O aguardado retorno do atacante Paulinho aos gramados precisará esperar. O Palmeiras vetou o jogador na goleada de ontem (23) contra a Jacuipense por extrema precaução: o clube teme que resquícios de medicamentos utilizados na sua recuperação acusem positivo no exame antidoping. Somado a isso, o susto com a lesão precoce de Vitor Roque no mesmo jogo reforçou a decisão do departamento médico de não antecipar a reestreia.
O risco invisível: Por que a alta física não basta?
Segundo o setorista Diego Firmino, o Palmeiras adotou uma blindagem jurídica e médica inédita. A decisão escancara uma realidade complexa dos bastidores do futebol moderno: após tratamentos intensos, o retorno não depende apenas de o jogador estar “zerado” fisicamente, mas do tempo exato para a eliminação completa de compostos químicos do organismo.
É vital separar a prevenção do crime esportivo. Não há qualquer indicação de doping ou infração envolvendo Paulinho. O movimento é estritamente regulatório.
A Agência Mundial Antidoping – WADA alerta constantemente que certas substâncias terapêuticas permanecem detectáveis semanas ou meses após o fim do tratamento. Em um calendário onde a margem de erro é zero, o clube prefere segurar um atleta apto a transformar um “reforço” em uma crise jurídica milionária.
O alerta de Vitor Roque e o freio do Departamento Médico
Se o risco regulatório já era alto, o campo tratou de dar o aviso final sobre a parte física. Durante a vitória de ontem por 3 a 0 pela Copa do Brasil, o atacante Vitor Roque precisou ser substituído com apenas 15 minutos de bola rolando, queixando-se de dores.

A baixa do jovem centroavante entrou imediatamente na conta de Paulinho. Para o Núcleo de Saúde e Performance do Palmeiras, a lesão de Roque serve como a prova definitiva de que o calendário pune severamente quem não está no auge. Pular etapas ou antecipar o retorno de um atleta que vem de longa inatividade clínica tornou-se um risco que Abel Ferreira e sua comissão não estão dispostos a correr.
Precedentes perigosos no esporte global justificam a blindagem
A prudência do Verdão encontra respaldo no tribunal. Atletas de elite acabaram suspensos sem intenção de trapacear, vítimas de contaminação cruzada ou resíduos de tratamentos médicos legítimos:
- Yeray Álvarez (Athletic Club): O zagueiro levou 10 meses de suspensão da UEFA por testar positivo para canrenona, presente em um remédio para queda de cabelo usado após tratar um câncer.
- Iga Swiatek e Jannik Sinner: As estrelas do tênis lidaram com desgastes e suspensões recentes devido a medicações reguladas (como melatonina) e contaminações acidentais via estafe.
- Fred: No Brasil, o caso do ex-atacante em 2015 é o maior lembrete de como um processo de doping desgasta a imagem de um ídolo, mesmo com a situação esclarecida posteriormente.
O calendário e a espera pelo camisa 10
Quando um gigante como o Palmeiras segura seu camisa 10 por medo de resquícios de medicação e precaução muscular, a prioridade não é o próximo jogo, mas a proteção do investimento.
Neste cenário, a reestreia segue sem data marcada. O próximo compromisso do time será no domingo (26), contra o Red Bull Bragantino, pelo Brasileirão. A tendência irreversível é que Paulinho só pise no gramado quando o clube tiver 100% de segurança clínica, muscular e, acima de tudo, regulatória.
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