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Por que tantos atletas de fisiculturismo como Mailson Araújo estão morrendo?

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A morte do fisiculturista Mailson Araújo Santos, atleta profissional da categoria Men’s Physique, reacendeu uma pergunta que volta sempre que um competidor jovem morre de forma repentina: por que tantos nomes do fisiculturismo parecem morrer cedo? No caso de Mailson, a causa da morte ainda não foi divulgada, e qualquer tentativa de ligar o óbito a uma substância ou prática específica seria precipitada.

O que já se sabe é que ele morreu aos 35 anos, no interior da Bahia, dias antes de voltar aos palcos no Musclecontest Brazil 2026.

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O cuidado é necessário porque cada morte tem uma história clínica própria. Pode haver doença cardíaca silenciosa, predisposição genética, infecção, arritmia, uso de substâncias, desidratação, hipertensão, combinação de fatores ou causas ainda não esclarecidas. Mas o debate é legítimo. Um estudo publicado no European Heart Journal e divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia analisou mais de 20 mil fisiculturistas homens que competiram entre 2005 e 2020 e identificou 121 mortes, com idade média de 45 anos.

Mortes súbitas cardíacas representaram 38% dos casos, e o risco foi mais de cinco vezes maior entre profissionais do que entre amadores.

A diferença entre musculação e fisiculturismo competitivo precisa aparecer logo no começo dessa conversa. Fazer treino de força com orientação, comer melhor e ganhar massa muscular pode fazer parte de uma vida saudável.

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O problema está em outro lugar: na busca extrema por um corpo de palco, com baixíssimo percentual de gordura, volume muscular fora do comum, manipulação de água, dieta agressiva, treino pesado e, em muitos casos, uso de drogas para desempenho ou estética.

O corpo de palco não é o corpo saudável do dia a dia

O fisiculturismo premia aparência. O atleta sobe ao palco para ser julgado por simetria, definição, volume, proporção e apresentação. Isso empurra a preparação para um limite que o público comum nem sempre entende. O físico que aparece seco, vascularizado e “perfeito” no dia da competição não é o corpo normal daquele atleta. É um estado temporário, construído para algumas horas.

Nas semanas finais, muitos competidores reduzem gordura ao máximo, restringem calorias, ajustam carboidratos, manipulam ingestão de água e tentam chegar ao palco com aparência mais “seca”. A Sociedade Europeia de Cardiologia cita justamente esses elementos — restrição alimentar severa, perda rápida de peso, desidratação e uso de substâncias para performance — como práticas capazes de sobrecarregar o sistema cardiovascular e aumentar risco de arritmias e alterações estruturais no coração.

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Esse é o ponto que separa o esporte da imagem vendida nas redes. O público vê o resultado final: abdômen trincado, ombros largos, pele fina, veias aparentes. Não vê pressão arterial, eletrólitos, função renal, sono, humor, fígado, exames hormonais, alterações no colesterol ou a carga psicológica de manter o corpo em um padrão impossível por muito tempo.

Anabolizantes são o risco mais conhecido, mas não o único

Sempre que um fisiculturista morre, a primeira suspeita popular recai sobre anabolizantes. O tema é inevitável, mas precisa ser tratado com precisão. Não se pode afirmar que um atleta usava esteroides sem prova. Também não se pode fingir que o uso dessas substâncias é irrelevante no ambiente competitivo.

O Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para finalidade estética, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo. A resolução foi publicada em 2023 e se aplica a atletas amadores e profissionais, justamente pela falta de comprovação de segurança e pelos riscos associados ao uso fora de indicação médica.

Entre os efeitos adversos listados pelo CFM estão hipertrofia cardíaca, hipertensão arterial, infarto, aterosclerose, aumento da formação de coágulos, vasoespasmo, doenças hepáticas, transtornos mentais, dependência, infertilidade, disfunção erétil e queda de libido. É uma lista que ajuda a explicar por que médicos tratam o uso indiscriminado como problema de saúde pública, não como escolha estética inofensiva.

O risco aumenta quando o corpo recebe doses acima do fisiológico por tempo prolongado, quando há combinação com outras drogas ou quando o atleta passa por fases de corte extremo. Estimulantes, hormônio do crescimento, moduladores hormonais e diuréticos podem entrar nesse universo. A lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping inclui agentes anabólicos e diuréticos/masking agents, usados no esporte tanto por efeito direto quanto por tentativa de mascarar outras substâncias.

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Redação - Moon BH
Redação - Moon BHhttps://moonbh.com.br
Jornalistas especializados na cobertura diária da cultura, entretenimento e política que acontece em Belo Horizonte e no Brasil, trazendo informações precisas e objetivas.