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Cruzeiro pode sofrer punição além de Kaio Jorge após clássico; mando entra em risco

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O Cruzeiro ganhou um problema no Superior Tribunal de Justiça Desportiva que vai além da possível suspensão de Kaio Jorge. A Procuradoria do STJD denunciou o atacante pelo lance envolvendo Ruan Tressoldi no clássico contra o Atlético, mas também levou ao tribunal questões relacionadas ao atraso das equipes e ao uso de sinalizadores no Mineirão.

No caso celeste, existe um ponto especialmente relevante: a Procuradoria defende perda de mando de campo em razão da utilização dos artefatos pela torcida do clube mandante.

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Isso não significa que o Cruzeiro já tenha perdido o direito de jogar no Mineirão. Trata-se de um pedido apresentado na denúncia e qualquer punição ainda depende do julgamento do caso.

Kaio Jorge pode pegar de um a seis jogos

Kaio Jorge no Cruzeiro
Kaio Jorge – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A parte individual do processo envolve Kaio Jorge.

A Procuradoria denunciou o atacante com base no artigo 254, parágrafo 1º, inciso II, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O enquadramento considera atuação temerária ou imprudente e, no entendimento apresentado pelo procurador, uma ação fora da disputa da bola.

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A punição prevista pode variar de uma a seis partidas de suspensão.

O julgamento ainda não estava marcado na divulgação da denúncia.

Por isso, ser denunciado não significa estar suspenso automaticamente. Kaio continua sujeito ao andamento do processo e a uma futura decisão da Justiça Desportiva.

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A situação também cria um novo capítulo de uma relação já turbulenta entre o atacante e o rival. Em 2025, o nome de Kaio Jorge também apareceu em uma discussão envolvendo Atlético e STJD após outro clássico.

Na ocasião, o atacante foi posteriormente liberado para atuar enquanto aguardava o julgamento de uma das ocorrências, exemplo de como denúncia, suspensão automática e julgamento são etapas diferentes.

Ruan deixou o jogo pelo protocolo de concussão

Zagueiro do Atlético, Ruan Tressoldi
foto: Divulgação/Atlético

O lance desta semana ocorreu nos minutos iniciais do clássico.

Ruan Tressoldi caiu durante a disputa com Kaio Jorge e precisou receber atendimento. O defensor chegou a retornar ao campo, mas apresentou sintomas posteriormente e foi substituído pelo protocolo de concussão.

O jogador passou por exames em um hospital de Belo Horizonte e nenhuma lesão estrutural foi constatada.

O episódio motivou reclamações públicas do Atlético e, posteriormente, uma Notícia de Infração apresentada pelo clube.

A denúncia da Procuradoria, contudo, já havia sido preparada antes mesmo desse pedido formal do Galo.

Cruzeiro e Atlético também foram denunciados

A consequência jurídica do clássico não terminou no choque entre os jogadores.

Tanto Cruzeiro quanto Atlético foram denunciados pelo atraso na entrada em campo, situação enquadrada no artigo 206 do CBJD.

Os dois também responderão pelo uso de sinalizadores nas arquibancadas.

O Cruzeiro aparece no processo por ser o mandante e, segundo a tese apresentada pela Procuradoria, não ter adotado medidas suficientes para impedir a entrada dos artefatos. O Atlético foi denunciado pelo comportamento de seus torcedores no setor visitante.

Foi justamente nessa parte da denúncia que surgiu o risco mais pesado para a Raposa.

Procuradoria pede perda de mando

O procurador defende que a utilização de sinalizadores pode justificar uma perda de mando de campo do Cruzeiro.

É importante separar pedido e punição.

O tribunal ainda terá de analisar a responsabilidade do clube e decidir se aceita ou não a tese apresentada. Até isso acontecer, o Cruzeiro continua mandando normalmente seus jogos.

A discussão ganha peso porque o Mineirão é um dos principais ativos esportivos da equipe nesta temporada e recebe partidas importantes do Brasileirão e das competições eliminatórias.

Uma eventual condenação, dependendo do formato determinado pelo tribunal, poderia atingir algum compromisso futuro como mandante.

Nada disso muda o local da partida de volta

Para a atual eliminatória da Copa do Brasil, porém, a denúncia não muda o estádio da decisão.

O segundo clássico será realizado na Arena MRV, com mando do Atlético.

O primeiro duelo terminou empatado em 1 a 1. Assim, qualquer vitória na volta garante classificação direta à semifinal, enquanto novo empate leva a decisão aos pênaltis.

O cenário jurídico, portanto, corre paralelamente ao esportivo.

Kaio Jorge pode ser julgado pelo lance com Ruan. Cruzeiro e Atlético respondem pelos atrasos e pelos sinalizadores. E a Raposa ainda precisa se defender de um pedido de perda de mando.

Um único clássico produziu três frentes diferentes no STJD e pode continuar gerando consequências mesmo depois de a vaga na Copa do Brasil já estar definida.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.