O Palmeiras perdeu 14 dos 27 pontos que disputou nas primeiras nove partidas do returno do Campeonato Brasileiro. A maior parte dessa diferença em relação à pontuação máxima veio dos empates: foram quatro resultados iguais, que renderam quatro pontos onde quatro vitórias valeriam 12.
A conta mostra por que olhar apenas para as derrotas oferece uma explicação incompleta da queda de rendimento. O time perdeu duas vezes nesse período, mas também deixou de vencer outros quatro compromissos, acumulando resultados que reduziram sua capacidade de acompanhar a disputa pela liderança.
Segundo o levantamento do ge sobre o desempenho no returno, foram três vitórias, quatro empates e duas derrotas. Os 13 pontos conquistados representam aproveitamento de aproximadamente 48%, distante dos 77% registrados na primeira metade da competição.
Quatro empates representam oito pontos na conta
Cada empate rende um ponto, dois a menos que uma vitória. Por isso, os quatro resultados iguais correspondem a oito pontos não conquistados, enquanto as duas derrotas respondem pelos outros seis que faltaram para uma campanha perfeita nesse recorte.
Em termos proporcionais, os empates representam cerca de 57% dos 14 pontos deixados pelo caminho. É uma leitura aritmética da campanha, sem pressupor que o Palmeiras tenha merecido vencer todos esses jogos ou que tenha cedido o resultado após estar em vantagem.
A distinção é importante porque empatar pode representar situações muito diferentes. Há partidas em que uma equipe busca o resultado depois de sair atrás e outras nas quais perde a oportunidade de sustentar uma vitória.
O efeito sobre a classificação, porém, é o mesmo: entram apenas um dos três pontos disponíveis. Quando esse desfecho se repete, a equipe pode sofrer poucas derrotas e ainda assim perder terreno para um concorrente que vence com maior frequência.
Primeiro turno foi forte, mas não protege toda a campanha
O Palmeiras encerrou o primeiro turno com 44 pontos em 19 partidas. A campanha estabeleceu sua melhor pontuação nessa etapa do campeonato na era dos pontos corridos e criou uma base importante para permanecer entre os candidatos ao título.
Depois das nove rodadas seguintes, o total chegou a 57 pontos em 28 jogos. O Flamengo, com 60, passou a ocupar a liderança, deixando o clube paulista na condição de perseguidor.
A diferença entre os aproveitamentos dos dois turnos se aproxima de 29 pontos percentuais. Embora os recortes tenham tamanhos diferentes, a comparação por percentual mostra uma perda real na frequência de pontuação.
Isso também explica por que a posição geral pode transmitir uma impressão melhor do que o momento recente. A vice-liderança considera tudo o que foi construído desde o início, enquanto o recorte do returno coloca o Palmeiras apenas na oitava posição.
Comissão técnica cita aumento da dificuldade

A comissão técnica relaciona parte da oscilação ao calendário e ao avanço nas competições eliminatórias. O auxiliar João Martins afirmou que “este segundo semestre seria mais difícil que o primeiro”, ao comentar a sequência de resultados.
O argumento considera a mudança de exigência entre fases iniciais e confrontos decisivos. O Palmeiras permanece nas semifinais da Copa do Brasil e da Libertadores, além da disputa pelo Brasileiro, o que amplia a necessidade de administrar preparação e recuperação.
A explicação oferece contexto, mas não altera a pontuação disponível no campeonato. Para voltar a pressionar a liderança, a equipe precisará elevar a frequência de vitórias mesmo convivendo com compromissos importantes em outras frentes.
O trabalho durante a pausa também teve limitações. Em informação oficial sobre o treino de 1º de outubro, o clube registrou a ausência de 11 jogadores convocados e a participação de atletas da base nas atividades.
Seis jogos em casa oferecem espaço para reação
Restam dez partidas para o Palmeiras no Brasileiro, sendo seis como mandante. A retomada será contra o Bahia, em 8 de outubro, às 21h30, antes do clássico com o Corinthians, marcado para o dia 11.
Na sequência, o time terá o primeiro encontro da semifinal continental com o Fluminense, em 14 de outubro. A agenda reforça que a reação no campeonato precisará acontecer junto da preparação para uma decisão de vaga.
Jogar mais vezes em casa é uma oportunidade, mas o mando não garante os pontos. O próprio histórico recente mostra que manter competitividade e transformar equilíbrio em vitória são exigências diferentes.
A meta esportiva do Palmeiras, portanto, não se resume a evitar novas derrotas. Os quatro empates ajudam a explicar por que essa proteção foi insuficiente no returno, e a recuperação dependerá de converter uma parcela maior dos próximos compromissos em três pontos.


