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Flamengo transforma Maracanã em máquina de receita, mas uma conta entrou na mira do MP

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O Flamengo passou os últimos anos transformando o Maracanã em uma das maiores fontes de receita, exposição e força esportiva do futebol brasileiro. Agora, parte da operação que sustenta esse modelo entrou em uma discussão diferente: o controle exato de quantas pessoas são autorizadas e efetivamente entram em cada setor do estádio.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro instaurou um inquérito civil para investigar possível superlotação em alguns setores durante partidas realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. Flamengo e Fluminense, que administram o estádio por meio da Fla-Flu Serviços S.A., estão entre as partes chamadas a apresentar informações.

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É importante separar investigação de conclusão. O procedimento não significa que o Flamengo tenha sido condenado ou que a superlotação já esteja comprovada; o objetivo declarado pelo órgão é esclarecer discrepâncias identificadas nos dados analisados.

Segundo comunicado oficial do MPRJ, foram solicitadas informações sobre ingressos vendidos, cortesias, gratuidades e total de pessoas que efetivamente acessaram cada setor nas partidas analisadas. O órgão também quer saber se existe justificativa técnica para casos em que o número de acessos teria aparecido acima da capacidade prevista.

A conta não é apenas quantos ingressos foram vendidos

Foto: Paula Reis/Flamengo

O detalhe torna a investigação particularmente interessante porque público, ingresso emitido e ingresso utilizado são três números diferentes.

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Um clube pode disponibilizar determinada quantidade de entradas e terminar a partida com público inferior porque parte dos compradores não comparece. Também existem gratuidades, cortesias, bloqueios operacionais e setores com capacidades próprias dentro do estádio.

É justamente essa separação que o Ministério Público pretende analisar.

O pedido enviado aos clubes e às empresas responsáveis pela comercialização de ingressos solicita os números discriminados por setor. O MPRJ quer comparar quantas entradas foram emitidas com quantas pessoas efetivamente passaram pelos controles de acesso.

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Além do Flamengo, Fluminense e Fla-Flu Serviços, o procedimento envolve o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e empresas ligadas à operação dos ingressos.

Maracanã virou peça central do negócio do Flamengo

A discussão aparece justamente quando o estádio ganhou importância financeira ainda maior para o Rubro-Negro.

O Moon BH mostrou em janeiro que o clube criou um pacote anual de ingressos capaz de custar mais de R$ 16 mil em determinados setores. A estratégia permite antecipar receitas e transformar o torcedor frequente em cliente de uma temporada inteira, especialmente nos planos de sócio-torcedor.

O Maracanã também produz algumas das maiores bilheterias do futebol nacional. Em partidas de grande apelo, mais de 60 mil torcedores fazem com que uma única noite movimente milhões de reais em renda bruta.

Por isso, qualquer discussão sobre capacidade não envolve apenas logística.

Cada cadeira disponível tem valor econômico. Ao mesmo tempo, cada limite de setor existe por razões de segurança, circulação e planejamento operacional.

Flamengo participa diretamente da administração

Bap, presidente do Flamengo
Foto: Flamengo TV

A relação do clube com o tema também mudou nos últimos anos porque o Flamengo não é apenas locatário do estádio. Ao lado do Fluminense, participa da empresa que administra o Maracanã.

Essa condição aumenta o controle sobre receitas, operação, calendário e exploração comercial, mas também amplia a responsabilidade institucional relacionada ao funcionamento do equipamento.

O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, colocou a geração de receita e a profissionalização do negócio entre as bases do projeto esportivo atual. O Flamengo investiu pesado no elenco e depende de crescimento comercial contínuo para sustentar esse patamar.

Nesse modelo, o Maracanã vale muito mais que o mando de campo.

Investigação pode esclarecer como os números são formados

O procedimento do Ministério Público ainda está em fase de coleta e análise de informações. Portanto, qualquer conclusão sobre responsabilidade seria prematura.

O ponto relevante para o Flamengo é que uma das operações mais importantes de sua temporada agora terá seus números observados de forma muito mais detalhada.

A investigação pode confirmar problemas, identificar diferenças apenas operacionais ou concluir que existem justificativas para as divergências encontradas. O próprio pedido de dados existe justamente porque essas respostas ainda precisam ser estabelecidas.

Para o torcedor, a discussão ajuda a revelar algo que normalmente fica escondido atrás do público anunciado no telão.

Quando mais de 60 mil pessoas ocupam o Maracanã, o número final é apenas a última linha de uma conta muito maior. Há ingressos emitidos, acessos realizados, capacidades diferentes por setor, cortesias, gratuidades e sistemas de controle funcionando ao mesmo tempo.

O Flamengo transformou essa estrutura em uma de suas maiores vantagens financeiras. Agora terá de mostrar com precisão como essa conta funciona.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.