da comunicação disputa mandato, surge uma pergunta inevitável: onde termina a linha editorial e onde começa o projeto político?
Jornais, rádios e portais têm função central na formação de opinião. Quando seus proprietários entram na urna, o eleitor passa a observar não apenas a candidatura, mas também o ecossistema que cerca aquele nome. O próprio Hoje em Dia foi criado pelo então governador Newton Cardoso.
Eduardo Cunha testa Minas pelo rádio

Eduardo Cunha entra nesse cenário de forma diferente. Não é mineiro de origem nem construiu sua carreira política inicial no estado. Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro, presidiu a Câmara dos Deputados e se tornou um dos personagens mais conhecidos da política nacional.
O ex-presidente da Câmara dos Deputados aposta na força das ondas sonoras para romper barreiras do desconhecimento. Ele tem mais algumas semanas à frente de programas locais, antes de precisar se afastar dos microfones no período pré-eleitoral. Antes disso, está abrindo filiais da Rádio Maravilha por todo o interior e deve lançar a Jovem Pan News FM em alguns dias.
Por todo o interior e em Belo Horizonte, ele já opera a Rádio Maravilha, com emissora na Savassi, coração financeiro da cidade.
O eleitor terá de separar notícia, influência e campanha
A eleição de 2026 em Minas tende a exigir mais atenção do eleitor, dos partidos e dos próprios veículos. A presença de jornalistas candidatos já embaralha a fronteira entre audiência e voto. A entrada de donos de jornais e rádios embaralha ainda mais a relação entre informação, poder econômico e disputa eleitoral.
Minas chega a 2026 com um tabuleiro em que palanque, rádio, jornal, TV, portal e rede social se misturam.


