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Ele saiu da Globo e criou um dos sites mais influentes de MG: quem é Lucas Ragazzi de O Fator

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Se há alguns anos trabalhar em um grande veículo de comunicação sinônimo de prestígio, hoje os jornalistas têm, no digital, a oportunidade de se tornarem donos de mídia. O Moon BH conversou com Lucas Ragazzi, publisher do portal O Fator, que em dois anos cravou seu lugar ao sol em Minas Gerais como um dos canais mais influentes sobre política.

Ragazzi disse que o site foi construído para falar com políticos, empresários, advogados, magistrados, integrantes do Ministério Público, servidores públicos e assessorias. Seu sócio é o empresário Ricardo Kertzman, empresário e ex-colunista da Itatiaia e Estado de Minas.

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De repórter a dono de mídia

Com passagens por grandes grupos de comunicação de Minas, Lucas Ragazzi hoje ocupa uma posição diferente. Além de repórter, atua como publisher e sócio do próprio veículo. Ele conta que a principal função continua sendo buscar informação, mas reconhece que a rotina mudou. No O Fator, também precisa lidar com responsabilidades executivas, linha editorial, contato direto com fontes, reclamações e decisões administrativas.

Moon BH: Qual a diferença entre migrar de repórter para publisher e dono de mídia?

“Tem muita diferença. Ainda sou repórter, como sempre, e minha principal função continua ser buscando informação, mas hoje no O Fator eu tenho responsabilidades executivas. Não existe mais aquela “barreira” até uma reclamação ou problema chegar, eu tenho que atuar diretamente para manter a visão completa da linha editorial e compromisso com jornalismo de qualidade, bem apurado”

Furos vêm de equipe especializada

Um dos pontos de maior repercussão do O Fator tem sido a publicação de bastidores políticos e institucionais. Ragazzi atribui esse desempenho à formação da equipe.

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Segundo ele, o site reúne jornalistas com experiência e fontes construídas ao longo dos anos. Para o publisher, áreas como política, mercado e Judiciário exigem repórteres habituados a conversar com interlocutores desses ambientes.

“É um mérito da equipe que estamos construindo. Hoje temos jornalistas que também têm uma história no jornalismo, nos contatos com os interlocutores dos poderes e mercados daqui. Sem isso seria impossível ter essas informações”

Ele fez um paralelo entre futebol e política que reforça formação de profissionais do jornalismo dentro das redações e como a especialização se torna essencial para um jornalismo focado em dados e bastidores:

“Você não pode cobrar de um repórter recém formado, ou outro que sempre trabalhou com esporte ou cultura, para conseguir bastidores de política, por exemplo. Fazendo uma comparação, é igual futebol, o zagueiro não pode ser o camisa 10 que vai criar as jogadas, cada um tem que jogar na posição que está mais adaptado e treinando”.

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Audiência menor, mas mais qualificada

Ragazzi afirma que o O Fator não tem como objetivo competir em volume com os maiores veículos do estado. A estratégia é diferente: atingir um público menor, mas com maior influência institucional e econômica.

“Nós jamais vamos competir com a Itatiaia, O Tempo ou Estado de Minas em números e audiência, mas podemos competir na qualidade do que chega a um público específico. A nossa opção foi focar em atingir pessoas estratégicas, políticos, empresários, advogados, a magistratura, o MP, o funcionalismo e assessorias, todo esse universo que costumamos chamar de “o poder”. Até aqui o retorno tem sido positivo, estamos atingindo quase que exclusivamente esse público”, contou o jornalista, que agora também é empresário.

Jornalismo de nicho ganha espaço

Lucas Ragazzi de O Fator
Fotos: arquivo pessoal

Na entrevista, Ragazzi relaciona o surgimento de veículos como O Fator a mudanças tecnológicas e no consumo de notícia. Para ele, a popularização das redes sociais e o uso constante do celular abriram espaço para que jornalistas criem seus próprios veículos.

Moon BH: Quais os desafios de construir uma nova marca em um mercado em que os concorrentes têm 70, 80, 90 anos? Por que seu conteúdo é diferente?

“Os grandes veículos são um sucesso por conta da credibilidade e qualidade que atingiram ao longo dos anos e décadas, e seria quase impossível criar um O Fator nos anos 90 ou 2000”

A internet foi uma virada de chave para o surgimento de novos veículos: “Com a mega popularização das redes sociais e o vício generalizado no celular que todos nós estamos vivendo, ficou mais viável criar experiências assim. Hoje o jornalista consegue ser o seu próprio veículo, ele não precisa mais estar na Globo ou na Folha para produzir bom jornalismo e viver. Temos casos gigantescos nacionais, como a CazeTV, e regionalmente o próprio Moon BH. Tendo bom conteúdo, que vai interessar o público alvo, as redes conseguem atingir. O desafio principal é a monetização disso”.

Judiciário virou área de atenção

Outro diferencial citado por Ragazzi é a cobertura do Judiciário em Minas. Ele afirma que essa é uma área historicamente pouco explorada pela imprensa local, tanto pela dificuldade de acesso quanto pelo receio de veículos em contrariar atores de um poder que julga casos de grande impacto.

“É um ambiente pouco explorado em geral por motivos diversos – os veículos as vezes têm receio em desagradar, até porque o Judiciário julga casos de empresas ligadas aos donos, e também é um Poder difícil de acessar e criar fontes. Apesar de agora todo dia ligarmos a TV e vermos um ministro do STF dando opinião, a lógica nos tribunais estaduais e Varas ainda é diferente, é muito difícil um magistrado dar abertura a jornalista”, diz.

Rotina da redação também entra no modelo

Além da estratégia editorial, Ragazzi destaca a tentativa de criar uma rotina de trabalho mais saudável para a equipe. Ele afirma que o site busca evitar plantões de fim de semana e feriados, salvo em casos de grande relevância jornalística.

“Acho que algo pouco comentado é o quanto os jornalistas estão adoecidos e desanimados, em geral. É muito plantão, é muita pressão, disputas internas. Acho que um mérito nosso no O Fator é tentar ao máximo oferecer qualidade de vida à equipe”

Por fim, talvez ele traga a receita que dê sabor ao conteúdo que cria com novos colegas, vindos de outros grandes veículos: “É muito mais fácil um jornalista entusiasmado, em paz com a vida, conseguir fazer um bom trabalho do que alguém que está murcho, desanimado. O jornalista precisa ter tesão em fazer jornalismo”.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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