O Grupo Coutinho, dono das marcas Extrabom, Atacado Vem e ExtraPlus, virou mais um caso forte no debate sobre o fim da escala 6×1 no varejo alimentar. A rede capixaba anunciou que pretende levar a escala 5×2 a mais de 5 mil trabalhadores até o fim do ano. Mas por que em Minas, São Paulo e Santa Catarina estão seguindo?
O modelo prevê dois dias de descanso por semana e lojas fechadas aos domingos por causa da convenção coletiva do Espírito Santo. O movimento interessa diretamente a Minas, onde Supernosso, Verdemar e outras redes acompanham a mesma discussão de perto.
Como a mudança começou no Espírito Santo
A transição no Grupo Coutinho começou de forma experimental em janeiro. As primeiras lojas com o novo modelo foram unidades do Extrabom em Laranjeiras, na Serra; Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória. Juntas, elas somam mais de 400 empregados.A meta é ampliar gradualmente para as 49 lojas do grupo no Espírito Santo, alcançando cerca de 80% dos 6.800 colaboradores.
O formato adotado não reduz a carga semanal para 40 horas. Para manter as 44 horas, os funcionários trabalham cerca de 8h40 por dia. A folga extra não tem dia fixo, enquanto o domingo já fica preservado pelo fechamento obrigatório dos supermercados capixabas.
O custo absorvido pela rede
O presidente Luiz Coutinho disse que duas lojas tiveram custo cerca de 2% maior, absorvido sem repasse ao consumidor. O dado é relevante porque um dos principais receios do setor é justamente o impacto financeiro da mudança de jornada.
A experiência revela uma virada no varejo alimentar. A escala 5×2 deixou de ser apenas bandeira sindical ou proposta no Congresso e passou a ser ferramenta de gestão.
O objetivo é resolver um problema prático: falta de mão de obra, rotatividade alta e dificuldade de convencer trabalhadores a aceitar jornadas com apenas uma folga semanal.
São Paulo e Santa Catarina também testam a transição
Fora de Minas e Espírito Santo, o Supermercados Pague Menos, no interior de São Paulo, é outro caso relevante. A rede iniciou a adoção da escala 5×2 em unidades de Limeira e São Pedro e também anunciou mudança no funcionamento aos domingos: uma loja em Santa Bárbara d’Oeste deixou de abrir nesse dia, enquanto unidades em Tietê, Boituva e Araras passaram a operar com horário reduzido, das 8h às 18h.
Depois, o Pague Menos ampliou o modelo para outras lojas. Em março, o grupo já previa oito unidades operando dentro da nova jornada, com escala 5×2, domingos com folgas alternadas e horários reduzidos. A rede também destacou ganhos de previsibilidade para colaboradores e ajustes operacionais para manter atendimento.
Em Santa Catarina, o Grupo Koch também passou a testar a escala 5×2 em nova unidade da bandeira Komprão, em São Bento do Sul. O projeto foi apresentado como piloto, com acompanhamento dos efeitos sobre operação e qualidade de vida dos funcionários. A rede catarinense é uma das maiores do estado e entrou no debate como exemplo de empresa que prefere testar antes de esperar a definição final em Brasília.
O Congresso discute justamente essa segunda etapa. A PEC aprovada na Câmara prevê dois dias de descanso e jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto ainda depende do Senado. Se avançar sem mudanças, redes que já testaram o 5×2 sairão na frente, mas ainda precisarão lidar com a redução de quatro horas semanais.


