O projeto da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para captar até R$ 1 bilhão em crédito junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco do Brics, entrou em sua fase mais decisiva na Câmara Municipal. O recurso internacional é a peça-chave para viabilizar a reengenharia completa e o pacote de intervenções no Anel Rodoviário, via que passou para a responsabilidade do município em 2025.
Sob a gestão do prefeito Álvaro Damião, o objetivo central é acabar com a função de “mera rodovia” do Anel, transformando-o em um corredor urbano moderno, seguro e com fluidez para o trânsito da capital.
O plano do “Novo Anel”: Viadutos e fim dos gargalos
O Projeto de Lei (PL) 646/2026 detalha exatamente onde o dinheiro será injetado. A prioridade máxima da engenharia de tráfego é atacar os afunilamentos históricos que travam o fluxo de veículos leves e pesados durante os horários de pico.
O financiamento deve bancar um conjunto de oito grandes intervenções, concentradas na adequação de alças de acesso e na ampliação de elevados. Os pontos críticos que passarão por obras estruturais incluem:
- A Praça São Vicente;
- Os viadutos Teresa Cristina e São Francisco;
- O complexo de interligação da Avenida Amazonas à BR-040;
- Novos elevados e conexões na região da Avenida Presidente Antônio Carlos.
Foco na vida: O combate à letalidade viária

Para além de destravar o trânsito, a segurança viária é o pilar que sustenta e justifica o pedido de empréstimo internacional. O Anel Rodoviário permanece como um dos trechos rodoviários mais perigosos de Belo Horizonte.
A mistura diária entre o tráfego logístico pesado e o fluxo urbano é o principal fator de risco, gerando pontos de conflito onde manobras bruscas frequentemente resultam em colisões fatais. O redesenho das alças e a melhoria dos acessos visam neutralizar essas armadilhas. Além disso, a PBH destinará parte do recurso para a restauração das passarelas existentes e a construção de novas travessias para pedestres, projetando uma redução drástica na periculosidade da via até o fim de 2028.
Contas em dia e a matemática na Câmara Municipal
A viabilidade técnica e contábil da operação de crédito foi atestada por relatórios da Secretaria Municipal de Fazenda. Os indicadores de endividamento mostram que Belo Horizonte possui plena capacidade de captação, mantendo-se confortavelmente abaixo dos tetos exigidos pelo Senado Federal.
Esse fôlego fiscal já garantiu o parecer favorável da Comissão de Legislação e Justiça ao projeto. Contudo, o rito legislativo exige articulação política: para que o dinheiro chegue aos cofres do município, o texto ainda precisa ser aprovado pelas comissões de mérito e, no plenário, conquistar o voto favorável de pelo menos 28 dos 41 vereadores, em dois turnos de votação.
O impacto da aprovação transcende a segurança, atingindo em cheio a produtividade econômica de Belo Horizonte ao reduzir custos logísticos e o tempo de deslocamento da classe trabalhadora. Com o aval final da Câmara, a prefeitura espera formalizar o contrato com o NDB ainda este ano, prometendo transformar o “Novo Anel” em canteiro de obras logo no próximo semestre.
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