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Supernosso abre o jogo sobre escala 5×2 em supermercados de BH

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O debate sobre a flexibilização das jornadas de trabalho ganhou um argumento prático e de peso no varejo mineiro. O Grupo Supernosso confirmou que a adoção da escala 5×2 em suas lojas-piloto não provocou queda na produtividade e, mais do que isso, trouxe uma melhora sensível na retenção de talentos.

O experimento, iniciado em março de 2026, sinaliza que o setor de supermercados — tradicionalmente dependente da escala 6×1 — pode estar diante de uma transição operacional viável.

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Atualmente, o teste envolve 500 colaboradores distribuídos em três unidades. Contudo, os resultados positivos já fazem a companhia planejar a expansão do modelo para as outras 42 lojas da região metropolitana de Belo Horizonte, atingindo um contingente total de 4.800 funcionários.

A engenharia por trás do 5×2: Concentração, não redução

É importante destacar que o Supernosso não reduziu a carga horária semanal, mas sim a sua distribuição. A jornada permanece em 44 horas semanais sem alteração salarial. A mudança reside na concentração do esforço:

  • Modelo Antigo (6×1): Seis dias de trabalho (aprox. 7h20/dia) com um dia de folga.
  • Modelo Piloto (5×2): Cinco dias de trabalho (8h48/dia) com dois dias de folga.

A lógica da empresa é reduzir a “carga emocional e física” do deslocamento diário, oferecendo um final de semana completo ou dois dias de descanso consecutivos em troca de um expediente diário ligeiramente mais longo.

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Adaptação do cliente e eficiência operacional

Um dos maiores receios do varejo alimentar ao reduzir dias de trabalho é a perda de faturamento por conta do horário de funcionamento. No entanto, o Supernosso relatou que a clientela se adaptou rapidamente ao fechamento das lojas uma a três horas mais cedo em determinados dias e aos domingos.

Foto da fachada do Supernosso, supermercado de Belo Horizonte
Foto: Divulgação

A ausência de queda nas vendas sugere que o consumo em supermercados é, em grande parte, programado ou transferível para horários de pico, permitindo que a rede otimize a escala sem sacrificar o caixa. Para o setor, que lida com uma rotatividade (turnover) historicamente alta, a melhora na retenção de funcionários é um ganho indireto que reduz custos de treinamento e contratação.

O impacto no varejo de Minas Gerais

O sucesso do Supernosso atua como um laboratório para outras gigantes do setor em Minas, como o Grupo DMA e os Supermercados BH. O varejo mineiro enfrenta dificuldades crescentes para atrair mão de obra para funções operacionais devido ao desgaste das escalas tradicionais.

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Se o modelo 5×2 se provar escalável para as 45 unidades do grupo, ele deixará de ser uma “pauta trabalhista” para se tornar uma ferramenta de competitividade. Empresas que oferecem dois dias de folga tendem a atrair os melhores profissionais em um mercado cada vez mais atento à qualidade de vida.

Próximos passos para 2026

A expansão do projeto ao longo do segundo semestre de 2026 exigirá uma coordenação logística rigorosa. Levar o 5×2 para quase 5 mil colaboradores demanda:

  1. Reorganização total dos turnos de reposição e caixa.
  2. Gestão precisa dos horários de pico para evitar filas nos horários reduzidos.
  3. Monitoramento contínuo do clima organizacional para validar se a jornada de 8h48 não gera fadiga excessiva.
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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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