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Como Gabriel Azevedo afasta o PT de Kalil e se aproxima de Marília Campos

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O PT abriu uma nova frente de articulação em Minas Gerais. A pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT) se reuniu nesta terça-feira (26) com Gabriel Azevedo (MDB), pré-candidato ao governo estadual, e sugeriu ao presidente nacional do partido, Edinho Silva, que formalize o contato com o ex-vereador para discutir uma eventual aliança em 2026. O movimento acontece em meio à resistência de Alexandre Kalil (PDT) em se vincular abertamente ao campo petista.

O recado é direto: o PT não quer depender da boa vontade de Kalil para ter palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.

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A ironia política é evidente. Gabriel Azevedo foi um dos críticos mais duros de Kalil em Belo Horizonte. O rival histórico do ex-prefeito pode virar peça central na estratégia lulista para redesenhar a disputa pelo Palácio Tiradentes.

Por que o PT precisa de alternativas agora

A movimentação ganhou força depois do recuo de Rodrigo Pacheco (PSB). O senador era visto por meses como o nome ideal para unir Lula, centro e setores moderados em Minas. Sem ele, o campo petista passou a considerar Kalil, Jarbas Soares e Gabriel Azevedo.

A preferência interna do PT ainda pende para Kalil, pela relação com o PDT e pela força eleitoral do ex-prefeito. Mas Gabriel entrou nas conversas do campo governista depois de ser sondado por aliados ligados ao partido, ainda sem procura formal da direção.

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O problema com Kalil é estrutural. Ele pode ser o nome mais conhecido, mas preserva autonomia em Minas e resiste a carregar a marca lulista na campanha. Para o PT, isso é um risco real: Minas é estratégica demais para ter um palanque morno.

O papel de Marília Campos na articulação

Marília já descartou concorrer ao governo estadual. Disse publicamente que não há “nenhuma possibilidade” de disputar o Palácio Tiradentes, o que paradoxalmente aumenta sua força como articuladora.

Sem interesse próprio no cargo, ela pode costurar uma composição sem o custo de ter agenda pessoal na escolha do nome. O que Marília precisa é de um palanque forte para sua candidatura ao Senado e para a reeleição de Lula em Minas. Se Kalil resistir ao PT, a candidatura dela fica sem eixo estadual claro.

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Divulgação – Presidência

Ao se reunir com Gabriel e sugerir que Edinho Silva formalize o contato, Marília mandou um recado que o Moon BH acompanha de perto: o PT não vai ficar esperando Kalil decidir sozinho o destino do campo governista mineiro.

Quem é Gabriel Azevedo e por que interessa ao PT

Gabriel foi presidente da Câmara Municipal de BH e um dos políticos mais combativos da capital na última década. Lançado pelo MDB como pré-candidato ao governo estadual em 2025, com aval do presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, ele tenta agora construir uma imagem mais moderada e propositiva.

Esse perfil interessa ao PT por uma razão direta: sem Pacheco, falta um nome com discurso institucional capaz de disputar o eleitor moderado. Gabriel pode funcionar como ponte para setores do centro e para parte do eleitorado que rejeita tanto o bolsonarismo quanto o estilo de Kalil.

Em declarações recentes, o próprio Gabriel disse que conversa com “todo mundo” e mantém diálogo com lideranças petistas e bolsonaristas em busca de apoio à sua pré-candidatura.

O rival histórico de Kalil como plano B

A aproximação tem um elemento que torna o movimento ainda mais revelador.

Na campanha municipal de 2024, Gabriel afirmou que Kalil havia “destruído” as administrações regionais de BH e prometeu criar subprefeituras para corrigir o modelo. Em 2022, publicou texto duro contra o ex-prefeito, usando a expressão “BH servil a Alexandre Kalil”, com críticas à relação de Kalil com a máquina pública.

Uma eventual composição entre PT e Gabriel, mesmo que informal, teria efeito duplo. Amplia as opções do campo lulista. E pressiona Kalil ao deixar claro que ele não é insubstituível.

Os riscos de cada lado

Para o PT, o risco está na viabilidade eleitoral de Gabriel. Ele aparece nas pesquisas atrás de Cleitinho Azevedo (Republicanos), Mateus Simões (PSD), Pacheco e Kalil. Para virar alternativa real, precisaria crescer muito no interior e convencer o eleitor de que sua candidatura tem musculatura.

Reprodução – CMBH

Para Gabriel, o risco é perder o centro. Ele se apresenta como terceira via. Uma associação excessiva ao PT pode afastar eleitores moderados, liberais e antipetistas que poderiam vê-lo como opção fora do campo tradicional.

Para o MDB, o cálculo é diferente. O partido pode preferir manter Gabriel como candidatura própria, sem se subordinar ao PT, ou usar a conversa com Marília como moeda de negociação numa composição mais ampla.

Como o tabuleiro está organizado

O Moon BH acompanha o cenário eleitoral mineiro desde que Rodrigo Pacheco começou a ser cotado para o governo. O que o movimento desta semana confirma é que o campo lulista em Minas está mais aberto e mais instável do que parecia em janeiro.

Cleitinho lidera. Simões cresce com a máquina estadual. Kalil tenta se posicionar sem se comprometer. E o PT, que precisa de Minas para 2026, movimenta as peças sem esperar que o tabuleiro se resolva sozinho.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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