Quando o Palmeiras decidiu contratar Paulinho, ele chegou vindo do Atlético a peso de ouro e marcava a maior movimentação financeira do futebol naquele momento. Só que não podia-se prever que o atleta ficaria quase um ano fora dos gramados depois de uma lesão que quase o fez ficar de fora do Mundial de Clubes.
Agora, 329 dias depois e um retorno que já é promissor pelo que o jogador fluminense entrega, o time de Abel Ferreira conta com ele dentro de campo para pagar o investimento feito, que além da compra, coloca na planilha seu salário de craque, um dos mais altos do futebol brasileiro e que faz Leila Pereira monitorar mensalmente os custos.
Apesar de não ser possível conferir oficialmente, o que é uma estratégia de mercado para segurar uma inflação de custos em novas contratações, o Moon BH conseguiu apurar que hoje o salário de Paulinho gira em torno dos R$ 1,8 milhão por mês. O valor representa R$ 21,6 milhões por ano.
Esse patamar é de protagonista. Não é salário de composição. É salário de jogador contratado para decidir jogos grandes e ser peça central no projeto esportivo. Por isso o gol no Maracanã teve peso simbólico: o Palmeiras não comprou Paulinho para entrar cinco minutos e sumir. Comprou para aparecer em clássico nacional, atacar a área e fechar placar.
Só que ele está se desvalorizando, algo completamente normal, visto o longo tempo que ficou fora dos gramados.
Quanto Paulinho vale hoje
O Transfermarkt registra Paulinho com valor de mercado de 9 milhões de euros — cerca de R$ 64 milhões na cotação atual.
A comparação é dura: o Palmeiras pagou 18 milhões de euros só em valor fixo ao Atlético. Hoje, a avaliação pública do jogador está abaixo do que foi desembolsado. Isso não gera prejuízo contábil imediato — valor de mercado não é preço obrigatório de venda —, mas mostra o quanto a lesão travou a curva de valorização.
Se Paulinho estivesse saudável, jogando com regularidade desde 2025 e decidindo, a tendência era estar avaliado entre 20 e 25 milhões de euros. A lesão interrompeu esse caminho.
O que a lesão custou ao Palmeiras?
Paulinho ficou 302 dias fora dos gramados, recuperado da segunda cirurgia na perna direita, realizada em julho de 2025. Seu gol contra o Flamengo marcou o fim de um jejum de 329 sem marcar.
Esse período mexeu com tudo: ritmo de jogo, confiança, explosão física, valor de mercado e percepção externa.
Para contextualizar o tamanho do atacante antes da lesão: em duas temporadas pelo Atlético, Paulinho disputou 120 jogos, marcou 50 gols e deu 12 assistências, sendo artilheiro do Galo em 2023 e 2024. Era um atacante de alto volume, decisivo e acostumado a carregar protagonismo.
A lesão transformou esse ativo em projeto de recuperação.
O gol muda algo?
Muda o ambiente, mas não muda tudo. O próprio Palmeiras mantém restrição de minutagem e cautela. Paulinho deve seguir com menos de 30 minutos por partida até a pausa para a Copa do Mundo. A ideia interna é aumentar a carga durante a paralisação para tentar chegar mais próximo de 100% no segundo semestre.
Essa é a leitura correta. O gol no Maracanã não prova que Paulinho está pronto para ser titular absoluto. Mas prova que o talento continua lá. Um gol devolve confiança. Uma sequência de 10 ou 15 jogos com boa resposta física devolve valor de mercado.
Como Paulinho joga — e o que muda para o Palmeiras
Paulinho é um atacante híbrido. Atua aberto pela esquerda, como segundo atacante, por dentro ou atacando o espaço entre lateral e zagueiro. Não é centroavante fixo. O melhor dele aparece quando tem liberdade para flutuar.
Ele gosta de receber entre linhas, girar, atacar a diagonal e aparecer na área como elemento surpresa. No Atlético, virou artilheiro justamente porque não dependia apenas de jogar aberto — atacava a área com frequência e finalizava bem com as duas pernas.

No Palmeiras, esse perfil resolve um problema recorrente: quando Vitor Roque, Ramón Sosa ou Felipe Anderson não estão disponíveis, o ataque fica mais previsível. Paulinho inteiro muda esse cenário. Obriga a defesa a correr para trás e abre espaço para Flaco López, Andreas Pereira, Arias e Allan.
Quando pode voltar a render o esperado
Na nossa avaliação, a perspectiva mais realista é o segundo semestre. A programação do Palmeiras indica isso. Junho e julho devem ser meses de reconstrução física durante a pausa para a Copa. O Paulinho esperado pelo clube deve aparecer depois da paralisação, com mais minutos e mais confiança acumulada.
O processo tem três etapas. Controle de minutagem agora, para evitar recaída. Ganho de ritmo competitivo com entradas progressivas. E confiança física — a mais importante e a mais difícil: parar de pensar na perna e jogar sem hesitação. Quando isso acontece, o talento reaparece. O Palmeiras precisa resistir à ansiedade. Transformar um gol no Maracanã em autorização para sobrecarga seria o erro mais fácil de cometer, e o mais caro.
Paulinho tem 25 anos. Não é um veterano tentando sobreviver. É um jogador no auge potencial, atrasado por lesão.


