O Palmeiras entra na janela de transferências de julho com um planejamento fundamentado no equilíbrio entre a manutenção da competitividade técnica e o cumprimento de metas fiscais agressivas. O orçamento aprovado para 2026 prevê uma arrecadação de R$ 399,6 milhões (aproximadamente R$ 400 milhões) com a negociação de atletas.
Diferente de anos anteriores, o clube não possui no horizonte imediato vendas extraordinárias de “geração única”, como as de Endrick e Estêvão. Por isso, a estratégia da diretoria agora foca na valorização de ativos da base. Além disso, também foca em contratações de custo-benefício imediato, visando o fortalecimento do elenco de Abel Ferreira sem comprometer o fluxo de caixa.
A base como motor financeiro: o caso Allan e as joias sub-20
A principal peça de valorização no elenco atual é o meia-atacante Allan, de 20 anos. O Palmeiras já recusou uma investida oficial do Napoli, que ofereceu 35 milhões de euros fixos (mais 5 milhões de euros em bônus), totalizando cerca de R$ 220 milhões. Com uma multa rescisória de 100 milhões de euros, o clube trata o jogador como um ativo de luxo. Assim, só aceitaria nova rodada de conversas por valores considerados “irrecusáveis”.
Abaixo do topo da pirâmide, o clube utiliza uma estratégia de “vitrine rotativa” para outros nomes promissores:
- Benedetti (Zagueiro): Já atuou como capitão na Libertadores Sub-20 e ganha minutos na rotação de Abel.
- Riquelme Fillipi e Erick Belé: Os atacantes têm alternado entre o elenco profissional e o Sub-20 para manter o ritmo de jogo e atrair o monitoramento europeu.
A ideia é que vendas de médio porte desses atletas possam financiar reforços mais experientes e prontos para o time titular.
Alexander Barboza: A “oportunidade de mercado” de R$ 19,7 milhões
Para reforçar a defesa, o Palmeiras encaminhou a contratação de Alexander Barboza, do Botafogo. O negócio, fechado em US$ 4 milhões (cerca de R$ 19,7 milhões), é visto como uma vitória do departamento de inteligência.
O zagueiro argentino, canhoto e com perfil de liderança, foi preservado pelo Botafogo na última rodada (contra o Remo, em 2 de maio) justamente para não ultrapassar o limite de 12 jogos no Brasileirão, o que impediria sua transferência para outro clube da Série A. Com 10 partidas disputadas, Barboza chega para elevar o nível da concorrência interna. Isso pode provocar a saída futura de Bruno Fuchs, caso este perca espaço na hierarquia de Abel.
O impasse Bernabei e a inflação europeia
Se a negociação por Barboza é considerada “racional”, a tentativa de contratar Alexandro Bernabei, do Internacional, esbarra no leilão internacional. A entrada da Roma e do Sevilla na disputa pelo lateral-esquerdo elevou as pretensões do clube gaúcho.
O Internacional, que adquiriu o atleta junto ao Celtic por 5,5 milhões de euros, agora estabelece uma pedida entre R$ 47 milhões e R$ 56 milhões. Para o Palmeiras, este valor só se torna viável caso o clube concretize a venda de uma de suas joias da base em julho. Isso acontece, pois o investimento exigiria o comprometimento de uma fatia considerável do orçamento destinado a reforços.
Projeção para o segundo semestre
O Palmeiras tenta repetir em 2026 a fórmula de vender ativos em alta para sustentar um elenco profundo. No primeiro trimestre, o clube já assegurou cerca de R$ 128 milhões com as saídas de Facundo Torres (Austin FC), Anibal Moreno (River Plate) e Jhon Jhon (Zenit).
O sucesso da janela de julho dependerá da capacidade da diretoria em atingir os R$ 272 milhões restantes da meta orçamentária sem desmantelar a espinha dorsal de Abel Ferreira. A prioridade é clara: contratações como a de Barboza, que trazem impacto técnico imediato por um valor controlado. Enquanto isso, o clube aguarda o momento exato para liquidar seus ativos da “Academia” pelo valor máximo de mercado.


