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Cleitinho Azevedo: o fiel da balança que pode redesenhar o poder em Minas Gerais

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O xadrez político em Minas Gerais para as eleições de 2026 começou a ser jogado com uma peça que possui um movimento único no tabuleiro: o senador Cleitinho Azevedo. Enquanto a maioria dos nomes tradicionais precisa se lançar ao escrutínio público para garantir a sobrevivência de seus mandatos, o parlamentar do Republicanos desfruta de uma posição de conforto e influência que poucos em Belo Horizonte ou Brasília possuem neste momento.

O PL e o Republicanos estão encaminhando uma aliança estratégica no estado. No entanto, o peso dessa união não reside apenas no tempo de televisão ou nos recursos partidários. O fator determinante é como o senador será utilizado nessa composição. Ele deixou de ser apenas um provável candidato ao Palácio Tiradentes para se tornar o grande fiador de votos e palanques da direita mineira.

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Essa movimentação revela uma mudança de paradigma. Cleitinho não precisa necessariamente estar na urna para decidir o pleito. Sua força hoje atua como uma energia de transferência: onde ele colocar a mão, o capital eleitoral tende a seguir.

A força dos 4 milhões de votos e o mandato de segurança

Para entender por que o senador se tornou o centro das atenções, é preciso olhar para a matemática das últimas eleições. Em 2022, ele foi eleito com uma votação esmagadora, superando a marca de 4 milhões de votos (41,98% dos válidos). Mais do que um número, esse desempenho consolidou o parlamentar como um fenômeno de comunicação direta, capaz de furar as bolhas da política tradicional mineira.

Outro ponto crucial é a sua estabilidade. O mandato de senador vai até 2031. Isso significa que ele tem “nada a perder” em 2026. Se decidir não disputar o governo, continua com sua cadeira garantida em Brasília. Se entrar na disputa, o faz sem o risco de ficar desempregado politicamente em caso de derrota.

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Essa “folga” cronológica aumenta exponencialmente seu poder de barganha. Ele pode negociar a indicação de um vice, exigir espaços estratégicos ou simplesmente atuar como o grande cabo eleitoral de uma chapa unificada, emprestando seu carisma digital a nomes com perfil mais técnico ou empresarial.

O dilema da direita entre união e fragmentação

O principal objetivo da cúpula liberal, liderada pelo PL, é evitar o que os analistas chamam de “suicídio por pulverização”. Quando o campo conservador lança múltiplos candidatos, ele abre caminho para que soluções de centro ou candidaturas ligadas ao governo federal ganhem tração e cheguem ao segundo turno.

A aliança que está sendo costurada foca em dois caminhos principais:

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  • Chapa pura de impacto: O senador como cabeça de chapa, tendo um nome do PL como vice.
  • Composição empresarial: Um nome de peso do setor produtivo liderando, com o apoio formal e intensivo do parlamentar.

Entre os nomes ventilados pelo PL para encabeçar esse projeto aparecem figuras como o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe. A ideia é unir a experiência administrativa desses gestores com a explosão popular do senador. Se essa união for selada, a direita mineira entra no jogo com uma musculatura difícil de ser ignorada.

A sombra de Cleitinho sobre a sucessão de Romeu Zema

Essa movimentação atinge em cheio os planos do atual grupo que ocupa o governo mineiro. O governador Mateus Simões, herdeiro político direto de Romeu Zema, trabalha para se consolidar como o nome da continuidade. No entanto, Simões enfrenta o desafio de construir uma identidade popular que vá além da eficiência administrativa.

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais
Gil Leonardi/Imprensa MG

Se o PL e o Republicanos fecharem um bloco isolado com o senador, o governo estadual corre o risco de perder uma fatia generosa do eleitorado conservador e “zerrista” raiz. O apoio que hoje parece natural a Mateus Simões pode migrar rapidamente para uma chapa que ostente a chancela de Cleitinho.

Para Zema, que projeta voos nacionais, a divisão da direita em seu próprio quintal é um cenário perigoso. Uma derrota do seu sucessor enfraqueceria sua narrativa de liderança regional incontestável, tornando a articulação com o grupo de Cleitinho uma necessidade de sobrevivência política para o atual governador.

O radar da esquerda e o fator Rodrigo Pacheco

Enquanto a direita tenta se organizar para evitar rachas, o campo progressista observa cada passo com atenção. Para PT, PSB e PDT, uma direita fragmentada é o melhor dos mundos. Se os conservadores brigarem entre si, a esquerda tem chances reais de ocupar o espaço de moderadora e chegar com força à reta final.

Foto Rodrigo Pacheco em um xadrez eleitoral em Minas Gerais
Foto: Moon BH – Departamento de arte

No entanto, há uma incógnita chamada Rodrigo Pacheco. O ex-presidente do Senado já sinalizou que, por ora, não pretende disputar o governo mineiro. Sem o nome de Pacheco, que possui trânsito entre diferentes setores da sociedade, o governo federal precisa recalibrar sua estratégia em Minas.

A decisão de Cleitinho acaba funcionando como um termômetro para os adversários. Se ele decidir ser o avalista de uma chapa única, a esquerda terá que buscar uma união igualmente sólida ou um nome de apelo popular muito forte para equilibrar a balança no segundo maior colégio eleitoral do país.

O calendário que decide o futuro antes das urnas

Oficialmente, as eleições de 2026 só acontecem em outubro:

  • Primeiro turno: 4 de outubro de 2026.
  • Segundo turno (se houver): 25 de outubro de 2026.

Contudo, para o cenário mineiro, a eleição pode ser decidida muito antes, nas convenções e nos jantares de negociação em Belo Horizonte. A capacidade do senador de influenciar essas alianças define não apenas quem terá mais tempo de propaganda, mas quem terá o “selo de autenticidade” do eleitorado que hoje rejeita a política tradicional.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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