Um dos profissionais mais experientes do jornalismo investigativo da Globo Minas, Fernando Zuba encerrou uma trajetória de 13 anos na emissora e já tem um novo destino profissional. O jornalista, que atuava na produção de grandes investigações em Minas Gerais e abastecia programas nacionais da Globo, seguirá agora para o site de notícias políticas O Fator, segundo apuração do Moon BH.
Zuba deixou a Globo nesta semana. O desligamento foi comunicado na quarta-feira (7). A saída após 13 anos havia sido revelada inicialmente pelo NaTelinha.Mas segundo nossa apuração, ele não foi desligado, mas pediu demissão.
Na Globo, Zuba ocupava uma função pouco visível para quem acompanha o jornalismo apenas pela televisão, mas estratégica dentro da redação: a apuração investigativa.
Informações levantadas por ele em Belo Horizonte não ficavam restritas ao MG1, MG2 ou ao g1 Minas. As investigações produzidas pela equipe mineira alimentavam também a cobertura nacional da emissora, incluindo programas como Jornal Nacional e Fantástico.
Fernando Zuba era referência em investigação na Globo Minas
Em perfil publicado pela PUC Minas em 2024, Fernando Zuba era descrito como produtor especialista da Globo Minas e integrante do Núcleo de Jornalismo Investigativo.
Na época, ele era apontado como o único jornalista diretamente responsável pelo núcleo investigativo da emissora em Minas, área que anteriormente também contou com profissionais como Naiana Andrade, Lucas Ragazzi e Ricardo Melo. Seu trabalho era concentrado especialmente em investigações policiais, operações da Polícia Federal, corrupção, fraudes e casos de grande repercussão.
Um exemplo conhecido foi a investigação sobre irregularidades administrativas no Cruzeiro, que originou reportagens exibidas nacionalmente pelo Fantástico. Zuba aparece como um dos jornalistas envolvidos na apuração dos desdobramentos do caso.
De Brumadinho a operações da Polícia Federal
Ao longo da passagem pela Globo, Fernando Zuba esteve envolvido em algumas das maiores coberturas jornalísticas realizadas em Minas na última década.
Em entrevista à PUC Minas, ele citou trabalhos relacionados aos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, o caso do goleiro Bruno e a investigação da falsa vacinação contra a Covid-19 em Belo Horizonte.
Também se especializou no acompanhamento de operações policiais e investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Polícia Civil. Essa atuação ainda era exercida até pouco antes da saída.
Em setembro de 2026, Zuba assinou no g1 Minas reportagens sobre a investigação da Polícia Federal envolvendo suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte. No mesmo mês, recebeu uma homenagem do Ministério Público de Minas Gerais.
Carreira começou no jornal impresso

A ida para um veículo digital representa também uma espécie de retorno às origens de Fernando Zuba no jornalismo escrito. Antes da Globo, ele passou por alguns dos principais veículos de comunicação de Minas Gerais, incluindo O Tempo, Hoje em Dia, Estado de Minas/Aqui, Metro e Rádio Inconfidência.
Em 2011, por exemplo, foi anunciado como subeditor da edição mineira do jornal Metro, então lançado em Belo Horizonte pelo Grupo Bandeirantes. A experiência com polícia e jornalismo investigativo acabou se tornando sua principal especialização.
Segundo informações publicadas pelo NaTelinha, a saída foi comunicada pela gerente de jornalismo da praça, Ana Raquel Copetti, que assumiu o comando da área no início de 2026. A publicação afirma que novas mudanças na equipe são esperadas.
A movimentação chama atenção porque o jornalista ocupava uma posição especializada dentro da redação e tinha atuação diretamente ligada a fontes policiais e judiciais cultivadas durante anos. Em março deste ano, por exemplo, Zuba representou a Globo Minas ao lado de Ana Raquel Copetti em uma visita institucional ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte. O próprio tribunal o identificou na ocasião como repórter investigativo da emissora.


