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Palmeiras: problema de cinco anos volta a aparecer e preocupa Abel

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O elenco mudou, novas estrelas chegaram e diferentes versões do Palmeiras foram montadas ao longo dos últimos anos. Um problema, porém, parece resistir ao tempo. A dificuldade para encontrar espaços diante de adversários que recuam voltou a incomodar o time de Abel Ferreira em 2026 e apareceu novamente no empate por 1 a 1 com o Cerro Porteño, nesta quarta-feira (12), pela Libertadores.

O mais curioso é que Abel praticamente antecipou o que aconteceria.

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Dois dias antes da partida, depois do 0 a 0 com o Internacional pelo Brasileirão, o treinador admitiu que o Palmeiras estava encontrando dificuldades diante de equipes que baixavam suas linhas e acumulavam jogadores perto da própria área. Ele esperava exatamente esse comportamento do Cerro Porteño.

“Temos tido dificuldade quando os adversários baixam o bloco, metem uma linha de cinco, seis, sete jogadores”, reconheceu Abel.

Na quarta-feira, o adversário paraguaio apresentou justamente esse desafio. E o Palmeiras voltou a sofrer para resolvê-lo.

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Abel previu o problema antes de enfrentar o Cerro

A preocupação não surgiu por causa de uma única partida.

Contra o Internacional, no domingo (9), o Palmeiras ficou no 0 a 0 e teve pouca capacidade para romper uma linha defensiva com cinco jogadores. Antes disso, Abel já havia identificado problema semelhante na derrota por 2 a 1 para o Atlético e no empate com o Remo, ainda em maio.

Por isso, ao projetar o confronto pela Libertadores, o treinador afirmou esperar um Cerro “fechadinho”, com marcação individual e procurando transições e bolas paradas.

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O Palmeiras controlou a posse durante boa parte do confronto e acumulou oportunidades. Vitor Roque teve chance clara logo no início. Allan obrigou o goleiro Roffo a trabalhar, enquanto Jhon Arias acertou a trave no segundo tempo e desperdiçou outra oportunidade dentro da área.

Ainda assim, o primeiro gol só apareceu aos 37 minutos da etapa final.

E há um detalhe curioso: quando Flaco López finalmente marcou, o Palmeiras já estava com dez jogadores após a expulsão de Andreas Pereira.

Cinco anos atrás, discussão era praticamente a mesma

O que transforma a situação em algo maior do que uma dificuldade momentânea é o histórico.

Em outubro de 2021, menos de um ano depois da chegada de Abel Ferreira ao Palmeiras, uma análise tática do ge já apontava como um dos principais desafios do treinador justamente criar espaços diante de defesas muito fechadas.

Na época, o Palmeiras tinha jogadores completamente diferentes.

Dudu, Rony, Patrick de Paula, Danilo, Zé Rafael e outros nomes formavam a base de um time cuja principal força estava em identificar espaços disponíveis e atacá-los rapidamente.

Quando esses espaços já existiam, o Palmeiras era extremamente perigoso. A dificuldade aparecia quando o adversário não os oferecia.

A análise feita naquele momento levantava exatamente essa questão: o que fazer quando o Palmeiras precisa criar o espaço em vez de simplesmente atacá-lo?

Cinco anos depois, Abel voltou a falar publicamente sobre praticamente o mesmo desafio.

Por que enfrentar um time fechado é tão diferente?

A dificuldade não significa simplesmente que o Palmeiras “não sabe atacar”.

São situações de jogo distintas.

Quando o adversário avança suas linhas, surgem corredores às costas da defesa. Jogadores velozes podem receber lançamentos, atacar profundidade e transformar uma recuperação de bola em oportunidade de gol rapidamente.

Contra um bloco baixo, esses espaços diminuem. Há mais jogadores adversários próximos da área, menos terreno para correr e uma necessidade maior de movimentação, triangulações, passes entre linhas e jogadas individuais para desmontar a estrutura defensiva.

É exatamente esse tipo de partida que vem provocando incômodo.

O próprio Abel reconheceu depois do empate com o Cerro que não basta apenas depender do ataque posicional e afirmou que precisa encontrar soluções para adversários que passaram a enfrentar o Palmeiras de maneira cada vez mais conservadora.

Segundo o treinador, até clubes do tamanho de Internacional e Atlético passaram a visitar o Palmeiras adotando estratégias mais fechadas do que aquelas observadas anteriormente.

Desta vez, Abel viu evolução mesmo sem vitória

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Existe, porém, uma diferença importante entre o empate com o Internacional e o resultado contra o Cerro. Abel não gostou da atuação pelo Brasileirão. Conntra os paraguaios, a avaliação foi completamente diferente.

O português classificou a apresentação como um “belíssimo jogo” e considerou que o principal problema esteve na eficiência das finalizações, não na capacidade de produzir oportunidades.

Vitor Roque, Flaco López, Allan e Arias tiveram oportunidades. O colombiano ainda acertou a trave. Para Abel, portanto, desta vez o Palmeiras conseguiu criar contra uma defesa baixa, mas não converteu o suficiente.

Essa diferença é relevante.

Se contra o Internacional o problema estava em conseguir criar, diante do Cerro o problema passou a ser transformar a criação em gols.

Ainda assim, o resultado final reforçou a sensação que acompanha o Palmeiras em alguns jogos recentes dentro de casa: ter mais bola e empurrar o adversário para trás não necessariamente significa encontrar uma maneira simples de vencer.

Elenco mudou, mas desafio continua

Talvez essa seja a parte mais interessante da comparação entre 2021 e 2026.

Os jogadores disponíveis para Abel são outros. Hoje, o treinador pode recorrer a nomes como Jhon Arias, Vitor Roque, Flaco López, Ramón Sosa, Andreas Pereira e Mauricio para encontrar soluções ofensivas.

A estrutura, as características e até as expectativas sobre o Palmeiras mudaram ao longo desses cinco anos. O problema apresentado pelo adversário, entretanto, permanece familiar.

Equipes que reconhecem a força palmeirense podem abrir mão de disputar a posse, reduzir os espaços perto da própria área e obrigar o Verdão a assumir toda a responsabilidade pela criação.

O próprio Abel parece perceber essa mudança de comportamento. Depois do Cerro, disse que o crescimento do Palmeiras também fez adversários importantes passarem a utilizar estratégias específicas para dificultar o jogo da equipe.

E cabe ao treinador encontrar a próxima resposta.

Palmeiras terá que resolver a questão longe de casa

O empate deixou a disputa por uma vaga nas quartas da Libertadores completamente aberta.

Palmeiras e Cerro Porteño voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira, 19 de agosto, no Estádio La Nueva Olla, em Assunção. Quem vencer avança. Em caso de novo empate, a classificação será decidida nos pênaltis.

Antes disso, o Verdão visita o Fluminense no sábado (15), pelo Campeonato Brasileiro.

Curiosamente, jogar fora pode alterar justamente o cenário que mais tem incomodado Abel.

No Paraguai, o Cerro precisará decidir até que ponto pretende repetir a postura extremamente defensiva da ida diante de sua própria torcida. Se oferecer mais espaços, o Palmeiras pode encontrar um tipo de partida mais adequado às suas características.

Se voltar a fechar completamente os caminhos, porém, Abel enfrentará novamente uma pergunta que acompanha seu trabalho desde 2021.

Cinco anos, muitos jogadores e várias versões do Palmeiras depois, como criar o espaço quando o adversário simplesmente se recusa a oferecê-lo?

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.