A vitória por 3 a 0 sobre a Jacuipense deixou a classificação na Copa do Brasil muito bem encaminhada, mas Abel Ferreira saiu do Allianz Parque com uma dor de cabeça gigantesca. A nova lesão de Vitor Roque, somada à ausência prolongada do lateral Joaquim Piquerez, acendeu o sinal vermelho na Academia de Futebol e alterou o peso das prioridades do Palmeiras para a janela de transferências de julho.
O cenário exige respostas rápidas. O que antes era uma busca pontual por zagueiros transformou-se em um alerta sobre a profundidade funcional do elenco às vésperas do afunilamento da temporada 2026.
O drama de Vitor Roque e a urgência por Paulinho
O abatimento de Vitor Roque ao deixar o gramado com apenas 15 minutos de jogo diz muito sobre o peso da recaída. Fazendo sua primeira partida como titular em 30 dias, o camisa 9 voltou a machucar o mesmo tornozelo esquerdo que o havia tirado do fim do Paulistão, após uma entrada dura. O próprio Abel Ferreira admitiu pessimismo com a linguagem corporal do atleta, prevendo que “não deve ser coisa muito boa”.
A baixa no ataque muda completamente o status de Paulinho. Em reta final de transição física, o atacante vinha sendo preservado sob uma política de cautela extrema. Contudo, com a instabilidade de Roque, Paulinho deixa de ser um “reforço técnico” aguardado com paciência para se tornar uma peça de contingência urgente para manter o sistema ofensivo operando.
A ausência estrutural de Piquerez e a nova rota no mercado
Se no ataque a dor é aguda, na defesa ela é crônica. Operado no tornozelo direito após se machucar servindo à seleção uruguaia, Piquerez só deve retornar entre maio e junho. O Palmeiras perdeu o jogador que dá amplitude, sustenta o corredor esquerdo e equilibra a fase defensiva sem exigir improvisos.
É neste cenário que a janela de julho ganha outro contorno. A diretoria já tem um acordo encaminhado para pagar US$ 4 milhões por Alexander Barboza e reforçar o miolo de zaga. Porém, o novo quadro clínico exige que o clube olhe para duas novas frentes:

- Um lateral-esquerdo de ofício: Capaz de aliviar a ausência do uruguaio sem desmontar a estrutura tática de Abel.
- Um atacante versátil: Alguém que atue tanto pelos lados quanto centralizado, blindando a equipe das oscilações físicas de Roque e do retorno controlado de Paulinho.
O elenco “Anti-Copa” e a redundância inteligente
O cobertor curto do Palmeiras ganha contornos dramáticos por causa da Copa do Mundo de 2026. Embora a CBF vá paralisar as competições nacionais durante o Mundial, o verdadeiro medo de Abel Ferreira é o day after.
Jogadores como Gustavo Gómez, Richard Ríos e o próprio Piquerez correm o risco de retornar aos clubes no limite do desgaste físico ou machucados (como já aconteceu com o uruguaio recentemente).
A solução no mercado não é fugir de jogadores de seleção montando um elenco “anti-Copa”, mas sim investir em redundância inteligente. O Palmeiras buscará atletas fisicamente confiáveis e versáteis, que possam preencher as lacunas estruturais que as convocações e lesões invariavelmente deixarão ao longo do segundo semestre.
A prova de fogo desse elenco combalido começa neste fim de semana. O Verdão encara o Red Bull Bragantino neste domingo (26), às 18h30, pelo Brasileirão. Logo na sequência, no dia 29, viaja para um confronto pesado contra o Cerro Porteño pela Libertadores. Abel precisará inventar soluções para ganhar agora, antes que a temporada devore o que restou de suas opções originais.
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