O Palmeiras passou os últimos anos transformando sua base simultaneamente em fonte de jogadores, dinheiro e reposição esportiva. Agora, um movimento interno ajuda a mostrar como essa engrenagem continua funcionando mesmo depois que algumas das promessas mais próximas do profissional deixam o clube.
A comissão técnica de Abel Ferreira e o departamento de futebol criaram um grupo de apoio formado por cinco atletas do sub-20: Kauan Lima, Heittor, Miguel Bilong, Luis Pacheco e Erick Belé.
Segundo levantamento do UOL sobre a nova estrutura da base do Palmeiras, o grupo foi montado para aproximar as principais promessas da rotina profissional. O detalhe mais interessante é que a movimentação ocorre justamente depois da saída de outros jovens que estavam um degrau acima na fila.
O Palmeiras, em outras palavras, não espera a prateleira esvaziar para começar a preparar a próxima.
Cada saída cria espaço para outro nome
Kauan Lima passou a se aproximar do profissional depois da negociação de Kaique com o Sporting. O goleiro de 19 anos continua acumulando experiência na base, mas já entrou em uma camada de observação mais próxima da comissão técnica principal.
No ataque, Heittor avançou enquanto Luighi deixou o clube para seguir carreira no New York City FC. A transição não começou agora: Heittor já recebeu oportunidades, participou de atividades com Abel e chegou a despertar uma proposta de 20 milhões de euros do Grupo City.
O Palmeiras decidiu mantê-lo naquele momento. Meses depois, o atacante permanece justamente no grupo que tenta ocupar o espaço esportivo deixado por outros jovens negociados.
Miguel Bilong entrou em uma dinâmica semelhante depois da saída de Riquelme Fillipi. O camaronês agradou durante o período de avaliação, assinou vínculo e passou a ser acompanhado mais de perto pelo profissional.
As trocas ajudam a mostrar uma espécie de sucessão planejada.
Luis Pacheco mostra como a base interfere no mercado
Entre os cinco nomes, Luis Pacheco talvez seja aquele que melhor explica por que o grupo não deve ser tratado apenas como uma lista de garotos convidados para completar treinamentos.
A avaliação sobre o volante entrou na discussão do próprio planejamento do elenco. A existência de uma alternativa interna diminui a necessidade de adicionar imediatamente outro jogador para a função e ocupar um espaço que poderia ser entregue à base.
Todo reforço contratado para uma posição já ocupada por uma promessa reduz as possibilidades de minutos daquele jovem. Também cria custo de transferência, salário e adaptação que pode não ser necessário se o jogador formado internamente conseguir entregar uma solução competitiva.
Isso não significa que o Palmeiras deixará de contratar. O clube continua realizando investimentos elevados quando entende que precisa aumentar o nível imediato do elenco.
A diferença é que a Academia também passou a fazer parte dessa conta.
Erick Belé já ultrapassou a fase de promessa distante
Erick Belé representa um estágio mais avançado. O meia-atacante já marcou pelo time profissional e vem acumulando experiências que diminuem a distância entre o futebol de base e o elenco de Abel.
O Moon BH mostrou em maio como o primeiro gol no profissional aumentou a exposição de um jogador que já vinha atraindo atenção pelo desempenho no sub-20. Desde então, Belé continua transitando entre os ambientes e aparece como um dos ativos acompanhados de perto para os próximos passos.
Heittor também vive essa aproximação, enquanto Kauan Lima passa pelo processo na posição de goleiro. São jogadores diferentes e com necessidades de desenvolvimento diferentes, mas reunidos pela mesma estratégia.
Seleção Sub-20 ajuda a validar a nova geração
Parte desse grupo também chegou às seleções de base. Kauan Lima, Erick Belé e Heittor estiveram no ciclo recente da Seleção Brasileira Sub-20, acumulando uma experiência que o Palmeiras considera importante no desenvolvimento dos atletas.
As convocações não garantem sucesso no profissional. Futebol de base está repleto de jogadores dominantes nas categorias inferiores que não conseguem repetir o rendimento quando o nível físico, tático e de pressão aumenta.
Ainda assim, elas ajudam a indicar que o Palmeiras não está promovendo nomes apenas pela necessidade de completar o elenco.
Existe uma nova geração já exposta a contextos competitivos diferentes e sendo preparada enquanto a anterior começa a gerar negociações.
O Palmeiras tenta vender sem interromper a fila

Esse talvez seja o ponto mais importante da estratégia. Um clube que depende excessivamente de uma geração pode entrar em dificuldade quando os jogadores começam a ser negociados.
Luighi saiu, Riquelme seguiu outro caminho e outros jovens receberam sondagens ou propostas. Em vez de esperar que as ausências apareçam no profissional para procurar soluções, o clube mantém atletas do sub-20 permanentemente próximos da comissão técnica.
A estratégia não garante que os cinco se tornarão titulares. Alguns podem ser negociados antes disso, outros poderão encontrar pouco espaço e existe sempre a possibilidade de novos reforços alterarem a hierarquia.
O que o Palmeiras procura preservar não é necessariamente cada jogador. É a continuidade da fila.
Os nomes mudam rapidamente. A ideia é fazer com que, quando um deles sair, exista outro já alguns passos mais perto de ocupar o espaço deixado.


