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Palmeiras montou um time para não sofrer e quase caiu justamente onde tentou se proteger

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O Palmeiras entrou em campo contra a LDU com uma preocupação evidente: impedir que a vantagem construída no primeiro jogo desaparecesse na altitude de Quito.

Abel Ferreira respondeu montando provavelmente uma das formações mais cautelosas utilizadas pelo time na temporada.

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Foram três zagueiros, três jogadores de meio com forte participação defensiva e laterais orientados inicialmente a proteger espaços. Vitor Roque começou no banco. Jhon Arias e Flaco López ficaram como principais referências para atacar.

O paradoxo apareceu no placar. O Palmeiras sofreu três gols, dois deles nos minutos finais e construídos a partir de bolas enviadas para dentro da área.

O time montado para aumentar a proteção defensiva quase perdeu a vaga justamente no espaço em que tentou colocar mais jogadores. Só Carlos Miguel, nos pênaltis, evitou que a estratégia terminasse associada a uma eliminação.

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Abel levou seis jogadores para proteger o centro

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O Palmeiras começou com três zagueiros e povoou o meio-campo, reduzindo o número de jogadores com funções prioritariamente ofensivas.

Segundo relato do jogo publicado pelo Estadão e reproduzido por diferentes veículos, o time chegou a atuar com apenas Jhon Arias e Flaco López posicionados de maneira mais agressiva durante parte do primeiro tempo.

A intenção fazia sentido dentro do contexto. O Palmeiras carregava a vantagem da partida de ida, jogava na altitude e ainda tinha na memória a goleada sofrida em Quito na temporada anterior.

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O problema foi a maneira como a proteção funcionou. Em alguns momentos do primeiro tempo, a equipe chegou a ter apenas 12% de posse de bola. Quanto mais recuava, mais permitia que a LDU acumulasse presença no campo ofensivo.

Três zagueiros não impediram três gols

Mesmo aumentando o número de defensores, o Palmeiras sofreu três vezes.

A LDU empatou rapidamente depois de Marlon Freitas abrir o placar. O jogo permaneceu equilibrado durante boa parte da noite, e o Verdão voltou a ficar à frente antes de sofrer um colapso nos minutos finais.

Michael Estrada marcou duas vezes e virou para 3 a 2. Os dois gols nasceram de bolas direcionadas para dentro da área.

Ou seja: em uma partida na qual Abel Ferreira aumentou justamente a presença física e numérica em frente ao próprio gol, a LDU conseguiu sobreviver pela bola aérea.

A análise publicada pelo UOL apontou o mesmo problema e lembrou que o Palmeiras já havia sofrido situação semelhante contra o Fluminense.

O alerta não começou em Quito

A repetição torna o episódio mais importante do que simplesmente dois gols sofridos nos acréscimos. Contra o Fluminense, pelo Brasileirão, o Palmeiras também perdeu controle nos minutos finais e sofreu com jogadas aéreas.

Isso significa que o problema não pode ser explicado apenas pela altitude ou pelo cansaço provocado por Quito.

O Moon BH já mostrou recentemente como Abel precisou administrar a disponibilidade de seus zagueiros durante a temporada. A quantidade de opções permitiu ao treinador variar sistemas e utilizar uma linha com três defensores quando considerou necessário.

Contra a LDU, porém, quantidade não significou necessariamente controle.

O Palmeiras acumulou jogadores perto da própria área, mas não conseguiu impedir que o adversário atacasse exatamente aquela região.

Vitor Roque mudou a postura do time

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

A escolha por uma formação mais conservadora também teve um custo na saída.

Vitor Roque iniciou a partida no banco apesar de ter recuperado espaço e gols nas últimas semanas. Quando o atacante apareceu, o Palmeiras passou a oferecer outro tipo de ameaça.

Ele voltou a marcar, participou da reação e ainda assumiu a primeira cobrança na disputa de pênaltis com uma cavadinha. A entrada mostrou como aumentar a capacidade de atacar também pode funcionar como mecanismo de proteção.

Um adversário obrigado a se preocupar com profundidade tem menos liberdade para empurrar todos os jogadores até a área rival.

Essa talvez seja uma das principais informações que a partida deixou para Abel.

Carlos Miguel evitou que o debate fosse muito diferente

Foto: divulgação – Palmeiras

Carlos Miguel defendeu duas cobranças e garantiu a vitória por 4 a 3 nos pênaltis. O clube chegou novamente à semifinal da Libertadores e segue vivo também no Brasileirão e na Copa do Brasil. O Palmeiras avançou, e isso muda naturalmente o peso de qualquer análise.

O resultado permite corrigir sem carregar o custo de uma eliminação. Mas não apaga os minutos finais.

O Palmeiras montou uma estrutura para reduzir riscos, colocou mais jogadores de característica defensiva em campo e chegou aos acréscimos em situação controlada. Mesmo assim, permitiu dois gols praticamente consecutivos pelo alto.

Contra a LDU, Carlos Miguel resolveu depois. Nas próximas decisões, Abel Ferreira precisará descobrir por que um time montado especificamente para proteger a própria área quase perdeu a Libertadores justamente dentro dela.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.