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Flamengo contratou para o futuro e precisou do garoto de 19 anos para salvar o presente

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Aos 19 anos, vindo do River Plate e contratado dentro de uma estratégia que passou a priorizar juventude e características específicas, o argentino era tratado principalmente como investimento.

Poucas semanas depois, o futuro precisou entrar em campo antes do previsto.

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Freitas saiu do banco contra o Corinthians e fez o cruzamento para Bruno Henrique marcar de cabeça o gol da vitória por 2 a 1 no Maracanã.

O resultado manteve o Rubro-Negro na liderança do Campeonato Brasileiro e transformou uma aposta de mercado em personagem direto da corrida pelo título.

Joaquín Freitas deixou de ser apenas projeto

No fim de agosto, o Moon BH mostrou como o Flamengo mudou o perfil de sua janela depois de tentar negociações mais chamativas.

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A lógica parecia voltada principalmente para médio e longo prazo. Em vez de concentrar enorme parte do investimento disponível em apenas um nome consagrado, a direção passou a procurar peças jovens, capazes de oferecer características diferentes e preservar margem de valorização.

Contra o Corinthians, essa tese deixou o mercado e entrou no campeonato.

Freitas não precisou de uma sequência como titular ou de meses de adaptação para interferir diretamente em uma partida importante.

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Bastou uma oportunidade nos minutos finais para entregar amplitude, precisão no cruzamento e uma bola limpa para Bruno Henrique atacar dentro da área.

Depois do jogo, o próprio veterano agradeceu a assistência e classificou o argentino como um jogador promissor. A declaração foi registrada pelo ge ao detalhar a participação decisiva do jovem.

Um garoto resolveu jogo de elenco milionário

Existe uma ironia interessante nessa história.

O Flamengo possui algumas das peças mais caras e experientes do futebol brasileiro. Mesmo assim, quando a partida estava empatada e pontos importantes para a liderança escapavam, a jogada decisiva começou justamente com um atleta de 19 anos recém-chegado.

O contraste não diminui a força financeira do elenco. Faz o contrário.

Durante anos, profundidade foi associada principalmente à capacidade de colocar no banco jogadores que seriam titulares em outros grandes clubes. A entrada de Freitas sugere outra possibilidade: construir profundidade também com jovens que não precisam desembarcar imediatamente com status de estrela.

Isso ganha ainda mais importância porque o Flamengo segue obrigado a administrar diferentes características dentro de um elenco numeroso.

A chegada dos estrangeiros, inclusive, criou um problema específico. O Moon BH mostrou que o clube passou a ter mais estrangeiros do que poderia relacionar simultaneamente no Campeonato Brasileiro.

Freitas começou a oferecer um argumento esportivo forte para permanecer entre os escolhidos.

Bruno Henrique completa a história

Bruno Henrique no Flamengo
Jogador Bruno Henrique – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

A outra metade do gol também ajuda a explicar o momento.

Bruno Henrique chegou à partida carregando uma trajetória completamente diferente. Aos 35 anos, o atacante já não precisa provar que consegue decidir jogos pelo clube, mas continua encontrando maneiras de interferir quando recebe espaço.

O lance reuniu dois extremos do elenco.

De um lado, um jovem de 19 anos começando a construir sua história no Flamengo. Do outro, um dos principais jogadores do ciclo recente rubro-negro.

Para Leonardo Jardim, fazer essas duas trajetórias funcionarem simultaneamente pode ser tão importante quanto qualquer contratação de maior impacto.

A experiência oferece leitura dos momentos decisivos. A juventude acrescenta intensidade, alternativas e imprevisibilidade.

Contra o Corinthians, as duas coisas se encontraram em poucos segundos.

A mudança da janela já produziu retorno

Uma assistência ainda é pouco para decretar que qualquer contratação deu certo. Freitas terá de construir sequência, adaptar-se ao futebol brasileiro e mostrar que consegue repetir o impacto em contextos diferentes.

Mas já existe diferença entre avaliar uma aposta apenas pelo potencial e perceber que ela começou a gerar resultado.

Há duas semanas, a história era que o Flamengo havia mudado sua estratégia para contratar jogadores jovens.

Agora existe uma continuação muito mais interessante.

Quando a liderança do Brasileiro precisava ser protegida nos minutos finais, foi justamente um desses investimentos de futuro que criou o gol capaz de salvar o presente.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.