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Flamengo troca Almada por Luiz Henrique? Entenda a estratégia

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O Flamengo decidiu concentrar suas forças na contratação de Luiz Henrique, do Zenit, após enfrentar uma longa indefinição nas conversas por Thiago Almada. A mudança de prioridade não representa apenas a troca de um jogador por outro. A estratégia envolve a urgência para reforçar a ponta direita, o crescimento de Samuel Lino como armador, o aceite imediato do brasileiro e a necessidade de escolher apenas uma operação de grande impacto financeiro.

Thiago Almada era considerado o plano A da diretoria. O Flamengo chegou a avançar nas conversas com o Atlético de Madrid e apresentou um projeto ao argentino, mas não recebeu uma resposta definitiva dentro do prazo esperado.

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O River Plate também entrou na disputa e aumentou a pressão sobre a negociação. Diante do risco de participar de um leilão e perder tempo em uma janela considerada decisiva, o Rubro-negro redirecionou a maior parte de seus esforços para Luiz Henrique. Segundo o ge, a proposta por Almada não foi formalmente retirada.

Luiz Henrique deu resposta que o Flamengo esperava

Um dos principais motivos para a mudança foi a postura dos jogadores. Enquanto Almada permaneceu avaliando as possibilidades para o futuro, Luiz Henrique aceitou o projeto apresentado pelo Flamengo.

O atacante de 25 anos já era um desejo antigo do clube. Antes de retornar ao Brasil para defender o Botafogo, em 2024, ele recebeu representantes rubro-negros na Espanha e demonstrou interesse na proposta. Na época, porém, o Flamengo não conseguiu acompanhar os valores envolvidos na operação.

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O nome continuou sendo acompanhado nas janelas seguintes. Quando o Zenit sinalizou que poderia negociar o brasileiro, a diretoria voltou a procurar informações e encontrou um jogador disposto a retornar ao país.

Esse aceite facilitou o avanço. O Flamengo agora precisa encontrar um acordo com os russos, principalmente sobre o prazo para o pagamento. A proposta discutida gira em torno de 30 milhões de euros, aproximadamente R$ 178 milhões, além de 5 milhões de euros, cerca de R$ 29 milhões, em bônus.

A prioridade esportiva também mudou

Thiago Almada e Luiz Henrique não cumprem exatamente a mesma função. O argentino atua principalmente por dentro, como meia ofensivo ou jogador de ligação. Ele seria uma alternativa imediata e, a longo prazo, um possível sucessor de Arrascaeta.

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Luiz Henrique é mais identificado com a ponta direita. Canhoto, ele oferece velocidade, força física, capacidade de drible e condução em direção à área. O brasileiro também pode jogar mais centralizado, mas seu encaixe principal atende a uma carência imediata do elenco comandado por Leonardo Jardim.

A ponta direita se transformou em um problema para o Flamengo. Plata vinha sendo o titular, mas sofreu com uma tendinite no joelho. Luiz Araújo acumulou lesões e não apresentou o mesmo rendimento de temporadas anteriores. Carrascal também oscilou, enquanto Paquetá não conseguiu entregar suas melhores atuações quando foi deslocado para o setor.

A situação chegou a obrigar Leonardo Jardim a utilizar Lorran e improvisar Everton Cebolinha, jogador que habitualmente atua pelo lado esquerdo. O treinador reconheceu publicamente que não possuía uma opção consolidada para substituir Plata.

Samuel Lino permitiu a mudança de rota

Outro ponto importante na estratégia é o crescimento de Samuel Lino atuando como camisa 10. O jogador ganhou espaço por dentro e passou a oferecer ao treinador uma alternativa para a função que seria ocupada por Almada.

Isso não significa que o argentino deixou de interessar. Almada ainda seria uma contratação importante pela idade, qualidade técnica e possibilidade de assumir responsabilidades na criação. No entanto, o desenvolvimento de Samuel Lino diminuiu a urgência por um novo meia.

Na ponta direita, o problema continua aberto. Por isso, a diretoria entendeu que Luiz Henrique poderia provocar uma transformação mais imediata na equipe.

A decisão segue uma lógica de necessidade. Em vez de investir a maior parte dos recursos disponíveis em uma posição na qual surgiu uma solução interna, o Flamengo passou a priorizar o setor com menos alternativas confiáveis.

Flamengo dificilmente contratará os dois jogadores

As duas operações são consideradas financeiramente pesadas. A negociação por Almada poderia superar 20 milhões de euros, enquanto o Zenit deseja receber aproximadamente 30 milhões de euros por Luiz Henrique, além dos bônus.

O Flamengo não trabalha, neste momento, com a expectativa de contratar os dois. Para que isso se tornasse possível, o clube precisaria obter condições excepcionais de parcelamento, realizar uma venda de valor expressivo ou encontrar outra solução financeira que não comprometesse as próximas janelas.

No caso de Luiz Henrique, o Zenit deseja receber uma parcela relevante à vista. O Flamengo tenta distribuir o pagamento por aproximadamente três anos. O formato da operação, portanto, é tão importante quanto o valor total.

José Boto também deixou claro que o clube não pretende aumentar indefinidamente sua oferta por Almada. O diretor afirmou que o Flamengo não entraria em “leilões” e manteria as condições já apresentadas ao jogador.

Prazo da Libertadores aumenta a pressão

Existe ainda uma corrida contra o relógio. O Flamengo tem até as 18h desta sexta-feira, 7 de agosto, para inscrever novos jogadores na próxima fase da Libertadores.

Luiz Henrique estava em atividade pelo Zenit e chegaria com melhores condições físicas para ser utilizado rapidamente. Almada, por outro lado, estava de férias e precisaria de um período maior de preparação.

A mudança de foco, portanto, combina planejamento esportivo e pragmatismo. Luiz Henrique não é simplesmente um substituto de Thiago Almada. O brasileiro passou à frente porque aceita o projeto, resolve uma carência mais urgente e pode entregar uma resposta mais rápida.

O Flamengo ainda mantém a porta aberta para Almada, mas não pretende permanecer parado. Ao avançar por Luiz Henrique, a diretoria mostra que prefere investir em uma negociação possível agora a continuar esperando indefinidamente pelo antigo plano A.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.